quinta-feira, 5 de abril de 2018

Klopp e uma revolução que nunca quer acabar

 

No dia 22 de junho de 2014, depois da segunda rodada da Copa, eu escrevi no As o artigo abaixo. 

E é incrível como, voltando a ler esse texto, ele praticamente resume a vitória arrasadora por 3 a 0 do Liverpool ontem contra o Manchester City.

Eu explicava como Klopp encontrou a fórmula para vencer o tiqui-taca, o estilo de jogo inventado por Luis Aragonés na Seleção Espanhola e aperfeiçoado pelo Pep Guardiola naquele genial Barcelona bi-campeão europeu.

Quatro anos se passaram, ambos mudaram de time, mas a rivalidade entre o futebol de posse de bola e o vertical de alta velocidade continua. Leia e comente:

Como o tiqui-taca e o Borussia de Klopp trouxeram de volta a alegria ao futebol

Quando eu descobri, menos de um mês antes da Copa, que viria ao Brasil cobrir o torneio, nunca imaginei que meu primeiro Mundial seria um dos mais emocionantes de todos os tempos.

Pelo menos até agora, fim da segunda rodada. 

O tal "futebol das antigas" parece ter renascido de um estado de hibernação. A Copa do Brasil é pura alegria. Voltaram os gols, a imprevisibilidade, as viradas, o lá e cá... e tudo isso num ambiente de festa latino que trouxe de volta à uma Copa a pressão da arquibancada. 

Agora, de onde surgiu tudo isso? Como é que, “de repente”, voltamos a ver o jogo bonito numa Copa do Mundo?  Esse fenômeno que estamos vendo aqui no Brasil se deve basicamente à mistura de dois fatores. 

O primeiro é a Espanha, que através do tiqui-taca conseguiu vencer os ferrolhos armados na Copa da África com um futebol técnico e com classe. Revalorizou a categoria dos jogadores e trouxe de volta o valor de se jogar com a bola nos pés, coisa que só quem sabe jogar pode fazer. Dominou o futebol mundial durante seis anos, com a seleção e o Barcelona, e obrigou aos rivais encontrarem uma forma de vencê-los. 

Para nossa sorte, a receita não veio do futebol brucutu e do anti-jogo. Veio de uma forma ainda mais ofensiva e e agressiva de jogar bola. O arquiteto da resposta foi Jürgen Klopp, um alemão simpático, de sorriso largo e madeixas loiras ao vento, que parece mais um ator de Baywatch que treinador de futebol.  Com o Borussia Dortmund, ele mostrou ao mundo que jogar no contra-ataque não significa jogar na retranca. Pelo contrário. Sua ideia está na aposta cega pelo futebol coletivo levado ao extremo, onde todos os jogadores que estão em campo tem que participar tanto na marcação quanto na criação das jogadas. 

Klopp apostou na movimentação, a velocidade e a pressão constante com dois, três, quatro e até cinco jogadores onde está a bola, para roubá-la do rival antes dele conseguir impor seu ritmo e, em seguida, usar a triangulação e as bolas em profundidade, principalmente pelas laterais do campo, para romper as linhas defensivas, aproveitando o momento de fraqueza do rival. Sempre de maneira vertical e com um alvo claro: o gol. É uma proposta que exige comprometimento total do time com a filosofia tática. Todos tem que comprar a ideia e ter fôlego, por isso sempre apostou por jogadores jovens e de talento. 

Foi como o Borussia venceu o Real Madrid na semifinal da Champions de 2013 e como o próprio Real Madrid destruiu o Bayern esse ano.

Ou como o Brasil venceu a Espanha na fina da Copa das Confederações. 

Essa revolução trouxe de volta os pontas e obrigou os times europeus a estarem no seu apogeu físico.  E por isso vemos hoje, mesmo no calor daqui do Brasil, times correndo como loucos mesmo no final do segundo tempo. Por isso não surpreende ver o time trazido por Felipão, de incansáveis operários no meio de campo. 

Se estamos vendo uma Copa maravilhosa dentro de campo, é graças à aposta pelo futebol bem jogado na Europa. E a mescla de duas escolas que mudaram a forma de jogar nos últimos anos. O Brasil tem que agradecer aos baixinhos talentosos de Luis Aragonés e aos jovens velozes e famintos por de bola e por gol de Jüergen Klopp por poder ver de volta aos nossos gramados um futebol que quase tínhamos esquecido como era.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Meu relato no hospital onde Teresa foi internada com ebola

Fui ao hospital de Alcorcón, subúrbio de Madri, onde a auxiliar de enfermagem Teresa Romero foi internada com Ebola. Esse é o meu relato na BBC Brasil de um dia tenso na capital espanhola, em alerta pelo temor da doença.

Erros, pânico e revolta em Madri: o caso da enfermeira com ebola

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Falece Luis Aragonés, o homem que mudou o futebol espanhol

Faleceu, na madrugada desse sábado, 1º de fevereiro, com 75 anos, o ex-jogador e treinador Luis Aragonés.

O "Sábio de Hotaleza", como era conhecido, foi a figura mais folclórica do futebol espanhol e do Atlético de Madrid. Figura com tantos títulos quanto histórias pra contar. Sua fama de grosso e mal humorado rendeu dúzias de causos hilários. Mas o que marcará para sempre a biografia desse madrilenho é o seu legado na Seleção Espanhola.

Luis Aragonés foi o primeiro comandante dessa geração campeã, ao ganhar a Eurocopa de 2008, o 1° título de Xavi, Casillas e cia.

Seu grande mérito foi a mudança de atitude!

Ele acabou com o complexo de inferioridade da antiga Fúria, que muitas vezes já entrava derrotada em grandes jogos. Aragonés proibiu que se referissem à seleção espanhola como Fúria e passou a chamá-la de "La Roja", a vermelha, como se fosse um recomeço. Principalmente após ser eliminado de forma prematura da Copa de 2006.

O "Sábio", Aragonés com seu jeito bronco e teimoso, usou a dor da eliminação para mudar a mentalidade dos jogadores. Fechou o grupo, criou uma guerra contra a mídia e foi pra batalha como se fosse um general.

E deu certo!

Teve a sabedoria de unir as melhores armas dos inimigos Barcelona e Real Madrid para criar esse estilo de jogo envolvente, o tiki-taka, copiado com brilhantismo por Guardiola no próprio time catalão. E iniciou o caminho de glórias que depois foi mantido por Vicente del Bosque.

Aos que falam ou pelo menos entendem espanhol, coloco o vídeo abaixo, com as preleções de Aragonés durante a Eurocopa de 2008 e que entraram para a história. Vale a pena ver.



Traduzo abaixo um belo texto do jornalista e escritor Juan Cruz, publicado hoje no Diario AS, onde ele define muito bem a figura peculiar de Luis Aragonés. Vai deixar saudades...

 O ar cansado do cowboy solitário

Por Juan Cruz

Existia em Luis Aragonés algo do herói cansado do velho oeste, esse homem que fuma, que deixa a barba por fazer e olha de lado, meio desconfiado, se está sendo seguido por um coiote ou, no seu caso, um jornalista. Uma amiga me contou que no tempo que em foram se conhecendo ele também era um homem dócil, ou pelo menos esquisito, como esse personagem que também é áspero e solitário como no filme La Grande Bellezza. Um homem esquisito; triste não, esquisito.

Ele fez com que uma série de jogadores que hoje já fazem parte da história (como ele) se divertissem jogando futebol; como eram baixinhos, dizia, tinha que baixar a bola no campo, ter muita paciência e oprimir o rival com a beleza (la grande bellezza) do tiki-taka. Invetou essa fórmula e não tirou a patente, a deixou a Guardiola e a Del Bosque, e especialmente a deixou como uma marca sua. Se alguém se detém apenas a sua forma de ser, áspera, desconfiada, não imaginaria nunca que, quando a seleção de Del Bosque chegou ao seu apogeu, em 2012, não diria que o veria nesse time. Não esperaria, porque ele mesmo fez, muitas vezes, pouco caso do que havia deixado, uma maneira rápida de ignorar o que faziam os outros para se trancar com seu único brinquedo: o segredo, a distância.

Sua aparência o ajudou a ser como era, ou vice-versa. Esse cabelo que parecia ter sido penteado por uma mão desastrada, esses olhos caídos atrás de uns óculos tortos que pareciam mal colocados, meio sujos, essa barba que raspava até nas fotos, essa roupa que parecia feita para ele por um amigo que não gostava dele de verdade, esses sapatões de homem que queria ficar no seu lugar, olhando desconfiado..., tudo isso conspirou para que Luis Aragonés se parecesse à poeira que levantava das galopadas de Gary Cooper em Matar ou Morrer, porque jamais teria a aparência elegante do herói amado por Pilar Miró.

Agora, como aquele Gary Cooper de Pilar, Aragonés está nos céus; mesmos céus aos que ele levou o futebol espanhol; Sua trajetória pelos clube e por esse grupo parecia desenhada ao contrário, como se ele fizesse gritando e bravo, mas em todos os lugares deixou a marca de uma sabedoria que se debatia entre a doçura secreta e recôndita de um caráter que ele não divulgava e o mal humor de ter que falar de futebol, quando o futebol se faz, não se fala.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

La imprecisión de 'Homeland'

Me gustan las series de televisión que me entretengan sin mucho esfuerzo. Cuando me tumbo en el sofá después de un largo día de trabajo, no estoy necesariamente dispuesto a tener que pensar demasiado. Me apetece reírme un rato o vibrar con un par de explosiones antes de irme a la cama. Pero tampoco me gusta que me tomen el pelo. Por eso me repatea el éxito de Homeland. Entiendo el enamoramiento por las tramas de espionaje y los dramas de los espías humanizados, imperfectos como nosotros. Están de moda los héroes mundanos y los villanos con crisis de conciencia. Los buenos ya no san tan buenos y los malos siempre tienen un motivo conmovedor para serlo. Todo para despertar en nosotros la simpatía esta que engancha. Demasiado Batman de Christopher Nolan para mi gusto. Pero mi problema con Homeland va mucho más allá de las obviedades y los agujeros en el guión. Me preocupa el contenido, una propaganda islamofóbica descarada y asustadora.


A mí me han vendido la serie como una producción compleja y llena de matices sobre las entrañas de la CIA y la política exterior de EE UU en el combate contra el terrorismo. Cuenta la historia de Nicholas Brody, un militar estadounidense capturado por Abu Nazir, líder de la Al Qaida. El marine es torturado durante su detención (tortura esta, “mala”, diferente de la tortura “buena” de La Noche Más Oscura) y, amparado por Abu Nazir se convierte al Islán y, consecuentemente, al terrorismo (ah, el síndrome de Estocolmo). Como la última parte es un secreto, los políticos de Washington abrazan a Brody como un “héroe” de guerra, le hacen político y postulante a la vicepresidencia de la candidatura republicana.

Mientras tanto, todos los personajes árabes y musulmanes, aunque occidentalizados, inteligentes y exitosos, están de alguna forma conectados a complejas redes internacionales del terror islamista. El mejor ejemplo es el de Roya Hammad, una reportera de televisión árabe, de inglés británico impecable y con el privilegio de tener entrada libre en el Congreso y en la sede de la CIA para entrevistar a quien quiera, como quiera y a la hora que quiera. Una especie de Christiane Amanpour del Oriente. Pues resulta que Hammad es también una leal teniente del mismo Abu Nazir. En un momento, ella revela al militar-terrorista-político-musulmán que lo es porque “sus familias están conectadas desde 1947, cuando se refugiaron juntos de Palestina”.

Si, el dicho líder musulmán fanático de Al Qaeda es palestino.

Homeland es una triste perpetuación de los estereotipos del árabe malo, terrorista, que odia al occidente y vive entre nosotros. La audiencia liberal ya no se siente segura y tranquilizada desde su sofá viendo a la CIA hacer todo lo necesario (tortura buena, ataques aéreos no autorizados, invasiones en territorio extranjero, etc) para el bien mayor de la “América”. Eso porqué el enemigo ya no está el en lejano oriente. Está en la casa al lado.

Estamos hablando de una obra de ficción, vale. Pero para vilipendiar la imagen de los árabes y musulmanes, sus guionistas no se cortan un pelo a la hora de traer personajes de la vida real y distorsionar la realidad para probar sus puntos. La segunda temporada comienza en Beirut, Líbano, con un supuesto encuentro entre líderes de Al Qaida y Hezbollah en pleno centro de la ciudad. Una vez más, todos los personajes están involucrados con el terrorismo y el centro de Beirut está sitiado y tomado de guerrilleros armados hasta los dientes.

Al Qaeda es un grupo sunita y Hezbollah, un grupo chiíta. No hace falta ser especialista en religiones u Oriente Medio para saber que sunitas y chiítas se llevan fatal. Basta con conocer un poco sobre la situación política de Irak o buscar en Google los nombres de las dos organizaciones para ver como ambos se ponen a parir. Pero aun así, supongamos que Al Qaeda y Hezbollah, por más improbable que pueda parecer, decidiesen poner sus (grandes) diferencias de lado. ¿Por qué el primer, un grupo de acción reconocidamente global, necesitaría al segundo, un grupo pequeño y de acción históricamente local, para atacar a EE UU en su propio suelo? ¿Los cohetes que Hezbollah tiene en el sur de Líbano y que mal logran alcanzar a Tel Aviv, de repente, ganaron el alcance necesario para llegar a Washington?

Aunque los dos grupos tuvieran intereses comunes, ¿por qué reunirse en la calle Hamra, una de las más abiertas y diversas de Beirut, llena de bares y tiendas de moda? La misma calle Hamra en la que he ido de borrachera con mis amigos muchos de los fines de semana de vacaciones. Aunque la reunión fuera en el barrio de Dahye, controlado por Hezbollah, ¿por qué un alto cargo de Al Qaeda se arriesgaría tanto y elegiría Líbano para hacer una reunión con Hezbollah en vez de un territorio neutral?

No me extraña que el Gobierno libanés haya planteado demandar a los productores de la série.

A mí me molesta que me tomen por tonto. Y me preocupa como críticos y formadores de opinión puedan abalar una serie llena de prejuicios e incorrecciones, celebrando el arte del engaño y ayudando a perpetrar tristes estereotipos contra árabes y musulmanes.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Green Bay Packers e o pesadelo de um fã do 49ers

O que seria do esporte sem uma boa rivalidade?

Fla x Flu, Corinthians x Palmeiras, River x Boca, Real x Barça, Borg x McEnroe, Celtics x Lakers, Frazier x Ali, Yankees x Red Sox...

A rivalidade inflama as torcidas, infla os noticiários e é a maior amiga da audiência. Mas quando o rival se torna uma espécie de algoz, ele vira um pesadelo na vida de qualquer torcedor apaixonado. É só perguntar pra qualquer vascaíno quando encara um flamenguista.

Uma rivalidade parecida a que existe entre o San Francisco 49ers e o Green Bay Packers, criada nos anos 90.

Packers e Niners são dois dos times mais tradicionais da NFL. Juntos, eles somam 20% dos títulos do Super Bowl (9 de 46). O time de Wisconsin é o terceiro no ranking de vitórias nos playoffs (30), seguido do time do norte da Califórnia, com 26. E muita dessa história dos dois times na fase decisiva da NFL foi compartilhada, com amplia vantagem para o Packers.

Entre 1996 e 2002, os times se enfrentaram 5 vezes nos Playoffs, com 4 vitórias do Packers. Vitórias essas que representaram o fim de uma dinastia de cinco Super Bowls vencidos pelo 49ers entre 1982 e 1995 e o começo de um jejum de títulos que já dura quase 20 anos. Por outro lado, o confronto marca o início de uma fase vitoriosa do Green Bay, que conquistou 1 Super Bowl comandado pelo quarterback Brett Favre. Memórias gloriosas de um lado, ressaca e dor de cabeça do outro.

O primeiro dos confrontos foi uma grande surpresa. O 49ers jogava em casa e era o atual campeão da NFL, com uma equipe estrelar e consagrada encabeçada por Steve Young e Jerry Rice. Mas foi o o azarão que levou a melhor graças a uma atuação de gala do jovem Favre, que teve apenas 7 passes incompletos na ocasião. No ano seguinte, o trauma aumentava. No gélido estádio do Packers, o histórico Lambeau Field, o jogo teve até o folclórico dono do 49ers, Eddie DeBartolo, caindo no tapa com torcedores do Green Bay. Foi uma lavada. 21 a 0 só no primeiro tempo. O que custou o cargo do técnico do San Francisco, George Seifert, mesmo com um histórico irretocável de 98 vitórias, apenas 30 derrotas e 2 Super Bowls. Em 1998, a mesma história. E mesmo conseguindo vencer em 1999, o 49ers caiu diante do Falcons na semana seguinte e seguiu o jejum de Super Bowls.

A marca da decadência do 49ers começou com a saída de DeBartolo, que em 2000 foi obrigado a vender o time para a sua irmã e seu cunhado, Denise e John York devido ao seu envolvimento num escândalo de corrupção com o governo de Louisiana. Sem 1/10 da paixão e envolvimento de DeBartolo, os York foram aos poucos abandonando a instituição e a casa caiu depois de mais uma derrota para o Packer, nos Playoffs de 2002. Foi o início de um período de 10 anos de mediocridade, sem ir aos playoffs.

O Packers seguiu vencendo com Brett Favre e soube substituí-lo com outro quarterback genial, o californiano Aaron Rodgers, responsável pela conquista do Super Bowl de 2010.

Rodgers é hoje um dos melhores QBs da liga. Coincidência ou não, ele nasceu na região de San Francisco e cresceu fã do 49ers. Foi destaque da University of California, em Berkeley, a meia hora do estádio do 49ers. E no dia do draft universitário, ele foi esnobado pelo 49ers, que escolheu Alex Smith em vez dele. Smith teve os primeiros 6 anos da carreira horríveis, virou tema de piada e motivo de ódio dos fãs de San Francisco, sentimento que piorava quando se via Rodgers brilhar com o verde e amarelo, as cores do Green Bay. E Rodgers nunca escondeu de ninguém a raiva e frustração de ter sido literalmente esnobado pelo seu time do coração.


Enquanto Rodgers brilhava, o 49ers vivia no ostracismo. Período que acabou no ano passado graças a uma mudança de filosofia esportiva e administrativa liderada pelo filho dos York, Jed. O jovem, que cresceu ao lado do tio acompanhando de perto sua paixão pelo vermelho e dourado, pediu para assumir a administração do time em 2008. Aconselhado por DeBartolo e pela família Craft, donos do New England Patriots, Jed passou a recrutar uma equipe técnica e executiva de alto nível e a tratar o 49ers como uma empresa.

Em San Francisco, o projeto de Jed York demorou 3 anos para dar frutos, mas o resultado é, no mínimo, promissor. Hoje o 49ers tem reconhecidamente uma das melhores equipes econômicas e de olheiros da NFL. Jed trouxe Paraag Marathe e Gideon Yu, gênios do mercado financeiro e tecnológico, formados em Harvard e Stanford, para cuidar da parte administrativa e deixou a parte esportiva nas mãos de Trent Baalke, pupilo do lendário Dick Haley. Haley foi o responsável por montar o time histórico do Pittsburg Steelers dos anos 70 e foi mentor de Baalke no New York Jets. E o grande trunfo de Baalke, além de recrutar uma das melhores defesas da NFL, foi contratar o treinador Jim Harbaugh.

O folclore em torno de Harbaugh, ex-quarterback do Indianapolis Colts e Chicago Bears e filho de um técnico veterano, vale um texto inteiro. Ele transformou Alex Smith em um bom quarterback, fez a defesa montada por Baalke a melhor da NFL e, baseado num conhecimento tático e técnico fora de série, levou o 49ers ao topo da NFL quase que instantaneamente.

Ano passado o 49ers voltou aos Playoffs e esteve a um passo do Super Bowl, perdendo a 'semifinal' na prorrogação num erro de um jovem jogador. Um ano depois, o time é praticamente o mesmo, com uma diferença que pode ser o triunfo ou a desgraça de Harbaugh na noite de hoje, o jovem quarterback Colin Kaepernick. Após uma lesão, Harbaugh subtituiu o veterano Alex Smith por Kaepernick, mesmo com o titular jogando em alto nível.

O motivo: Smith é um jogador conservador e limitado fisicamente, que prefere não correr riscos e jogar de forma mais conservadora. Com a defesa do 49ers, seu estilo de jogo é eficiente enquanto o time não esteja em grande desvantagem. Mas Harbaug, um ex-quarterback muito parecido a Smith, parece saber que na NFL hoje em dia, com quartebacks como Rodgers geniais comandando ataques espetaculares, mesmo tendo uma excelente defesa, um time precisa ter um ataque capaz de manter o mesmo nível.

E aí entra Kaepernick, um atleta na concepção da palavra, ex-arremessador de beisebol famoso por lançar bolas a mais de 100km/h. Kaepernick é o anti-Alex Smith. Seus passes lembram aos do próprio Brett Favre, famoso pela violência com que lançava seus petardos. Kaepernick deslocou dedos de 3 jogadores essa temporada, incluindo do veterano Randy Moss, um dos maiores receivers de todos os tempos. E, além disso, com uma envergadura que lembra Usain Bolt, tem a capacidade de colocar a bola em baixo do braço e correr como um raio. Ele assume mais riscos, é jovem e coloca o time em situações de maior risco que Smith. Mas, por outro lado, seu talento é capaz de jogadas que Smith nunca sonhou.

Kaepernick comandou o 49ers em vitórias marcantes contra o New Orleans Saints e New England Patriots, fora de casa. O Patriots não perdia em casa na segunda metade da temporada desde 2009. E, em um momento, Colin abriu uma liderança de 28 pontos. O 49ers terminou a temporada em 2º na Conferência Nacional, seguido do Packers, em 3º.

Kaepernick x Rodgers tem tudo para honrar a tradição do confronto que foi marcado por duas lendas como Brett Favre e Steve Young. E o 'desejo de vingança' de Rodgers só faz aumentar a expectativa para o jogo de hoje a noite. Se você é fã da NFL, esse é o tipo de confronto que se espera o ano todo. E se vc não acompanha a NFL mas é fã de esportes, Packers x 49ers é uma bela ocasião para começar a assistir.

Hoje, as 23h de Brasília, no estádio de Candlestick em San Francisco: Green Bay Packers x San Francisco 49ers.

NFL como a NFL deve ser! :)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Voltando a escrever em 2013


Esse blog existe há mais de 10 anos, quando eu ainda estava na faculdade de jornalismo. Mas ele tomou uma certa importância na época em que morava no Líbano e contava minhas histórias dentro de um cenário social e político conturbado. Graças a esse blog, eu comecei a trabalhar para a BBC e conheci muita gente bacana.

Mas quando eu deixei o Líbano para trás ele deixou de ser uma prioridade e ficou meio que esquecido. Pensei em retomá-lo um par de vezes, mas nunca reencontrei aquela faísca que acendia a vontade de escrever.

Minha vida mudou muito desde Beirute. Virei jornalista esportivo, comentarista do UFC e acabei voltando à Espanha, terra da minha mulher. Aqui, virei pai e comecei a estudar sobre vinhos. Me formei Sommelier e hoje, além de seguir estudando, tento criar oportunidades de negócio com vinhos entre Brasil e Espanha.

Mas nos últimos meses surgiu a vontade de voltar a escrever. De reativar o blog. Por isso mudei a cara do site, atualizei a descrição e, com esse post de ano novo, surge um novo blog. Um blog sem restrição de temas, mas que provavelmente estará focado em vinhos, gastronomia, esportes e a situação social e política espanhola. São as histórias da minha vida atualmente.

Seja você um familiar, um amigo, um leitor antigo ou um novo leitor, obrigado pela visita! Espero que lhe dê motivos para voltar mais vezes! :)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Reflexos da crise

Ja imaginou o Sergio Cabral,Geraldo Alckmin ou Aecio Neves esperando na fila de embarque direitinho e fazendo uma viagem Rio/SP de economica? Pois acabo de testemunhar o 'governador' da Galicia, um dos homens mais influentes do novo governo espanhol, Alberto Nuñez Feijoo, fazer tudo isso num voo entre Santiago e Madri. Esperando sua vez tranquilamente como um cidadao deve fazer. Nos 65 min de voo, observando-o sentado no corredor 9C da economica lendo sua pastinha da Xunta, eu tentava imaginar como deve ser uma viagem de Serginho Cabral pra Trancoso no jatinho do Eike Batista......

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Uma vida termina... Outra vida começa!



Estava pensando um dia desses. Não interessa quem você é ou o que você faz, você poderia destruir completamente sua vida em 45 minutos.

Acredite, você poderia!

Sabe quando você para pra refletir sobre como passou a vida toda ralando pra caramba, investindo o seu tempo e esforço para conquistar algo realmente importante pra você? Não interessa qual é esse objetivo. Você e praticamente todo mundo que você conhece passou anos e anos investindo tudo para alcançá-lo.

Algumas pessoas tentam realizar projetos ousados. Outras acumular fortunas. Algumas se casam com a pessoa perfeita para eles e se esforçam ao máximo para que a relação funcione. Algumas têm filhos, outras são obcecadas com êxito profissional... Não interessa qual seja seu objetivo ou estilo de vida. Não interessa o que você tenha conquistado através dos anos. Não importa o que você tenha construído. O meu argumento aqui é que você poderia destruir tudo isso em míseros 45 minutos.

Não com violência ou algo parecido. Não, não. Apenas com palavras.

Apenas 3 ou 4 frases bem ditas na hora certa para as pessoas certas. E ‘game over’!

Você pode chegar ao trabalho, mandar seu chefe à merda, falar pra ele que todo mundo ri daquele implante na careca mal feito e que você comeu a filha dele, na cama dele, enquanto ele passava aquelas férias jogando golfe no Caribe.

E pronto, acabou sua carreira.

Não importa o quão talentoso você seja. Não interessa se você é o empregado do mês. Você fala isso pro seu chefe... e acabou!

Daí você chega em casa e fala pra sua esposa que ela é uma gorda horrorosa e que você comeu a filha do chefe, na cama de vocês, enquanto ela estava passando o fim de semana na casa dos pais. E começa a rir na cara dela com tom de deboche.

Taí... seu casamento acabou.

Vocês podem ir a terapia de casal, tentar dar um tempo, não importa. Você fala isso pra sua mulher... e acabou!

Não dá pra voltar atrás... Mas será mesmo que tudo acabou?

O que me fascina não é como você poderia destruir a sua vida em 45 minutos. E sim a importância que você dá àquilo que ‘você lutou toda a vida para conquistar’. Me fascina essa vida que levamos. Essa existência e como as pessoas estão sempre buscando essas metas e objetivos e se seguram e se prendem a elas com unhas e dentes como se, perdendo-se, seriam impossíveis de serem reconquistadas.

Por que pensamos que essas vidas que construímos é tão única, especial e irrepetível?

Elas muito provavelmente não são!

Você realmente acha que, se sua vida fosse arruinada, sem trabalho, sem esposa, sem dinheiro, sem qualquer coisa, você não poderia recomeçar do zero?

Claro que você conseguiria começar de novo!

Você acha que não existiram pessoas que já fizeram isso por acidente? Falaram a coisa errada, na hora errada, pra pessoa erra e tiveram que lidar com isso?

Você se lembra do antigo seriado do Hulk?

Então… se lembra como Bruce Banner (ou sei lá qual era o nome dele na série) sempre acabava se transformando em Hulk, fazendo um estrago danado e era obrigado a seguir a estrada no fim de cada episódio? Ele chegava numa cidadezinha nova, conseguia um empreguinho de garçom e, antes do primeiro comercial, ele já estava pegando uma típica garçonete divorciada de meia idade gatinha. E aí o cara ficava nervoso por qualquer motivo, se transformava num gigante verde de novo e aquela vidinha que parecia estar indo bem antes da propaganda de Omo ia pro espaço mais uma vez.

Pode parecer piada, mas é a mais pura verdade! Se o Hulk conseguia superar a decepção e começar uma nova vida a cada capítulo, claro que você conseguiria também!

Uma vida termina... Outra vida começa... E, na boa, quem te disse que a sua nova vida não pode ser 50 vezes melhor do que a anterior?

Talvez sim... Talvez não... Só há uma forma de descobrir… ;)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O Esquilo Voador

Não é apenas no futebol que vemos ousadia da molecada na hora de usar novos dribles e movimentos de pura técnica e criatividade.

Ontem durante o Mundial Junior de Luta Greco-Romana que está sendo realizando em Bucareste, vimos um momento de pura genialidade.

Adiante o vídeo abaixo a 3:01 e veja o jovem Ellis Coleman, atleta da equipe americana, nos mostrando uma nova técnica de quedas que ele mesmo batizou de 'Esquilo Voador'.

Simplesmente INCRÍVEL!!!!!! :)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Adios Kun




Sou botafoguense, mas depois de mais de 6 anos de idas e vindas a Espanha, dois deles vivendo aqui em Madri, criei enorme carinho pelo Atlético de Madrid.

Além da torcida fiel e apaixonada e do clima família no estádio, coisa rara na Europa, outro motivo que me levou a criar tanto afeto pelo Atlético foi a chegada de um garoto argentino de 18 anos chamado Sérgio 'Kun' Agüero!

'Chegamos' praticamente juntos aos Vicente Calderón. Quando eu era 'apresentado' ao 'Atleti' ele foi comprado do Independiente de Avellaneda.

Na época meu sogro sempre me levava aos jogos do Real Madrid e tentava me converter em Merengue, mas alguma coisa não encaixava, não me sentia identificado, não me sentia em casa no Santiago Bernabeu! Era pompa demais, títulos demais, pose demais, alegria demais. Não tinha nada a ver com minha personalidade sofredora e apaixonada de botafoguense!

Daí quando quando fui apresentado àquele clube proletário do sul da capital, com um uniforme listrado e torcedores fanáticos, encontrei meu lugar!

E dentro de campo tinha Kun Agüero, aquele moleque de 18 anos que lembrava Romário pelas características físicas, arrancadas e faro de gol!

Hoje posso dizer com orgulho que vi na arquibancada sua estreia e, infelizmente, seu último jogo pelo Atlético de Madrid.

Hoje os jornais espanhóis estampam a notícia de que ele pediu formalmente para ser vendido por motivos "esportivos", ou seja, quer jogar num time com estrelas que estejam a sua altura.

Bate uma enorme tristeza, mas não o culpo por querer partir! Assim como, depois de ver da arquibancada o último jogo de Fernando Torres como colchonero, não o culpei por querer voar mais alto.

O Atlético caiu numa mediocridade inaceitável nas mãos de dirigentes incompetentes e corruptos, que nada sabem de planejamento e futebol! Um jogador como Kun Agüero, que tem potencial para ser o melhor atacante do mundo (se já não o é), não pode estar fora da Champions League. Um jogador como ele não pode ter Diego Costa (Diego QUEM?!) de companheiro de ataque. Ele merece jogar ao lado de craques como ele!

Me dá muita pena ver o Atlético brigando por postos intermediários da tabela, quando deveria estar na cabeça, como sempre esteve, lutando de igual para igual com Real Madrid e Barcelona. Mas é um reflexo da incompetência e descaso da atual diretoria.

O título da Copa da UEFA no ano passado nada teve a ver com a diretoria. Foi uma daquelas obras do acaso, onde o Espírito Santo encontra Ogum e Maomé numa encruzilhada e todas as energias do cosmo são direcionadas a um lugar aleatório e fazem com que tudo dê certo inexplicavelmente.

O "planejamento" do clube para a temporada com um medíocre Abel de treinador levou o time à zona de rebaixamento. Quando Quique chegou as pressas, no meio do campeonato, o time montado por essa direção patética estava aos cacos e, graças ao poder motivacional do treinador, os jogadores reagiram e conquistaram num momento de catarze uma improvável e inacreditável Copa da UEFA.

E agora, um ano depois, o que a diretoria faz? Demite o treinador responsável pela conquista, vende um dos melhores atacantes do mundo e está prestes a vender um dos melhores e mais promissores goleiros da Europa.

É por essas e outras que torço de verdade para que Agüero tenha sorte e caia num time que o mereça! Num time que tenha força e cacife para disputar o título da Champions League. E por ser fã dele vivendo em na capital espanhola, me arrisco a dizer que gostaria que ele ficasse por aqui e formasse o melhor ataque do mundo ao lado de Cristiano Ronaldo.

E eu aqui do meu canto sonho, ingênuo que sou, que a diretoria gaste direito o dinheiro da venda trazendo outra jovem promessa como ele, que possa dar tantas alegrias aos torcedores colchoneros como o Kun nos trouxe nos últimos 5 anos!

Obrigado por tudo, Kun! Toda a sorte do mundo!

sexta-feira, 18 de março de 2011

'E essa marra que tu tira, Jon Jones?! Qual é?!'

Foi em janeiro de 2009 que eu ouvi falar pela primeira vez de Jon Jones. Foi quando fazia a minha pesquisa de rotina para comentar o UFC 94, com a revanche entre GSP e BJ Penn como luta principal.

Meu ritual de preparação para as transmissões do UFC consiste em estudo das lutas anteriores, do passado dos lutadores e como foi a preparação específica para a próxima luta. Quando falamos de atletas brasileiros, além de ver as lutas sempre rola aquele telefonema para treinadores, atletas da mesma equipe e pessoas próximas para saber como vão os treinos, além de muitas vezes ir à própria academia para ver de perto e sentir e clima. Com os estrangeiros, se são veteranos conhecidos como GSP e BJ, o trabalho também é mais fácil porque você já viu a maioria das lutas, conhece mais sobre a história de cada um e sua preparação tem amplia divulgação na imprensa.

O mais difícil é quando você se vê diante de um estrangeiro jovem e desconhecido. Muitas vezes você não encontra suas lutas, informações sobre sua vida, com quem treina, etc e tal. Ou seja, um pesadelo para um maníaco compulsivo como eu, que se não tem tudo preparado perfeitamente na antevéspera começa a suar frio.

E foi exatamente o que aconteceu com Jon Jones naquela ocasião. Ele ia lutar contra Stephen Bonnar e eu não conseguia encontrar absolutamente nada além do fato dele ter aceitado lutar contra André Gusmão com apenas três semanas de antecedência e ter dominado o brasileiro com um estilo de jogo muito solto, explosivo e diferente. Relendo minhas observações hoje, vejo que tinha anotado: “Treina MMA há apenas 1 ano e 2 meses”; “Todas as (7 primeiras) lutas foram em 2008”; “Muito rápido, criativo e boas quedas. Mas muito cru!”; “Academia: Team BombSquad (???)”. Muito pouco para fazer uma boa transmissão.

Foi quando eu resolvi ligar para um colega jornalista americano que estava em Las Vegas para cobrir as lutas. E a primeira coisa que o sujeito falou chamou muito minha atenção: Jon Jones, esse moleque de 21 anos, tinha pedido para a organização do UFC para não ficar no hotel oficial do evento para evitar a badalação. Que era um garoto muito humilde e talentoso, que vinha de uma família de atletas (dois de seus irmãos jogam futebol americano).

E naquela noite os fãs de luta foram apresentados a um dos maiores talentos que surgiu nos últimos anos, com um show de golpes giratórios, quedas fantásticas e uma criatividade fascinante que beirava o irresponsável, tamanha a liberdade e soltura juvenil mostrada no octagon. Lembro que eu e meu amigo e colega de transmissão, Carlão Barreto, ficamos alucinados com aquele moleque.

E desde então é show atrás de show. Ele deixou o pequeno time perto de casa, na região de Nova York, e foi recrutado pelo badalado técnico das ‘estrelas’ Greg Jackson. Cresceu como atleta, deixou de ser cru mas não deixou de ser criativo, vencendo atletas duros como Brandon Vera, Ryan Bader e Vladimir Matyushenko com enorme facilidade. Mas, acima de tudo, não deixou de ser humilde e boa praça!

Conheci Jon Jones pessoalmente há seis semanas em Las Vegas e a impressão que era passada pelas entrevistas e por outras pessoas apenas se confirmou. O Jon Jones que conheci é uma figura encantadora. Simpático, carismático, divertido, super acessível e humilde. “Parece da galera”, como bem definiu um colega jornalista lá nos bastidores do UFC 126.

Por isso é tão esquisito acompanhar aqui de longe essa mudança de postura radical do americano nos dias que antecedem sua luta contra Mauricio Shogun.

Beira o desrespeito as declarações no ‘Countdown’ dizendo que já está assinando autógrafos como “Jon Jones Campeão” e que é algo que ele já vê natural. Falando em terceira pessoa como os piores exemplos de boleiros e soltando ‘pérolas’ como “chegou o momento da ascensão de Jon Jones ao estrelato”.

Como fã de MMA, eu vejo tudo isso com uma certa tristeza, porque são raras as vezes que vemos um atleta jovem e brilhante ter uma atitude humilde e madura diante da fama. E por mais de dois anos Jon Jones criou essa expectativa em muita gente, criou uma legião de fãs e admiradores não só de seu talento dentro do octagon como de sua postura, personalidade e carisma fora dele. Será que alguém pode mudar tanto assim em apenas seis semanas? Será uma estratégia de marketing para promover a luta? Será um sinal da imaturidade e inexperiência? Um sinal de excesso de confiança pelo ‘oba-oba’ criado pela imprensa americana? Ou de medo e insegurança?

Seja o motivo que for, o ‘estrago’ já está feito. Jon Jones foi vaiado por fãs durante a coletiva de imprensa da última quarta-feira e pelos blogs e twitters se espalha como um vírus o sentimento de rejeição a esse ‘novo’ Jon Jones e sua postura arrogante.

Como brasileiro e fã incondicional de Shogun, eu não precisava de motivos para torcer por meu conterrâneo curitibano. Mas sabe quando você não quer apenas que seu lutador favorito ganhe, mas que o ‘marrento’ perca feio? Pois é... Estou vendo esse sentimento surgir, ainda que um pouco tímido e melancólico, querendo acreditar que aquele cara gente boa ainda existe ali em algum lugar.

Fica essa esperança de que, independente do resultado de sábado, ganhando ou perdendo, Jon Jones reveja os seus valores e prioridades, repense no caminho que quer tomar na sua carreira, e volte a ser aquele garoto simpático, humilde e amável. De preferência, com uma derrota, para que aprenda a respeitar aqueles que vieram antes dele e pavimentaram com sangue, suor e lágrimas durante anos essa estrada onde agora ele pode dirigir um carrão! Ele tem uma brilhante carreira pela frente e deveria se espelhar em outros jovens campeões que tem atitudes exemplares, como José Aldo e Cain Velasquez. O caminho da arte marcial é baseado no respeito e num esporte tão surpreendente imprevisível como o MMA, se você não aprender isso na academia, alguém um dia pode te ensinar de forma muito mais dolorosa dentro da arena octogonal.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

'PREACHER': Não é pra qualquer um!



Um padre texano possuído por um entidade malígna se alia a um vampiro inglês alcólatra numa aventura em busca de Deus, que teria abandonado o céu e sua criação e estaria vivendo no bem-bom aqui na Terra.

Quando eu achava que, depois de Bukowski, Kubrick, Tarantino, Nelson Rodrigues, Scorsese e Stephen King, já tinha visto e lido todo tipo de loucura, perversão e imoralidade, eis que me surge Garth Ennis com "Preacher.

Violência, blasfêmia e um genial humor negro ultra politicamente incorreto fazem de "Preacher" umas das histórias mais insanas, surreais e brilhantes que eu já conheci.

Se vc tem estômago, senso de humor e não se ofende com certa facilidade, recomendo a leitura dessa obra prima e clássico das novelas gráficas. FANTÁSTICO!!!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ouça o 1º podcast de MMA do Brasil



Estreou essa semana o meu mais novo projeto, o primeiro programa semanal de rádio sobre MMA.

Você pode ouvir no site do Portal do Vale-Tudo ou então baixar o arquivo direto em mp3 (clique no link ao lado com o botão direito do mouse e escolha "salvar link como".

Não deixe de conferir!!!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"The Passage": meu verão europeu ao lado de vampiros e sobreviventes do apocalipse



Desde moleque sempre tive enorme curiosidade por vampiros, mas nunca no estilo bonzinhos e bonitinhos. Nunca me interessei e sempre passei longe qualquer livro, série ou filme de vampiros adolescentes com excessão, é claro, de "A Hora do Espanto" ("Fright Night") e "Os Garotos Perdidos" (The Lost Boys), dois clááááássicos dos anos 80.

Eu sempre gostei de histórias de terror e suspense com vampiros. A última boa história do gênero li no começo do ano: "Noturno", de Guillermo del Toro e Chuck Hogan. Achei divertidíssimo e aterrorizante!

E no começo de junho li uma matéria no New York Times que me deixou curiosíssimo sobre um lançamento de um professor de literatura inglesa da Rice University chamado Justin Cronin que prometia ser um épico vampirístico numa América pós-apocalíptica. O livro se chama "The Passage".

Me chamou a atenção como Cronin começou a escrever esse livro. Sua filha de 8 anos disse para ele um dia que seus livros anteriores (romances) era chatos. Então ele perguntou para ela "Sobre o que vc quer que eu escreva?" e ela respondeu "Um livro sobre uma garotinha que salva o mundo... e que tenha vampiros!"

Quando li que os vampiros seriam criaturas asquerosas e selvagens vítimas de um vírus que estaria varrendo todo tipo de ser vivo da face da Terra, parei de ler a matéria e não li nada mais sobre ele para não acabar com a surpresa.

Tenho feito isso ultimamente com qualquer evento cultural (livro, cinema ou teatro) que me interessa, porque as reportagens, críticas e trailers acabam contando toda a história. Engraçado, pq o que eu vou escrever daqui pra frente é aproximadamente esse tipo de crítica. :)

Enfim, esperei algumas semanas para que o livro chegasse por essas bandas e comprei esse surpreendente tijolo de quase OITOCENTAS páginas!!!

Voltei à casa com esse paralelepípedo embaixo do braço pensando se realmente valeria a pena, mas hoje em dia qualquer livro de vampiros que não seja para meninas na puberdade parece valer a pena.

E, sem exageiro, vivi a experiência literária mais intensa da minha vida nas primeiras 300 páginas de "The Passage"!

As 300 primeiras páginas parecem 30, passam voando e com uma tensão e ritmo alucinantes. Me peguei um dia totalmente surpreso por ter passado quase 5 horas seguidas sentado no sofá sem tirar os olhos do livro. Passei dias na praia sem colocar o pé na água por querer saber o que viria na próxima página.

Pois é... mas o livro tem 780 e poucas páginas... e as outras 480 e poucas páginas, apesar de serem muito boas, não conseguem manter o ritmo inicial. Isso porque "The Passage" não é apenas um livro, são dois livros em um só. E são a primeira parte de uma triologia, que hoje descobri já estar vendida para Ridley Scott tranformar em filme.

Apesar da sensação de que "The Passage" foi feito para o cinema e que é um livro longo (que as vezes parece ainda mais longo do que é), a sublime narrativa ultra-detalhista e a história inicial conseguem manter o interesse do leitor até o fim.

"Antes dela ser A Menina de Nenhum Lugar - A Que Veio, A Primeira e A Última e A Única, que viveu mil anos - ela era apenas uma pequena criança chamada Amy".

O livro abre assim e conta a história de Amy Harper Bellafonte, a filha de uma prostituta que, com seis anos, acaba abandonada num convento. Enquanto isso, um agente do FBI chamado Brad Wolgast está numa missão de "recrutar" detentos no corredor da morte para serem usados em um projeto militar que envolve testes com um vírus secreto.

É de se tirar o chapéu para a capacidade descritiva de Cronin, principalmente com as personalidades dos envolvidos na história. Você se sente totalmente dentro da história e passa a sentir realmente angústias pelo destino de personagens como um dos detentos, Antony Carter, por saber absolutamente tudo sobre seu passado e seu drama pessoal. Isso sem falar do agente Wolgast e da freira Lacey e a entrega deles à Amy... Amy, o pilar de toda a história e o coração de todo o livro. Mas estamos falando das primeiras 300 páginas, antes do mundo acabar.

Porque depois que o mundo acaba e começa a história meio Mad Max, num mundo pós-apocalíptico onde temos que começar de novo a conhecer novos personagens tão complexos como os da primeira parte da história e que vivem numa colônia de sobreviventes, quase não sobra fôlego depois da intensidade e clímax deixado pela primeira história.

A descrição dos personagens e de suas vidas, problemas e sentimentos se tornam repetitivos e muitas vezes cansativos, mostrando-se claramente que serão usados apenas para criar um certo clima de tensão e ansiedade que acaba não surgindo até que as duas histórias se encontram em uma reviravolta que, mesmo sendo tardia, vale a espera.

Se você é fã de suspense e tem preparo físico de maratonista, "The Passage" é uma história diferente de vampiros que, apesar de longa, é criativa, emocionante e muito bem escrita.

Mas não te culparia por decidir esperar pela versão cinematográfica de Ridley Scott.

Eu recomendo por Amy, "A Menina de Lugar Nenhum"... Há muito não era apresentado a um personagem tão apaixonante!!!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Líbano trava guerra gastronômica contra Israel por origem de pratos típicos

Beirute, 10 nov (EFE).- O Líbano vem travando uma verdadeira guerra gastronômica contra Israel, em defesa de pratos típicos como o falafel e o hummus, cuja origem os libaneses querem recuperar com medidas legais para que ninguém se aproprie dela.

"Outros países estão registrando como seus pratos tipicamente libaneses, já que nós não pudemos fazê-lo pelo elevado custo do direito à propriedade intelectual", assegurou à Agência Efe o chefe do Departamento de Agricultura da Câmara de Comércio e Indústria de Beirute, Rabih Sabra.

Sabra atribuiu esta situação ao fato de que as empresas alimentícias do Líbano serem "pequenas e médias e não terem capacidade de registrar seus produtos", afirmando que seu país deve "pagar pelo direito, embora isso gere um custo anual muito alto".

Desde 1950, vários países como Grécia, Turquia e Israel registraram diversas comidas libanesas com suas. Os israelenses chegaram até a entrar recentemente com elas no livro Guinness dos Recordes.

No entanto, este ano, o Líbano desbancou Israel no ranking, preparando os maiores pratos de tabule (salada de trigo cozido) e de hummus (pasta de grão-de-bico com óleo de sésamo) do mundo.

"Trata-se de uma vitória moral destinada a mostrar à opinião pública mundial que esses são pratos libaneses", acrescentou Sabra, que insistiu na necessidade de se proteger o patrimônio culinário nacional.

Segundo sua opinião, "o Governo deve empreender uma ação rápida, com advogados e especialistas, para pôr fim a essa usurpação e poder recuperar as marcas libanesas e protegê-las".

Entre as comidas supostamente roubadas por diferentes países da bacia mediterrânea Sabra citou o falafel, o tabule e o hummus.

Estas disputas alcançaram seu ponto mais polêmico quando um apresentador de televisão francês disse no ano passado que o falafel vinha de Israel. A informação teve que ser corrigida diante de protestos na internet promovidos por uma jovem libanesa.

Além disso, no dia 5 de novembro, a Associação das Indústrias libanesas acusou Israel de piratear o patrimônio culinário nacional depois que uma empresa israelense ganhou um prêmio em uma feira em New Jersey (EUA), com o falafel.

"O falafel, o hummus, o tabule, o babaganuch são comidas de origem libanesa ou oriental", disse, em comunicado, a associação, que acrescentou que "em nenhum dicionário culinário do mundo esses alimentos são considerados israelenses".

A associação solicitou a colaboração dos países da região para pôr fim à atuação israelense, que, em sua opinião, obtém grandes lucros sem ter desempenhado nenhum papel no surgimento destes pratos.

Uma dos pontos que mais indigna os libaneses é o fato de Israel ter nomeado a fábrica onde faz produtos libaneses de "Cedros", árvore que é emblema nacional do Líbano.

Sabra expressou sua esperança de que a União Europeia (UE) apoie as exigências libanesas, após o acordo de associação com o Líbano, além de esperar o respaldo dos países que integram a Associação Europeia de Livre-Comércio.

"Calcula-se que (os lucros com) a venda do hummus no mundo cheguem a bilhões de dólares, o que equivale a perdas similares para o Líbano", acrescentou Sabra, que qualificou a situação de "inconcebível".

Por isso, insistiu em que "vale a pena pagar para proteger as marcas libanesas, já que a receita compensará o custo empregado para o fim". EFE

domingo, 1 de novembro de 2009

Assista o MTV Debate com Demian Maia e Kallás


Assista aqui, na íntegra, o MTV Debate em que o atleta peso médio do UFC e jornalista, Demian Maia, e eu, defendemos o MMA.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Crise deixará 2.706.000 desempregados a mais na Espanha até o fim de 2010

Paris, 16 set (EFE).- O número de desempregados na Espanha desde o começo da crise terá aumentado em 2.706.000 pessoas no final de 2010, segundo os cálculos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O número aparece no relatório anual sobre "Perspectivas do Emprego" publicado hoje, no qual a OCDE reitera sua previsão que a percentagem de desemprego continuará subindo na Espanha passará de 18,1% da população ativa em junho passado para 19,8% (com 4,47 milhões) quando termine o ano que vem.

Isso significa que o nível de desemprego no fim de 2010 não só seguirá sendo o mais alto dos 30 países-membros da organização, mas será o dobro da média, que se situará em 9,9%, contra 8,3% em junho deste ano.

Só Irlanda se aproximará ao percentual espanhol, com 15,1% da população ativa, quando antes da crise era de 4,5% nesse país.

Em termos absolutos, o aumento do número de desempregados na Espanha só se superará nos Estados Unidos, com 8.698.000 desempregados até o fim de 2010.

Atrás da Espanha virão Alemanha (1,83 milhões e um 11,8%), Reino Unido (1,388 milhões e 9,8%), Japão (1,239 milhões e 5,8%), Itália (1,124 milhões e 10,5 %) e França (1,019 milhões e 11,3%).

No conjunto da zona OCDE, desde o mínimo de 2007, quando o desemprego era de 5,6% - o nível mais baixo em 25 anos -, o número de desempregados tinha aumentado em quase 15 milhões de pessoas até junho passado e serão 25,487 milhões até fins de 2010.

Isso significará que nesse momento haverá no que se conhece como o "Clube dos países desenvolvidos" 57 milhões de desempregados, um recorde desde a Segunda Guerra Mundial. EFE

sábado, 29 de agosto de 2009

Páááá!!!

Divirta-se com essa edição dos nossos erros de gravação no Premiere Combate.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ladrão corajoso

Saiu na coluna do Ancelmo hoje:

Enviado por Aydano André Motta - 30.7.2009| 15h11m

Quinta passada, um grupo de lutadores, técnicos e jornalistas especializados em artes marciais fazia seu encontro mensal no Galeria Gourmet da Barra. Eram uns 10 fortões. A conversa corria animada quando de repente... a bolsa de um deles havia desaparecido.

Cata daqui, procura dali, e nada. O gerente do restaurante, todo constrangido, ainda veio lamentar que nem com a dezena de câmeras espalhadas pelo lugar era possível identificar o larápio que encarou o risco de ser flagrado e apanhar um bocado.

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