Libano e Siria
Por Charley Reese*
Tinhamos acabado de terminar nosso jantar. Carneiro, arroz e tabule. Nosso anfitriao e fluente em varias linguas estava falando sobre Oriente Medio. Ele eh Curdo e Sirio.
"E um general Frances colocou seus pehs na cova de Saladin e disse 'Saladin, nohs voltamos'"
Ele joga essa frase e seu rosto comeca a ficar vermelho, seguindo de soco na mesa que faz ateh os pratos pularem. Sua esposa parece um pouco envergonhada com a situacao criada com esse subito ataque de emocao. O incidente que o fez ficar tao furioso soh de lembrar-lo aconteceu muito antes dele nascer.
Ele estava falando da grande traicao que ocorreu no fim da 1a. Guerra Mundial. Os Arabes contavam com a promessa de um paihs independente se lutassem contra os Turcos e a dominacao do Imperio Otomano.
Era uma grande mentira!
Pelas costas dos Arabes os Ingleses e Franceses negociaram um acordo secreto para dividir o Oriente Medio entre os dois paises. Franca ficou com a Siria e, cortando a parte oeste das montanhas ateh o Mediterraneo, criou o Libano. Assim como os Britanicos criaram a Jordania separando a Palestina a leste do Rio Jordao.
Saladin era um Curdo nascido em Tikrit, onde Saddan Hussei nasceu. Saladin foi quem lutou contra os Cruzados e expulsou-os de Jerusalem.
O motivo de estar dizendo isso tudo eh para mostrar que nada no Oriente Medio eh tao simples como nosso presidente e sua gangue neoconservativa pensam. Para muitos Sirios , o Libano ainda eh uma parte da Siria, assim como muitos Libaneses tbm o pensam. E nao eh supresa nenhuma ver a Franca se juntando aos EUA para pedir a saida da Siria do Libano. Franca tbm nao eh assim tao popular tanto na Siria quanto no Libano. E o presidente Siro nao estah retirando suas tropas do paihs, como a midia internacional estah reportando. Ele estah apenas movendo-as e coloncando-as ao longo da fronteira - e do lado Libanes.
A situacao nao eh, como Bush insiste em dizer, uma ocupacao extrangeira que tira a soberania de um paihs contra sua vontade. Eh mais parecida com o caso daquele parente que foi convidado para sua casa e acabou ficando um pouco mais do que o anfitriao esperava. A verdadeira ocupacao extrangeira eh a Americana no Iraque e a Israelense nas Colinas de Golan e Wes Bank.
Mas mesmo se a Siria resolver tirar suas tropas do Libano, nao serah o fim da influencia Siria no paihs. Ha os Druzos, os Maronitas, os Ortodoxos, os Sunitas, os Xiitas e os Refugiados Palestinos. Eles estiveram em uma sangrenta guerra civil e foram os Sirios que, quando chamados, termiram com os conflitos.
Se o nosso presidente nao estivesse tao bebado de imperialismo e tao sucetivel a aceitar as beisteiras que os Israelenses sussurram em seu ouvido, ele iria nos tirar imediatamente do Oriente Medio e deixar terrorismo por conta da CIA e das Forcas de Operacoes Especiais. Como meu amigo ilustrou, o povo daquela parte do mundo tem uma memoria muito diferente da nossa aqui no ocidente. Para nohs, o passado eh mais como uma historia que lemos nos livros. Mas para eles, eh uma coisa que faz do presente. E eles tambem veem o tempo de uma forma diferente da gente. Quarenta... cinquenta... Nunca eh tarde demais para eles buscaram vinganca. Se nosso presidente continuar se intromentendo naquela parte do mundo, ele vai terminar em mais guerras do que podera aguentar.
A atual administracao insiste em ir a midia e dizer com orgulho que a democracia finalmente esta chegando ao Oriente Medio. O povo do Oriente Medio jah vem tendo eleicoes ha varias decadas. Bush esqueceu, convenientemente, que Yasser Arafat foi eleito em eleicoes livres. O problema eh que os resultados das eleicoes nao duram muito... E nao ha razao alguma que leve a crer que no Iraque serah diferente.
O Oriente Medio eh cheio de ruinas deixadas pelas superpotencias do passado. E como um amigo Palestino costuma dizer, apontando para aquelas ruinas: "Eles todos jah se foram. Nohs continuamos aqui!"
(*Charley Reese eh jornalista ha 49 anos, foi editor do Orlando Sentinel de 1971 a 2001 e hoje escreve regularmente seus artigos em varios jornais e sites da internet. Este artigo foi escrito em 14 de marco de 2005 para o site LewRockwell.com e traduzido para portugues por Fernando Kallas)
quarta-feira, 16 de março de 2005
terça-feira, 15 de março de 2005
Intervencao internacional e instabilidade
Com a saida das tropas Sirias em curso, muitos lideres internacionais e membros do Conselho de Seguranca da ONU comecam a levantar a hipotese de um envio de uma tropa de pacificacao internacional para ocupar um possivel vacuo de seguranca e estabilidade que poderia ser provocado com a saida das ausencia das forcas sirias no paihs.
Muito porque durante anos o governo libanes manteve a justificativa de que o exercito Sirio soh continuava no paihs pq era responsavel direto pelo mantenimento da paz e estabilidade no Libano, um paihs de quase 200 anos de historia de fortes conflitos entre as diferentes etnias e credos que vivem aqui na regiao.
Mas quando se fala em "substituir" a Siria pela ONU, muitas vozes se levantam em negativa, lembrando que intervencoes internacionais no Libano nao tem um passado muito promissor, indo da tragica Forca Multi-Nacional (MNF) em 1983, que acabou sendo expulsa de Beirute pela sucessao de homens bombas, ateh a impotente UNIFIL, na fronteira entre Libano e Israel.
Um de meus professores, o turco Timur Goksel, um dos responsaveis pelas pelas forcas de pacificacao da ONU no sul do Libano de 1979 a 2003, diz claramente que uma intervencao internacional agora, apohs a saida da Siria, seria catastrofica. "Nao consigo ver a ONU substituindo a presenca Siria no Libano. Seria um suicidio!" Goksel diz. "A situacao hoje eh de politica interna e nao um trabalho para pacificadores. E quando se envolve com as politicas locais de um paihs que nao o seu, vc se torna uma parte do problema e nao da solucao!" complementa.
Um oficial da ONU aqui em Beirute disse que as conversas sobre uma forca de pacificacao no Conselho de Seguranca aconteceram nos primeiros estagios e que nao ha nada de concreto planejado. O Secretario de Relacoes Exteriores da Inglaterra, Jack Straw, sugeriu no comeco deste mes que 2 mil homens da UNIFIL fossem redirecionados do sul do paihs para as regioes de onde a Siria estah se retirando. Mas agora, com as tropas realmente saindo, o governo libanes diz nem considerar a ideia de pedir uma forca de estabilizacao.
O Hezbollah tambem rejeita de qualquer maneira uma intervencao extrangeira no paihs, dizendo que nao avera nenhum problema de seguranca e que a Siria "ajudou a trazer paz para o paihs".
A historia mostra que o Libano nunca foi um porto seguro para forcas de pacificacao internacional. Em 1958, durante a primeira guerra civil, uma tropa de Marines americanos foram mandado para apoiar o presidente Chamoun. Quando o pelotao chegou a costa libanesa, o embaixador americano mandou um relatorio convencido que nao seria necessaria a intervencao americana e que o exercito libanes seria mais do que capaz de controlar a situacao. O relatorio foi ignorado e quando os Marines desembarcaram nas praias libanesas fortemente armados se viram frente a frente com o milhares de pessoas de calcoes e biquinis, curtindo o verao na maior tranquilidade.
Os mesmos Marines voltaram a Beirute em 1982, mas desta vez nao tiveram a mesma sorte. Vieram como parte da forca de coalizao entre quatro paises para acompanhar a evacuacao das guerrilhas Palestinas de Beirute, apos Israel invadir o Libano. Primeiro foram bem recebidos pelos libaneses, mas atitudes mudaram quando a Marinha Americana, atracada na costa de Beirute, comecou a atacar milicias que se opunham ao presidente Amin Gemaiel. Com isso os americanos se tornaram apenas mais uma das partes envolvidas nessa grande bagunca que foi a guerra no anos 80. Na manha de 23 de outubro de 1983, um homem bomba jougou um caminhao cheio de explosivos contra as bases dos Marines ao lado do aeroporto de Beirute, matando 241 soldados. O ataque foi simultaneo ao contra os paraquedistas franceses, que matou 58 soldados. A forca de coalizao deixou o Libano 4 meses depois.
E entao existe a UNIFIL, as forcas de pacificacao da ONU que estao no sul do Libano desde Marco de 1978, alguns dias apos a invasao Israelense. Primeiro UNIFIL era responsavel apenas por observar a saida das forcas Israelenses. Mas como os israelenses nunca sairam, a UNIFIL se viu no meio de um campo de batalha entre guerrilhas palestinas, ao norte, e exercito Israelense com milicias cristas aliadas, ao sul, tendo que controlar toda essa bagunca que depois contou ainda com a entrada do Hezbollah, que em 2000, venceu os Israelenses pelo cansaco, que se retiraram do sul do Libano. A UNIFIL ainda se mantem na fronteira nao oficial entre os dois paises, controlando-a.
Com a saida das tropas Sirias em curso, muitos lideres internacionais e membros do Conselho de Seguranca da ONU comecam a levantar a hipotese de um envio de uma tropa de pacificacao internacional para ocupar um possivel vacuo de seguranca e estabilidade que poderia ser provocado com a saida das ausencia das forcas sirias no paihs.
Muito porque durante anos o governo libanes manteve a justificativa de que o exercito Sirio soh continuava no paihs pq era responsavel direto pelo mantenimento da paz e estabilidade no Libano, um paihs de quase 200 anos de historia de fortes conflitos entre as diferentes etnias e credos que vivem aqui na regiao.
Mas quando se fala em "substituir" a Siria pela ONU, muitas vozes se levantam em negativa, lembrando que intervencoes internacionais no Libano nao tem um passado muito promissor, indo da tragica Forca Multi-Nacional (MNF) em 1983, que acabou sendo expulsa de Beirute pela sucessao de homens bombas, ateh a impotente UNIFIL, na fronteira entre Libano e Israel.
Um de meus professores, o turco Timur Goksel, um dos responsaveis pelas pelas forcas de pacificacao da ONU no sul do Libano de 1979 a 2003, diz claramente que uma intervencao internacional agora, apohs a saida da Siria, seria catastrofica. "Nao consigo ver a ONU substituindo a presenca Siria no Libano. Seria um suicidio!" Goksel diz. "A situacao hoje eh de politica interna e nao um trabalho para pacificadores. E quando se envolve com as politicas locais de um paihs que nao o seu, vc se torna uma parte do problema e nao da solucao!" complementa.
Um oficial da ONU aqui em Beirute disse que as conversas sobre uma forca de pacificacao no Conselho de Seguranca aconteceram nos primeiros estagios e que nao ha nada de concreto planejado. O Secretario de Relacoes Exteriores da Inglaterra, Jack Straw, sugeriu no comeco deste mes que 2 mil homens da UNIFIL fossem redirecionados do sul do paihs para as regioes de onde a Siria estah se retirando. Mas agora, com as tropas realmente saindo, o governo libanes diz nem considerar a ideia de pedir uma forca de estabilizacao.
O Hezbollah tambem rejeita de qualquer maneira uma intervencao extrangeira no paihs, dizendo que nao avera nenhum problema de seguranca e que a Siria "ajudou a trazer paz para o paihs".
A historia mostra que o Libano nunca foi um porto seguro para forcas de pacificacao internacional. Em 1958, durante a primeira guerra civil, uma tropa de Marines americanos foram mandado para apoiar o presidente Chamoun. Quando o pelotao chegou a costa libanesa, o embaixador americano mandou um relatorio convencido que nao seria necessaria a intervencao americana e que o exercito libanes seria mais do que capaz de controlar a situacao. O relatorio foi ignorado e quando os Marines desembarcaram nas praias libanesas fortemente armados se viram frente a frente com o milhares de pessoas de calcoes e biquinis, curtindo o verao na maior tranquilidade.
Os mesmos Marines voltaram a Beirute em 1982, mas desta vez nao tiveram a mesma sorte. Vieram como parte da forca de coalizao entre quatro paises para acompanhar a evacuacao das guerrilhas Palestinas de Beirute, apos Israel invadir o Libano. Primeiro foram bem recebidos pelos libaneses, mas atitudes mudaram quando a Marinha Americana, atracada na costa de Beirute, comecou a atacar milicias que se opunham ao presidente Amin Gemaiel. Com isso os americanos se tornaram apenas mais uma das partes envolvidas nessa grande bagunca que foi a guerra no anos 80. Na manha de 23 de outubro de 1983, um homem bomba jougou um caminhao cheio de explosivos contra as bases dos Marines ao lado do aeroporto de Beirute, matando 241 soldados. O ataque foi simultaneo ao contra os paraquedistas franceses, que matou 58 soldados. A forca de coalizao deixou o Libano 4 meses depois.
E entao existe a UNIFIL, as forcas de pacificacao da ONU que estao no sul do Libano desde Marco de 1978, alguns dias apos a invasao Israelense. Primeiro UNIFIL era responsavel apenas por observar a saida das forcas Israelenses. Mas como os israelenses nunca sairam, a UNIFIL se viu no meio de um campo de batalha entre guerrilhas palestinas, ao norte, e exercito Israelense com milicias cristas aliadas, ao sul, tendo que controlar toda essa bagunca que depois contou ainda com a entrada do Hezbollah, que em 2000, venceu os Israelenses pelo cansaco, que se retiraram do sul do Libano. A UNIFIL ainda se mantem na fronteira nao oficial entre os dois paises, controlando-a.
Investigadores da ONU denunciam acobertamento de evidencias sobre a morte de Hariri
O correspondente do The Independent no Oriente Medio, Robert Fisk, adiantou em sua coluna de hoje que os investigadores forenses da ONU vao anunciar nos proximos dias que houve acobertamento de evidencias nas investigacoes da morte de Hariri. E vai alem: diz que o relatorio das investigacoes da ONU serah "devastante" e que deve atingir o alto escalao dos governos Sirio e Libanes.
Os tres investigadores, que agora tbm contam com mais 3 especialistas em bombas Suicos, foram enviados ha duas semanas para fazer uma investigacao paralela a das autoridades libanesas, que estavam sendo acusadas constantemente pela oposicao de lentidao e acobertamento dos fatos.
Segundo Fisk, junto (ou antes) do anuncio dos investigadores, o presidente dos EUA, George W. Bush, vira a publico acusar formalmente autoridades Sirias e tambem Libanesas de co-planejamento e execucao do atentado.
Coincidencia ou nao, a noticia chega pouco depois de dois dos filhos de Hariri, Bahar e Saad, terem deixado as pressas o paihs, sob a ameaca de um novo atendado. Tbm vem com uma nova onda de rumores de que o exercito sirio estaria armando milicias Palestinas pro-siria nos campos de refugiados de Chatila, em Beirute, e Ein el-Helwe, em Saida.
Apos a massiça demonstracao de insatisfacao de ontem, a tendencia eh que a tensao aumente ainda mais pois a pressao sobre os governos sirio e libanes vao alcancar niveis maximos. E a possibilidade de conflitos e de um vacuo de poder comecam a preocupar lideres libaneses e autoridades internacionais... Mas isso eh assunto para o proximo topico.
O correspondente do The Independent no Oriente Medio, Robert Fisk, adiantou em sua coluna de hoje que os investigadores forenses da ONU vao anunciar nos proximos dias que houve acobertamento de evidencias nas investigacoes da morte de Hariri. E vai alem: diz que o relatorio das investigacoes da ONU serah "devastante" e que deve atingir o alto escalao dos governos Sirio e Libanes.
Os tres investigadores, que agora tbm contam com mais 3 especialistas em bombas Suicos, foram enviados ha duas semanas para fazer uma investigacao paralela a das autoridades libanesas, que estavam sendo acusadas constantemente pela oposicao de lentidao e acobertamento dos fatos.
Segundo Fisk, junto (ou antes) do anuncio dos investigadores, o presidente dos EUA, George W. Bush, vira a publico acusar formalmente autoridades Sirias e tambem Libanesas de co-planejamento e execucao do atentado.
Coincidencia ou nao, a noticia chega pouco depois de dois dos filhos de Hariri, Bahar e Saad, terem deixado as pressas o paihs, sob a ameaca de um novo atendado. Tbm vem com uma nova onda de rumores de que o exercito sirio estaria armando milicias Palestinas pro-siria nos campos de refugiados de Chatila, em Beirute, e Ein el-Helwe, em Saida.
Apos a massiça demonstracao de insatisfacao de ontem, a tendencia eh que a tensao aumente ainda mais pois a pressao sobre os governos sirio e libanes vao alcancar niveis maximos. E a possibilidade de conflitos e de um vacuo de poder comecam a preocupar lideres libaneses e autoridades internacionais... Mas isso eh assunto para o proximo topico.
segunda-feira, 14 de março de 2005
UM MAR DE GENTE CLAMA PELA LIBERDADE!

A multidao desce em procissao pelas ruas de Achrafie em direcao ao centro da cidade
Anote aih: dia 14 de marco de 2005, uma segunda-feira, um da que entra para historia do Libano e do Oriente Medio. Um dia em que o paihs inteiro parou, de norte a sul, com um terco da populacao se reunindo na praca central de Beirute numa manifestacao sem precedentes na historia libanesa e de todo mundo arabe.
Manifestacao essa que comecou muito antes das 15h de hoje, seu horario oficial. Comecou no fim da tarde de ontem quando milhares de carros pararam o transito da cidade com musicas e bandeiras, dando um pequeno sinal do que estaria por vir. Carreatas que foram madrugada a dentro, com muita gente amanhecendo na Praca dos Martires, em frente a mesquita onde Hariri estah enterrado, e onde algumas horas depois iria reunir pelo menos 1 milhao pessoas carregando bandeiras e cantando gritos de liberdade, soberania e independencia, junto ao hino nacional de seu paihs.
A Praca dos Martires foi pequena para o numero imenso de manifestantes, que tiveram que se extender a Praca Riad El-SolaH e as ruas e viadutos que cercam o centro de Beirute. E isso sem contar o enorme numero de pessoas que nao conseguiram chegar ao centro da cidade devido aos engarrafamentos que pararam as ruas beirutanas. Alem da grande maioria formada por cristaos de todo o paihs que vieram em caravana em centenas de onibus e milhares de carros, surpreendeu o grande numero de muculmanos entre os manifestantes, alem eh claro dos druzos tbm em grande numero.
A manifestacao de hoje acontece apos exatos 30 dias da morte de Hariri e uma semana depois da tbm grande manifestacao organizada pelo Hezbollah em apoio a Siria e que fortaleceu o atual governo de Emile Lahoud. Como eu jah disse aqui, a oposicao se sentiu com o orgulho mais do que ferido apohs ver o numero superior de manifestantes da semana passada e tbm de ver o ex-primeiro ministro Omar Karami de volta ao poder. A soma de todos esses fatores levou o paihs a uma mobilizacao popular jamais vista em terras Libanesas.
E mais uma vez mostra que o grande problema da situacao nao eh a Siria e a saida de suas tropas, que jah estao com o rumo de casa, mas sim o governo repressor e manipulado do atual presidente Emile Lahoud, um personagem que com a saida das tropas Sirias vai ser alvo de uma enorme pressao politica e popular nao soh dos libaneses, mas da comunidade internacional.
Os libaneses hoje mostraram realmente o que eh Forca Popular levando as ruas da capital um terco de toda a populacao do paihs num dia que eles estao chamando de "Novo Dia da Independencia". O caminho jah nao tem mais volta... Eh questao de tempo para Lahoud cair do poder e o povo libanes ter finalmente a chance de escolher o seu futuro!
A multidao desce em procissao pelas ruas de Achrafie em direcao ao centro da cidade
Anote aih: dia 14 de marco de 2005, uma segunda-feira, um da que entra para historia do Libano e do Oriente Medio. Um dia em que o paihs inteiro parou, de norte a sul, com um terco da populacao se reunindo na praca central de Beirute numa manifestacao sem precedentes na historia libanesa e de todo mundo arabe.
Manifestacao essa que comecou muito antes das 15h de hoje, seu horario oficial. Comecou no fim da tarde de ontem quando milhares de carros pararam o transito da cidade com musicas e bandeiras, dando um pequeno sinal do que estaria por vir. Carreatas que foram madrugada a dentro, com muita gente amanhecendo na Praca dos Martires, em frente a mesquita onde Hariri estah enterrado, e onde algumas horas depois iria reunir pelo menos 1 milhao pessoas carregando bandeiras e cantando gritos de liberdade, soberania e independencia, junto ao hino nacional de seu paihs.
A Praca dos Martires foi pequena para o numero imenso de manifestantes, que tiveram que se extender a Praca Riad El-SolaH e as ruas e viadutos que cercam o centro de Beirute. E isso sem contar o enorme numero de pessoas que nao conseguiram chegar ao centro da cidade devido aos engarrafamentos que pararam as ruas beirutanas. Alem da grande maioria formada por cristaos de todo o paihs que vieram em caravana em centenas de onibus e milhares de carros, surpreendeu o grande numero de muculmanos entre os manifestantes, alem eh claro dos druzos tbm em grande numero.
A manifestacao de hoje acontece apos exatos 30 dias da morte de Hariri e uma semana depois da tbm grande manifestacao organizada pelo Hezbollah em apoio a Siria e que fortaleceu o atual governo de Emile Lahoud. Como eu jah disse aqui, a oposicao se sentiu com o orgulho mais do que ferido apohs ver o numero superior de manifestantes da semana passada e tbm de ver o ex-primeiro ministro Omar Karami de volta ao poder. A soma de todos esses fatores levou o paihs a uma mobilizacao popular jamais vista em terras Libanesas.
E mais uma vez mostra que o grande problema da situacao nao eh a Siria e a saida de suas tropas, que jah estao com o rumo de casa, mas sim o governo repressor e manipulado do atual presidente Emile Lahoud, um personagem que com a saida das tropas Sirias vai ser alvo de uma enorme pressao politica e popular nao soh dos libaneses, mas da comunidade internacional.
Os libaneses hoje mostraram realmente o que eh Forca Popular levando as ruas da capital um terco de toda a populacao do paihs num dia que eles estao chamando de "Novo Dia da Independencia". O caminho jah nao tem mais volta... Eh questao de tempo para Lahoud cair do poder e o povo libanes ter finalmente a chance de escolher o seu futuro!
Os erros do Hezbollah
Nas duas ultimas semanas a mudanca de postura do Hezbollah no cenario politico formado no pais apos a morte de Hariri pode custar caro para as pretensoes politicas do Partido de Deus (Hezb=Partido, Allah=Deus) num futuro proximo.
Como jah disse aqui antes, a popularidade do Hezbollah cresceu muito nos ultimos 10 anos, nao soh entre os xiitas mas em todas as etinias e movimentos sectarios libaneses. Muito pelo que os libaneses chamam de "Resistencia", nome dado para a luta travada pela milicia muculmana para "libertar" o sul do Libano da "ameaca de Israel". E desde que Hassan Nasrallah assumiu o controle do grupo, a mudanca de postura do Hezbollah tem sido evidente, investindo muito na sua imagem politica e social, principalmente no sul do paihs e no Vale do Bekaa.
E o maior exemplo da forca do Hezbollah veio nas eleicoes municipais de 2004, quando pela primeira vez teve a oportunidade de concorrer de forma independente.
Esse ponto vale uma explicacao. Ateh o ano passado o Hezbollah era obrigado a concorrer em uma chapa conjunta com o outro partido xiita, o Amal, ateh entao a grande forca politica xiita libanesa. Fundado pelo carismatico lider religioso Musa as-Sadr, o Amal assumiu oficialmente uma postura secularista (sem cunho religioso) em 1979 atraves de Husayn Husayni e conta com a lideranca de Nabih Berri desde 1980.
Jah o Hezbollah insiste em manter sua lideranca nas maos de lideres religiosos desde sua fundacao, em 1982, mantendo o link ideologico do partido com os Aiatolas Iranianos. A fundacao do Hezbollah se deu principalmente por essa decisao do Amal de seguir a linha secularista. Os fundadores do Hezbollah foram os xiitas mais radicais que discordavam da separacao do islam da ideologia do partido.
E, como jah disse, desde o fim da guerra os dois eram obrigados a concorrer numa chapa conjunta nas eleicoes municipais e parlamentares, o que mantia a forca do tradicional Amal (acusado por muitos de corrupcao) e nao deixava o poder popular do Hezbollah deslanchar de vez no paihs. Coisa que foi provada nas eleicoes municipais do ano passado, quando os dois finalmente foram separados e concorreram com candidatos diferentes.
No sul do paihs o Hezbollah emergiu vitorioso em mais de 60% das "prefeituras" (o sistema de municipalidade, diferente do nosso aih no Brasil) enquanto o Amal conseguiu apenas 30%. Jah na parte sul de Beirute e no BeKaa (onde fica Baalbek, o coracao do Hezbollah) a vitoria foi ainda maior: 27 das 30 municipalidades da regiao ficaram nas maos dos seguidores de Nasrallah. E eh evidente que a vitoria esmagadora do Hezbollah sobre o Amal nas eleicoes municipais foi apenas uma previa do que estah por vir nas proximas eleicoes parlamentares.
E o poder e popularidade do Hezbollah nas primeiras duas semanas apohs a morte de Hariri cresceram ainda mais com a postura neutra e moderada de Nasrallah frente toda a situacao, sem apoiar abertamente o governo ou a Siria, recebendo ateh entao impossiveis elogios de muitos lideres da oposicao. Mas nao sei se por medo de perder forcas pela perda do apoio financeiro e armamenticio Sirio, na semana passada o Hezbollah tomou o partido do governo e da Siria, convocando uma enorme manifestacao.
Mesmo que a grande maioria das pessoas que ali estavam nao estavam ali para apoiar a Siria e o governo e sim o Hezbollah e se mostrar contra a intervencao extrangeira, a manifestacao serviu direitinho para as pretensoes do presidente Emile Lahoud de se manter forte no poder do paihs. Num gesto de prepotencia e humilhacao, trouxe de volta o ex-primeiro ministro Karami ao posto que havia renunciado a pouco mais de uma semana, por pressoes da oposicao. Lahoud veio tbm pela primeira vez a publico dar uma entrevista coletiva, onde disse, entre outras coisas, num tom ameacador, que a oposicao estava indo longe demais e que se as manifestacoes continuassem iriam terminar em catastrofe.
O que o Hezbollah nao entedeu eh que a forca popular que eles tem hoje no paihs eh muito mais importante do que o apoio dos frageis, corruptos e autoritarios governos sirio e libanes. Que colocar-se ao lado de Lahoud e Bashar eh fazer exatamente o que os EUA e Israel esperam do Hezbollah, podendo assim taxa-los de "terroristas" e ter uma desculpa a mais para enfraquece-los. E, o pior, eles fecham assim uma porta que estava quase aberta de dialogo com a oposicao, que poderia levar o paihs a uma uniao jamais imaginada nessa partezinha tao tumultuada do mundo arabe.
Nas duas ultimas semanas a mudanca de postura do Hezbollah no cenario politico formado no pais apos a morte de Hariri pode custar caro para as pretensoes politicas do Partido de Deus (Hezb=Partido, Allah=Deus) num futuro proximo.
Como jah disse aqui antes, a popularidade do Hezbollah cresceu muito nos ultimos 10 anos, nao soh entre os xiitas mas em todas as etinias e movimentos sectarios libaneses. Muito pelo que os libaneses chamam de "Resistencia", nome dado para a luta travada pela milicia muculmana para "libertar" o sul do Libano da "ameaca de Israel". E desde que Hassan Nasrallah assumiu o controle do grupo, a mudanca de postura do Hezbollah tem sido evidente, investindo muito na sua imagem politica e social, principalmente no sul do paihs e no Vale do Bekaa.
E o maior exemplo da forca do Hezbollah veio nas eleicoes municipais de 2004, quando pela primeira vez teve a oportunidade de concorrer de forma independente.
Esse ponto vale uma explicacao. Ateh o ano passado o Hezbollah era obrigado a concorrer em uma chapa conjunta com o outro partido xiita, o Amal, ateh entao a grande forca politica xiita libanesa. Fundado pelo carismatico lider religioso Musa as-Sadr, o Amal assumiu oficialmente uma postura secularista (sem cunho religioso) em 1979 atraves de Husayn Husayni e conta com a lideranca de Nabih Berri desde 1980.
Jah o Hezbollah insiste em manter sua lideranca nas maos de lideres religiosos desde sua fundacao, em 1982, mantendo o link ideologico do partido com os Aiatolas Iranianos. A fundacao do Hezbollah se deu principalmente por essa decisao do Amal de seguir a linha secularista. Os fundadores do Hezbollah foram os xiitas mais radicais que discordavam da separacao do islam da ideologia do partido.
E, como jah disse, desde o fim da guerra os dois eram obrigados a concorrer numa chapa conjunta nas eleicoes municipais e parlamentares, o que mantia a forca do tradicional Amal (acusado por muitos de corrupcao) e nao deixava o poder popular do Hezbollah deslanchar de vez no paihs. Coisa que foi provada nas eleicoes municipais do ano passado, quando os dois finalmente foram separados e concorreram com candidatos diferentes.
No sul do paihs o Hezbollah emergiu vitorioso em mais de 60% das "prefeituras" (o sistema de municipalidade, diferente do nosso aih no Brasil) enquanto o Amal conseguiu apenas 30%. Jah na parte sul de Beirute e no BeKaa (onde fica Baalbek, o coracao do Hezbollah) a vitoria foi ainda maior: 27 das 30 municipalidades da regiao ficaram nas maos dos seguidores de Nasrallah. E eh evidente que a vitoria esmagadora do Hezbollah sobre o Amal nas eleicoes municipais foi apenas uma previa do que estah por vir nas proximas eleicoes parlamentares.
E o poder e popularidade do Hezbollah nas primeiras duas semanas apohs a morte de Hariri cresceram ainda mais com a postura neutra e moderada de Nasrallah frente toda a situacao, sem apoiar abertamente o governo ou a Siria, recebendo ateh entao impossiveis elogios de muitos lideres da oposicao. Mas nao sei se por medo de perder forcas pela perda do apoio financeiro e armamenticio Sirio, na semana passada o Hezbollah tomou o partido do governo e da Siria, convocando uma enorme manifestacao.
Mesmo que a grande maioria das pessoas que ali estavam nao estavam ali para apoiar a Siria e o governo e sim o Hezbollah e se mostrar contra a intervencao extrangeira, a manifestacao serviu direitinho para as pretensoes do presidente Emile Lahoud de se manter forte no poder do paihs. Num gesto de prepotencia e humilhacao, trouxe de volta o ex-primeiro ministro Karami ao posto que havia renunciado a pouco mais de uma semana, por pressoes da oposicao. Lahoud veio tbm pela primeira vez a publico dar uma entrevista coletiva, onde disse, entre outras coisas, num tom ameacador, que a oposicao estava indo longe demais e que se as manifestacoes continuassem iriam terminar em catastrofe.
O que o Hezbollah nao entedeu eh que a forca popular que eles tem hoje no paihs eh muito mais importante do que o apoio dos frageis, corruptos e autoritarios governos sirio e libanes. Que colocar-se ao lado de Lahoud e Bashar eh fazer exatamente o que os EUA e Israel esperam do Hezbollah, podendo assim taxa-los de "terroristas" e ter uma desculpa a mais para enfraquece-los. E, o pior, eles fecham assim uma porta que estava quase aberta de dialogo com a oposicao, que poderia levar o paihs a uma uniao jamais imaginada nessa partezinha tao tumultuada do mundo arabe.
domingo, 13 de março de 2005
Orgulho ferido
Muita coisa rolou nesses ultimos dias aqui em Beirute e infelizmente (por nao conseguir nem sair da cama) nao foi possivel atualizar o blog. Vou pular maiores detalhes sobre a volta de Karami ao governo e das repercussoes da passeata de terca passada e ir direto ao que estah rolando hoje em Beirute.
O numero brutal de manifestantes na reuniao da ultima terca-feira serviu para muitas coisas, principalmente para fortalecer o governo de Lahoud, que finalmente veio a imprensa falar suas besteiras e trouxe de volta o marionete Karami. Mas serviu tambem para mexer com os brios da oposicao e da comunidade crista libanesa.
Inconformada em ver a derrota da volta de Karami, de ver a multidao da semana passada nas ruas e de estar encarando a possibilidade de uma grande frustracao que seria a continuidade dessse governo e da atual politica manipulada pela Siria, a populacao druza e catolica de todo o paihs estah se mobilizando para o que eles estao chamando de "A Manifestacao" para mostrar "a verdadeira forca" da oposicao. A parte leste de Beirute e os arredores ao norte (de Bourj Hammoud a Jounieh) estao um caos, com o transito parado por carreatas e carros de som, armados com bandeiras do paihs e fotos de lideres e martires cristaos dos tempos de guerra.
Enquanto isso o exercito estah novamente as ruas, observando tudo de longe... Mas os manifestantes nao estao nem aih. Olham para os soldados e buzinam, balancam suas bandeiras... se ha uma coisa bonita disso tudo eh como os libaneses perderam o medo de protestar... de levantar sua voz contra a repressao de um governo que nao aprovam. Eh muito bacana estar acompanhando essa transicao. Quando cheguei, ha quase uma ano atras, as manifestacoes eram estritamente proibidas, com a promessa de hostilidade militar e policial... Lembro-me da primeira manifestacao da oposicao, em novembro do ano passado, em frente ao museu nacional... pouca gente... as pessoas com medo, escondendo suas bandeiras e cartazes dentro dos carros ateh lah chegar. Eh bonito ver a liberdade de expressao vencendo a tirania e repressao.
Mesmo com o presidente Emile Lahoud tentando de todas as formas fazer voltar sua politica do cala boca, ameacando em sua entrevista que "se a oposicao insistir nas manifestacoes, tudo pode terminar em catastrofe", nesse aspecto a oposicao jah venceu uma batalha... E estah claro que apenas uma mudanca farah eles pararem. Pq os oposicionistas mesmo assumem e dizem em voz alta: eh apenas o comeco de um longa guerra contra o governo de Lahoud... Uma guerra que eles esperam conseguir manter pacifica.
Muita coisa rolou nesses ultimos dias aqui em Beirute e infelizmente (por nao conseguir nem sair da cama) nao foi possivel atualizar o blog. Vou pular maiores detalhes sobre a volta de Karami ao governo e das repercussoes da passeata de terca passada e ir direto ao que estah rolando hoje em Beirute.
O numero brutal de manifestantes na reuniao da ultima terca-feira serviu para muitas coisas, principalmente para fortalecer o governo de Lahoud, que finalmente veio a imprensa falar suas besteiras e trouxe de volta o marionete Karami. Mas serviu tambem para mexer com os brios da oposicao e da comunidade crista libanesa.
Inconformada em ver a derrota da volta de Karami, de ver a multidao da semana passada nas ruas e de estar encarando a possibilidade de uma grande frustracao que seria a continuidade dessse governo e da atual politica manipulada pela Siria, a populacao druza e catolica de todo o paihs estah se mobilizando para o que eles estao chamando de "A Manifestacao" para mostrar "a verdadeira forca" da oposicao. A parte leste de Beirute e os arredores ao norte (de Bourj Hammoud a Jounieh) estao um caos, com o transito parado por carreatas e carros de som, armados com bandeiras do paihs e fotos de lideres e martires cristaos dos tempos de guerra.
Enquanto isso o exercito estah novamente as ruas, observando tudo de longe... Mas os manifestantes nao estao nem aih. Olham para os soldados e buzinam, balancam suas bandeiras... se ha uma coisa bonita disso tudo eh como os libaneses perderam o medo de protestar... de levantar sua voz contra a repressao de um governo que nao aprovam. Eh muito bacana estar acompanhando essa transicao. Quando cheguei, ha quase uma ano atras, as manifestacoes eram estritamente proibidas, com a promessa de hostilidade militar e policial... Lembro-me da primeira manifestacao da oposicao, em novembro do ano passado, em frente ao museu nacional... pouca gente... as pessoas com medo, escondendo suas bandeiras e cartazes dentro dos carros ateh lah chegar. Eh bonito ver a liberdade de expressao vencendo a tirania e repressao.
Mesmo com o presidente Emile Lahoud tentando de todas as formas fazer voltar sua politica do cala boca, ameacando em sua entrevista que "se a oposicao insistir nas manifestacoes, tudo pode terminar em catastrofe", nesse aspecto a oposicao jah venceu uma batalha... E estah claro que apenas uma mudanca farah eles pararem. Pq os oposicionistas mesmo assumem e dizem em voz alta: eh apenas o comeco de um longa guerra contra o governo de Lahoud... Uma guerra que eles esperam conseguir manter pacifica.
quarta-feira, 9 de março de 2005
PEOPLE POWER!

Multidao caminha em procissao para se juntar aos cerca de 400 mil manifestantes que se reuniram ontem, no centro de Beirute
A CNN disse dezenas de milhares... As fontes governamentais oficiais disseram 1 milhao... Nem um nem outro. Eu diria que foram entre 300 e 400 mil manifestantes que formaram esse mar de gente nas ruas do centro da cidade ontem a tarde. Por mais que a oposicao tente aumentar os numeros de suas manifestacoes, quem estah em Beirute e acompanhando tudo de perto sabe que nao tem nem como comparar com o que aconteceu nesta terca-feira, dia 8 de marco de 2005. Centenas de milhares de pessoas, convocadas pelo Hezbollah, foram ao centro da cidade para mostrar o seu apoio ao Partido de Deus como forca de resistencia libanesa contra a ameaca de Israel e contra qualquer tipo de intervensao extrangeira.

Manifestantes carregam cartazes com mensagens anti-americanas
A imensa maioria era xiita mas muitos sunnitas e cristaos completavam o batalhao... Todos querendo se expressar de alguma forma. Mas alem do numero infinitamente maior de pessoas, outra diferenca marcante foi que, enquanto nas manifestacoes da oposicao o que se via era basicamente a classe media e alta libanesa, ontem era o povao que estava na rua, gritando e balancando as bandeiras. Brandando os mesmos gritos de guerra da oposicao "Liberdade! Soberania! Democracia!"

Realmente essa onda nacionalista tomou conta do paihs. Todos os lados mostram seu orgulho de ser libanes, de cantar o hino, pedir independencia... Mas o que divide o povo nao eh a saida das tropas Sirias e sim o desarmamento do Hezbollah e a intervencao internacional. A manifestacao de ontem nao foi "pro-siria" e sim "pro-Hezbollah e anti-EUA e Israel".

Menina carrega a bandeira do Hezbollah
O que muita gente temia, que era qualquer tipo de violencia ou confronto, nao aconteceu, com a manifestacao pacifica e calma, terminando com um discurso de Hassan Nasrallah.

Tanques e soltados fortemente armados observavam tudo de perto
Agora Beirute volta para a mesma situacao de antes, indefinicao. Mas eu hoje estou numa onda otimista. A manifestacao de ontem mostrou que, se depender do povo libanes, todo esse episodio terminarah bem, com as coisas tomando seu rumo tranquilamente depois da eleicao de maio. Mas como raramente o futuro de um povo ou paihs eh deixado nas maos do seu povo, sempre ha a possibilidade de outra tragedia (como a morte de Hariri) acontecer e levar de vez o paihs ralo abaixo!
Multidao caminha em procissao para se juntar aos cerca de 400 mil manifestantes que se reuniram ontem, no centro de Beirute
A CNN disse dezenas de milhares... As fontes governamentais oficiais disseram 1 milhao... Nem um nem outro. Eu diria que foram entre 300 e 400 mil manifestantes que formaram esse mar de gente nas ruas do centro da cidade ontem a tarde. Por mais que a oposicao tente aumentar os numeros de suas manifestacoes, quem estah em Beirute e acompanhando tudo de perto sabe que nao tem nem como comparar com o que aconteceu nesta terca-feira, dia 8 de marco de 2005. Centenas de milhares de pessoas, convocadas pelo Hezbollah, foram ao centro da cidade para mostrar o seu apoio ao Partido de Deus como forca de resistencia libanesa contra a ameaca de Israel e contra qualquer tipo de intervensao extrangeira.
Manifestantes carregam cartazes com mensagens anti-americanas
A imensa maioria era xiita mas muitos sunnitas e cristaos completavam o batalhao... Todos querendo se expressar de alguma forma. Mas alem do numero infinitamente maior de pessoas, outra diferenca marcante foi que, enquanto nas manifestacoes da oposicao o que se via era basicamente a classe media e alta libanesa, ontem era o povao que estava na rua, gritando e balancando as bandeiras. Brandando os mesmos gritos de guerra da oposicao "Liberdade! Soberania! Democracia!"
Realmente essa onda nacionalista tomou conta do paihs. Todos os lados mostram seu orgulho de ser libanes, de cantar o hino, pedir independencia... Mas o que divide o povo nao eh a saida das tropas Sirias e sim o desarmamento do Hezbollah e a intervencao internacional. A manifestacao de ontem nao foi "pro-siria" e sim "pro-Hezbollah e anti-EUA e Israel".
Menina carrega a bandeira do Hezbollah
O que muita gente temia, que era qualquer tipo de violencia ou confronto, nao aconteceu, com a manifestacao pacifica e calma, terminando com um discurso de Hassan Nasrallah.
Tanques e soltados fortemente armados observavam tudo de perto
Agora Beirute volta para a mesma situacao de antes, indefinicao. Mas eu hoje estou numa onda otimista. A manifestacao de ontem mostrou que, se depender do povo libanes, todo esse episodio terminarah bem, com as coisas tomando seu rumo tranquilamente depois da eleicao de maio. Mas como raramente o futuro de um povo ou paihs eh deixado nas maos do seu povo, sempre ha a possibilidade de outra tragedia (como a morte de Hariri) acontecer e levar de vez o paihs ralo abaixo!
terça-feira, 8 de março de 2005
MEDO!

No meu caminho para o trabalho hoje, caminhando pelas ruas desertas do centro de Beirute, sou abordado por um sujeito vestido todo de negro, com um radio comunicador no ouvido e cara de poucos amigos:
_Com licenca, senhor, mas o senhor nao pode passar!
_Como assim nao posso??!!" Eu trabalho ali, do outro lado do quarteirao!
_Me desculpe, senhor, mas o senhor terah que dar a volta... Esta rua estah interditada.
_Interditada por que?! Nao ha nada nela! Nao estou armado ou carregando uma bomba! Soh quero ir trabalhar!
_Me desculpe, senhor, ordens superiores.
_Superiores de quem?
_Do Hezbollah!
Sem argumentos, fui obrigado a dar a volta e soh assim vi o que estava acontecendo. O palanque da manifestacao de hoje em "agradecimento a ajuda Siria" e contra a intervencao internacional estava terminando de ser montado uma rua abaixo, bem em frente ao edificio da ONU. Em volta do nosso predio, dezenas de soldados do exercito libanes armados ateh os dentes montam guarda e impedem qualquer um de passar. Assim como no centro comercial da cidade, interditado pelo exercito desde hoje de manha. Fui obrigado a passar pelo centro para ir a sede do jornal Al-Nahar, que fica no extremo oposto daqui da ONU e fui parado pelo menos umas 10 vezes por soldados me perguntando para onde ia e se nao fosse meu cracha de identificacao teria que ter dado outra volta, ainda maior. Mas o caminho foi interessante, pois tive um acesso ao "backstage" da manifestacao que pouquissimos (ou talvez nenhum) jornalistas terao. Dezenas de caminhoes, jipes e tanques, com metralhadoras carregadas e centenas de soldados do exercito estao prontos para agir a qualquer momento. Agentes do Hezbollah (centenas deles) inspecionam bueiro por bueiro atras de bombas ou surpresas desagradaveis.
Taih uma caracteristica curioso de hoje. Fora a UN House e os predios governamentais, toda a seguranca da manifestacao, num bloco de pelo menos 10 quarteiroes, estah sendo feito por agentes do Hezbollah. Todos vestidos de negro e interligados por radios de comunicacao. Os predios em volta todos com atiradores de elite. Contei uns 10 deles... Nao adianta, estou aqui ha 8 meses e mesmo assim acho que nunca vou me acostumar com essa presenca militar nas ruas de Beirute. Me dao calafrios.
Agora sao quase meio dia e faltam pouco mais de 3 horas para o comeco da manifestacao. O povo jah comeca a se agrupar na Praca Riad Al-Solah, a cerca de 200 metros da mesquita onde Hariri estah enterrado. A decisao de fazer aqui em vez da Praca dos Martires, em frente a mesquita, foi justificada por respeito ao falecido. Mas todo mundo sabe que, alem do respeito, a escolha do local foi para evitar conflitos com membros da oposicao que ali ainda estao acampados.
Medo... apreensao... frio na barriga... Ninguem mais aguenta esse clima de cidade sitiada!
No meu caminho para o trabalho hoje, caminhando pelas ruas desertas do centro de Beirute, sou abordado por um sujeito vestido todo de negro, com um radio comunicador no ouvido e cara de poucos amigos:
_Com licenca, senhor, mas o senhor nao pode passar!
_Como assim nao posso??!!" Eu trabalho ali, do outro lado do quarteirao!
_Me desculpe, senhor, mas o senhor terah que dar a volta... Esta rua estah interditada.
_Interditada por que?! Nao ha nada nela! Nao estou armado ou carregando uma bomba! Soh quero ir trabalhar!
_Me desculpe, senhor, ordens superiores.
_Superiores de quem?
_Do Hezbollah!
Sem argumentos, fui obrigado a dar a volta e soh assim vi o que estava acontecendo. O palanque da manifestacao de hoje em "agradecimento a ajuda Siria" e contra a intervencao internacional estava terminando de ser montado uma rua abaixo, bem em frente ao edificio da ONU. Em volta do nosso predio, dezenas de soldados do exercito libanes armados ateh os dentes montam guarda e impedem qualquer um de passar. Assim como no centro comercial da cidade, interditado pelo exercito desde hoje de manha. Fui obrigado a passar pelo centro para ir a sede do jornal Al-Nahar, que fica no extremo oposto daqui da ONU e fui parado pelo menos umas 10 vezes por soldados me perguntando para onde ia e se nao fosse meu cracha de identificacao teria que ter dado outra volta, ainda maior. Mas o caminho foi interessante, pois tive um acesso ao "backstage" da manifestacao que pouquissimos (ou talvez nenhum) jornalistas terao. Dezenas de caminhoes, jipes e tanques, com metralhadoras carregadas e centenas de soldados do exercito estao prontos para agir a qualquer momento. Agentes do Hezbollah (centenas deles) inspecionam bueiro por bueiro atras de bombas ou surpresas desagradaveis.
Taih uma caracteristica curioso de hoje. Fora a UN House e os predios governamentais, toda a seguranca da manifestacao, num bloco de pelo menos 10 quarteiroes, estah sendo feito por agentes do Hezbollah. Todos vestidos de negro e interligados por radios de comunicacao. Os predios em volta todos com atiradores de elite. Contei uns 10 deles... Nao adianta, estou aqui ha 8 meses e mesmo assim acho que nunca vou me acostumar com essa presenca militar nas ruas de Beirute. Me dao calafrios.
Agora sao quase meio dia e faltam pouco mais de 3 horas para o comeco da manifestacao. O povo jah comeca a se agrupar na Praca Riad Al-Solah, a cerca de 200 metros da mesquita onde Hariri estah enterrado. A decisao de fazer aqui em vez da Praca dos Martires, em frente a mesquita, foi justificada por respeito ao falecido. Mas todo mundo sabe que, alem do respeito, a escolha do local foi para evitar conflitos com membros da oposicao que ali ainda estao acampados.
Medo... apreensao... frio na barriga... Ninguem mais aguenta esse clima de cidade sitiada!
segunda-feira, 7 de março de 2005
Indefinicao sufocante
Tentando nao pensar naquela ditado que fala sobre calmaria, vou vivendo minha vida beirutana num cenario que parece cada vez mais indefinido. Desde a renuncia do fragilissimo primeiro ministro Karami, as coisas se acalmaram e nada mais de concreto aconteceu, criando um clima de apreensao por todos os lados.
Os discursos do fim de semana podem nos ajudar a seguir um caminho, mas que estah longe de ser bem iluminado ou de ter um final proximo. O primeiro discurso veio com Assad, presidente sirio, que declarou que ira seguir o tratado de Taef e retirar suas tropas para o Vale do Bekaa e depois para a regiao da fronteira. Em seguida veio Bush, que nao gostou nada das palavras vagas de Bashar Al-Assad e deixou claro que quer a Siria totalmente fora do Libano, com seu exercito e servico secreto. E depois veio Saied Nazrallah, lider do Hezbollah, convocando uma manifestacao para a proxima terca-feira em apoio a Siria, contra a intervencao internacional e contra Israel. E hoje, uma semana depois da renuncia de Karami, o presidente Emile Lahoud se reune com Assad.
Ninguem realmente acredita que essa saida vai ser assim, tao rapida e simples. Isso eh fato. E a demora do governo para escolher um novo gabinete tbm mostra isso. A oposicao tentou um lobby para derrubar os cabecas do servico secreto libanes, mas ateh agora nao obteve sucesso, com as manifestacoes que vcs veem todos os dias pela CNN sendo chamada de "People Power" se resumindo a adolecentes numa onda hippie, cantando musicas arabes e balancando bandeiras. O libanes, na realidade, nao estah saindo de casa e economizando dinheiro para "uma saida de emergencia". Donos de restaurantes, bares e casas noturnas estao agonizando, pois todos evitam lugares publicos e o risco que eu passei, no sabado, quando estava tranquilo tomando meu cafeh no Starbucks da Praca Sessine quando militantes Sirios passaram atirando.
A verdade eh que todos estao seguros que o Libano estah vivendo um momento historico e que vai passar por mudancas significantes. Mas ao mesmo tempo ninguem sabe ao certo o que estah por vir. Na universidade, rodas de conversas entre professores e alunos de mestrado duram horas, com dezenas de opinioes diferentes mas sem ninguem dar qualquer palpite sobre o que nos reservam as proximas semanas. Especialistas se recusam a dar entrevistas simplesmente porque nao fazem a minimia ideia do que pode acontecer. Ha dias em que pensamos que nada vai acontecer e tudo ira se resolver de forma calma. Ha outros em que nos vemos a beira de um conflito ou de outro atentadado terrosrista contra lideres politicos libaneses. Que agonia!
Os olhos do paihs estarao voltados para esta passeata de amanha. Muita gente aposta em uma adesao massica da maioria xiita que forma o paihs. E muita gente teme atritos com a oposicao. Mais uma vez Beirute vai parar diante de uma manifestacao popular. Basta saber ateh quando elas vao durar tranquilas, sem maiores problemas...
Tentando nao pensar naquela ditado que fala sobre calmaria, vou vivendo minha vida beirutana num cenario que parece cada vez mais indefinido. Desde a renuncia do fragilissimo primeiro ministro Karami, as coisas se acalmaram e nada mais de concreto aconteceu, criando um clima de apreensao por todos os lados.
Os discursos do fim de semana podem nos ajudar a seguir um caminho, mas que estah longe de ser bem iluminado ou de ter um final proximo. O primeiro discurso veio com Assad, presidente sirio, que declarou que ira seguir o tratado de Taef e retirar suas tropas para o Vale do Bekaa e depois para a regiao da fronteira. Em seguida veio Bush, que nao gostou nada das palavras vagas de Bashar Al-Assad e deixou claro que quer a Siria totalmente fora do Libano, com seu exercito e servico secreto. E depois veio Saied Nazrallah, lider do Hezbollah, convocando uma manifestacao para a proxima terca-feira em apoio a Siria, contra a intervencao internacional e contra Israel. E hoje, uma semana depois da renuncia de Karami, o presidente Emile Lahoud se reune com Assad.
Ninguem realmente acredita que essa saida vai ser assim, tao rapida e simples. Isso eh fato. E a demora do governo para escolher um novo gabinete tbm mostra isso. A oposicao tentou um lobby para derrubar os cabecas do servico secreto libanes, mas ateh agora nao obteve sucesso, com as manifestacoes que vcs veem todos os dias pela CNN sendo chamada de "People Power" se resumindo a adolecentes numa onda hippie, cantando musicas arabes e balancando bandeiras. O libanes, na realidade, nao estah saindo de casa e economizando dinheiro para "uma saida de emergencia". Donos de restaurantes, bares e casas noturnas estao agonizando, pois todos evitam lugares publicos e o risco que eu passei, no sabado, quando estava tranquilo tomando meu cafeh no Starbucks da Praca Sessine quando militantes Sirios passaram atirando.
A verdade eh que todos estao seguros que o Libano estah vivendo um momento historico e que vai passar por mudancas significantes. Mas ao mesmo tempo ninguem sabe ao certo o que estah por vir. Na universidade, rodas de conversas entre professores e alunos de mestrado duram horas, com dezenas de opinioes diferentes mas sem ninguem dar qualquer palpite sobre o que nos reservam as proximas semanas. Especialistas se recusam a dar entrevistas simplesmente porque nao fazem a minimia ideia do que pode acontecer. Ha dias em que pensamos que nada vai acontecer e tudo ira se resolver de forma calma. Ha outros em que nos vemos a beira de um conflito ou de outro atentadado terrosrista contra lideres politicos libaneses. Que agonia!
Os olhos do paihs estarao voltados para esta passeata de amanha. Muita gente aposta em uma adesao massica da maioria xiita que forma o paihs. E muita gente teme atritos com a oposicao. Mais uma vez Beirute vai parar diante de uma manifestacao popular. Basta saber ateh quando elas vao durar tranquilas, sem maiores problemas...
Diarios
Foi no meu caminho por Qalandia, rumando para Jerusalem, que eu tive meu primeiro encontro com O Muro. No bairro de Al-Ram, uma grande sessao da barreira de separacao que Israel comecou a construir em 2003 tinham acabado de subir, apesar de alguns espacos ainda existirem na parte norte do distrito. Vendo a construcao do muro ao norte de Jerusalem entrar na sua fase final, estah claro que 50 mil Palestinos na area proxima a Al-Ram serao inteiramente rodeados por concreto, isolados dos seus visinhos e do resto do mundo. Ali por perto, o muro tbm isolarah 70 mil Palestinos na area de Nabala - povo que jah vive entre sessoes do muro em Al-Ram, leste, e Al-Jib, oeste, e que tem o "posto de fiscalizacao" de Beit Hanina ao sul e o famoso posto de Qalandia ao norte. A esse ponto, para chegar ao lado oeste do muro, tivemos que dirigir por uma minuscula estrada de terra paralela ao muro. Outros Palestino, na grande maioria a peh, tem que fazer o mesmo, correndo o risco de serem atropelados.
No posto de Qalandia, encontramos um engarrafamento enorme de taxis, carros, onibus, vans e caminhoes. Centenas de pessoas amontoadas: mulheres, criancas, homens carregando caixas e maletas, fazendeiros carregando materiais, comerciantes cheios de mercadorias, todos esperando encontrar carros ou onibus ou caminhoes que os levem ateh seu destino final. Ou melhor, ateh o proximo posto de fiscalizacao, onde terao de passar por tudo isso novamente. "Nablus! Nablus! Nablus!" uns motoristas gritam seu destino. "Beit Lahem! Beit Lahem! Beit Lahem!" outros tbm, que rumam a Belem. "Al-Quds! Al-Quds! Al-Quds!" gritam aqueles que vao a Jerusalem. Em algum lugar deste caos encontramos Hani, o motorista que havia combinado de me levar ao proximo estagio da minha jornada. Assim que Hani rumou a Qalqilia, me preocupei com a placa verde de West Bank do seu carro, se ela poderia nos trazer problemas. Os residentes de Jerusalem tem placas amarelas, o que muda completamente o tratamento nos "postos de fiscalizacao" e barreiras, evitando as longas revistas militares. "Ultimamente nao estao tao mal assim" diz Hani. "Ha alguns meses era terrivel; nos nao conseguiamos ir a lugar nenhum, mas ultimamente o exercito relaxou um pouco. Eh assim o tempo todo: eles te torturam ateh vc estar a ponto de morrer, entao relaxam ateh vc sentir apenas uma dorzinha, daih comecam tudo novamente. Ainda existem barreiras e postos, revistas e humilhacoes, mas como na maioria das vezes podemos encontrar um caminho 'alternativo', vamos levando". Estavamos em uma estrada "restrita", que pudemos usar por termos autorizacao escrita do governo, coisa rara de se conseguir.
Os sistemas operacionais dos Acordos de Oslo facilitaram em muito o controle Israelense sobre a vida Palestina. Oslo repartiu os Palestinos de West Bank em o que o acordo chama de Areas A, B e C. A Area A sao as grandes cidades Palestinas, como Nablus e Ramallah, que foram revertidas a um controle nominal dos Palestinos sob o acordo, mas a Area A consiste em apenas 18% de West Bank. Area C, sob total controle de Israel, consiste em 60%, e Area B, com administracao Palestina mas com sob controle militar israelense, forma os outros 22%. As Areas A e B sao completamente separadas uma da outra, transformando-as em ilhas cercadas pela Area C. Oslo deu a Israel uma mao livre sobre a Area C enquanto o Acordo - o que nunca chegou ao fim - fosse concluido. Foi muito por causa disso que a construcao Israelense de colonias e estradas continua se multiplicando durante esse tempo de, digamos, negociacoes. Em 1995 apenas, Israel, contruiu 100km de estradas novas para West Bank: 20% das estradas construidas aquele ano. E quanto mais Israel consolida seu controle pela Area C, mais os Palestinos sao forcados a achar caminhos marginais as estradas que eles sao devidamente proibido de usarem - sao chamadas estradas "esterilizadas".
Durante o caminho Hani me mostrava as estradas de terra e caminhos pedregosos sobres as colinas que os Palestinos sao obrigados a passar para ir de uma vila para a outra, isso porque as cidades Palestinas sao ignoradas na construcao das estradas, que parecem inclusive evita-las. Ha dois sistemas semi-independetes de estradas nesta regiao: a bem elaborada, bem pavimentada e bem sinalizada Israelense e a tortuosa, esburacada, varias vezes interrompida e bloqueada Palestina. E para completar a total separacao dos dois sistemas em West Bank, Israel estah planejando um novo sistema de tuneis e viadutos que linkaria as areas fragmentadas e permitiria aos Israelenses cruzarem todo West Bank em estradas "esterilizadas".
O exercito gosta dessa ideia porque em um futuro proximo seria possivel interromper a comunicacao entre as areas Palestinas com um simples abrir ou fechar de pontes ou tuneis. A coisa toda esta sendo planejada para parecer que faria a vida mais simples para os Palestinos, mas na verdade vai eh simplificar a ocupacao e controle israelense na regiao. Em janeiro de 2004, de acordo com o Escritorio da ONU para Assuntos de Coordenacao Humanitaria (OCHA), hoje exitem 59 "postos de fiscalizacao" fixos isralenses em West Bank, 10 parciais, 479 montes de terra para bloqueio, 75 trincheiras, 100 bloqueios de estradas e 40 portoes fechando estradas, todos planejado para interromper e controlar o trafico de Palestinos.
Todos os Palestinos precisam de permissao para viajar por West Bank (o que nao eh pelo Acordo de Oslo). Conseguir uma permissao requer um procedimento administrativo demorado e dezenas de milhares de pedidos sao negados por uma razao ou outra, na maioria das vezes alegando "riscos de seguranca". A maior parte dos pedidos emitidos sao para pedestres e passageiros de transporte publico. Dos mais de 2 milhoes de Palestinos em West Bank, apnas 3 mil tem permissao de dirigir seus proprios veiculos. O carro de Hani na verdade pertence a empresa que ele trabalha. Em qualquer caso, mesmo com permissao todos sao obrigados a passar pela mesma peregrinacao dos "postos de fiscalizacao" e suas aberturas irregulares.
No caminho a Qalqilia, passamos por cidades palestinas e vilarejos onde as estradas de acesso foram completamente interrompidas ou bloqueadas por montes de terra ou blocos de cimento. Em todos eles haviam carros e vans estacionados ou pessoas esperando. Jah as colonias judias sao bem diferentes. Sempre no alto das colinas, cercadas de grades, casas em formatos de chales, arvores e jardins, oferecendo um contraste visual radical com as comunidades que as rodeiam. Todos contam com estradas bem pavimentadas.
Qalqilia tem uma populacao de 60 mil e eh a maior cidade agricola, cercade de campos verdes, pomares, plantacoes e oliveiras. Como qualquer outra grande cidade palestina, eh um centro comercial e administrativo para os vilarejos em volta, que formam uma populacao de 40 a 50 mil mais. Como Qalqilia estah ao lado da chamada Linha Verde que existe supostamente para separar West Bank de Israel - uma fronteira que estah sendo feita atraves de um muro que em 90% da sua extensao estah sendo construido a leste da Linha Verde, roubando terras de West Bank - antigamente era possivel para os Palestinos das cidades vizinhas irem ateh lah para o mercado ou para encontrar seus amigos e familiares. A barreira de separacao estah destruindo um complexo historico, comercial, agricultural, social, cultural e de relacoes familiares. Apesar da desculpa do muro ser uma "cerca de seguranca", eh obvio que o verdadeiro objetivo da barreira eh absorver o quanto mais de terras e o quanto menos de Palestinos possivel, adquirindo um territorio de facil coneccao - e de fato jah anexados - a Israel. E em nenhum outro lugar estah mais claro do que na regiao fertil e bem irrigada de Qalqilia. Ao norte da cidade, o muro absorve cerca de 6 mil acres de terras produzidas, fazendas cheias de hortas e plantacoes. Qalqilia hj eh formada apenas pela parte oeste da peninsula territorial criada pelo muro.
Qalqilia e Tulkarem, ao norte, assim como 20 e poucas outras cidades e vilarejos na mesma area, agora se encontram separadas de suas terras de cultivo pela rede de concreto, cercas eletricas, radares e soldados que formam o muro isralense. Ainda pior estao seis ou sete cidades Palestinas entre a Linha Verde e o Muro. Isso apenas nos arredores de Qalqilia, pq ha muitos casos mais por toda a extensao do Muro.
Em Outubro de 2003, pouco depois do muro comecar a subir, o exercito declarou que a terra entre a barreira e a Linha vermelha sao "area militar". A declaracao explicita que ninguem pode entrar na area senao cidadaos Israeleses ou qualquer outro aplicavel a Lei Basica de Retorno Israelense (que eh qualquer um que seja judeu de qualquer parte do mundo). Ninguem, nesse caso, quer dizer os Palestinos, donos da terra, que estao prestes a verem esta ser tirada a forca deles.
Os moradores das vilas na "are militar" tem que efetuar um "pedido de residencia permanete" atraves do exercito. Como o nome diz, eh mais ou menos o Green Card oferecido pelos EUA, com a diferenca basica de que os que estao sendo obrigados a efetuar o pedido apenas querem continuar vivendo onde nasceram. E o pedido pode ser negado ou cancelado a qualquer momento, resultando numa expulsao sumaria e sem compensasao das suas proprias terras pelo estado de Israel.
Na Regiao de Qalqilia, alguns milhares de Palestinos tiveram que tirar a "permissao de residencia permanente". Quando o muro estiver completo, no entado, mais CEM MIL Palestinos vao precisar dela. E mais dezenas de milhares se verao isolados e sem acesso ao trabalho, escolas e hospitais (um terco dos vilarejos de West Bank terao problemas para chegar a hospitais quando o muro estiver completo - 26 clinicas jah foram isoladas e o numero vai subir para 71 quando terminar).
Os Palestinos que vivem fora da "area militar", separados das suas terras de cultivo dentro dela, nao estao muito melhor. Os fazendeiros de Qalqilia, Jaius e vilarejos da regiao que quiserem cultivar suas terras do outro lado da barreira terao que obter uma permissao das forcas de ocupacao. Os militares Israelense estipulam uma duzia de diferentes tipos de registros que os fazendeiros Palestinos tem que fazer para poder cultivar nas suas proprias terras. Claro que, para conseguir esses registros e permissoes, vai aih uma complexa jornada burocratica e administrativa que leva muito tempo. E se houver qualquer tipo de erro no registro das terras ou se o dono original jah tiver morrido ou se mudado para outro paihs ou se houver qualquer tipo de questao sobre heranca ou realocacao da terra entre familias ou questoes nos documentos de vendas ou titulos (o que eh muito normal no Oriente Medio jah que em muitas vezes os documentos e terras tiveram que passar por quatro administracoes diferentes - Otomanos, Ingleses, Jordanos e Israelenses) o pedido serah sumariamente negado. Muitas das terras, nao soh em West Bank mas em todo o Oriente Medio, nunca foram registradas formalmente em sistemas governamentais burocraticos e sao mantidas informalmente, de pai pra filho ou por uso coletivo de uma comunidade, num sistema respeitado e compreendido por todos.
Para lidar com esse problema, Israel buscou uma lei Otomana de 1858 e, interpretando como bem entende, declarou muitas dessas terras Palestinas como "propriedade do governo", ou classificando-as como "terra improdutiva", automaticamente transferindo-as para o governo. O grande problema eh que o Imperio Otomano acabou com o Tratado de Sevres e nunca assinou a Carta da ONU na Convensao de Genebra - ambos que contem regras sobre terras ocupadas - coisa que Israel o fez. De qualquer maneira, enquanto os assuntos legais ficam pendentes, as terras ferteis da Palestina vao cair no desuso, abandonadas. Foi a tatica da Lei Otomana a usada por Israel sempre que quiseram desapropriar territorio Palestino.
Ateh agora, um quarto dos pedidos de permissao para ter acesso as terras nas areas entre o Muro e a Linha Verde foram rejeitadas pelas autoridades israelenses. E os que conseguiram a permissao mal conseguem chegar as terras, tendo que andar dezenas de quilometros e passar por barreiras e postos militares. Na area entre Qalqilia e Tulkarem, por exemplo, existem 12 portoes, quatro deles que nunca sao abertos para fazendeiros, enquanto outros tres estao destinados para assuntos que nao agricultura. Isso nos deixa cinco outros portoes. E o mais proximo da parte norte de Qalqilia eh o que nunca estah aberto. Ou seja, qualquer fazendeiro que antes estava a poucos metros de sua terra de cultivo agora tem que pegar a estrada a leste (que agora estah aberta, mas pode ser fechada novamente a qualquer momento), passar por postos e barreiras e andar o caminho todo novamente ateh chegar as suas terras... Ou melhor... ateh chegar ao portao mais proximo e passar por tudo novamente.
Durante os meses que se seguiram apos o sistema de permissoes foi posto em pratica, fazendeiros tiveram que esperar longos periodos ateh conseguirem-na. No comeco da temporada de colheita de azeitonas de 2003, os portoes nao foram abertos de forma alguma por semanas a fio, em punicao coletiva a um atentado a bomba em Haifa. Seguido de apelacoes e mais apelacoes a suprema corte Israelense, a maioria dos portoes, ou melhos, a maioria dos CINCO portoes para fazendeiros agora opera mais ou menos com um calendario fixo, abrindo 3 vezes ao dia, por meia hora. Mas esse eh apenas o comeco dos problemas. Eles sempre sao proibidos de passar com seus tratores pelos portoes e, em tempos de cultivo e colheita, nao sao autorizados a levar mais trabalhadores com eles para ajudar na lavoura. E levando em conta o numero de milagres que os fazendeiros precisam para chegar a uma colheita, ele ainda precisa fazer com que sua producao chegue ao mercado, o que envolve encontrar um portao aberto, passar sua colheita por ele em apenas meia hora, negociar a passagem nos bloqueios, conseguir uma permissao de transporte, esperar nos postos de fiscalizacao por hora ou ateh dias.
A oeste de Qalqilia, o muro de concreto chega a 7 metros de altura. Ao norte e ao sul, a estrada que levava os fazendeiros a suas fazendas estah agora interrompida com montes de terra, blocos de concreto, um muro de metal, arame farpado, cerca eletrica, mais arame farpado, cinquenta metros de estrada e aih, depois, tudo de novo. Tudo isso eh protegido por uma torre fortificada imensa, onde a bandeira de Israel balanca com o vento. Isso tudo que hoje estah contruido um dia foi um campo de cultivo, cheio de arvores e oliveiras, cortados para dar lugar as fortificacoes e para nao cobrir o campo visual da guarda. E o estrago nao fica soh aih. Uma devastacao de 200 metros de largura por 8 km de extensao para uma cidade do tamanho de Qalqilia eh mais do que essa pobre comunidade pode aguentar.
Alguns veem as negociacoes entre os novos lideres Pelestinos e o governo Israelense com otimismo. Negociacoes anteriores, comecando por Oslo, serviram apenas para consolidar o controle sobre West Bank, Gasa e Jerusalem, fazendo a vida ainda mais dificil para os Palestinos. Da mesma forma que alguns viam a morte de Arafat como um tempo de esperanca, mas foram surpreendidos em Jaius, perto de Qalqilia, com a noticia de que mais de suas terras seria desapropriadas para que fosse possivel a expansao da colonia Isralense de Zufim, entre o Muro e a Linha Verde. Suas oliveiras foram exterminadas em dezembro. Talves um otimismo cego, que nao ve a realidade que os cerca, seja melhor do que uma total perda da esperanca.
(Por Saree Makdisi, professor da UCLA. Ele estah terminando de escrever um livro chamado "Palestine without a Road Map". Traducao: Fernando Kallas)
Foi no meu caminho por Qalandia, rumando para Jerusalem, que eu tive meu primeiro encontro com O Muro. No bairro de Al-Ram, uma grande sessao da barreira de separacao que Israel comecou a construir em 2003 tinham acabado de subir, apesar de alguns espacos ainda existirem na parte norte do distrito. Vendo a construcao do muro ao norte de Jerusalem entrar na sua fase final, estah claro que 50 mil Palestinos na area proxima a Al-Ram serao inteiramente rodeados por concreto, isolados dos seus visinhos e do resto do mundo. Ali por perto, o muro tbm isolarah 70 mil Palestinos na area de Nabala - povo que jah vive entre sessoes do muro em Al-Ram, leste, e Al-Jib, oeste, e que tem o "posto de fiscalizacao" de Beit Hanina ao sul e o famoso posto de Qalandia ao norte. A esse ponto, para chegar ao lado oeste do muro, tivemos que dirigir por uma minuscula estrada de terra paralela ao muro. Outros Palestino, na grande maioria a peh, tem que fazer o mesmo, correndo o risco de serem atropelados.
No posto de Qalandia, encontramos um engarrafamento enorme de taxis, carros, onibus, vans e caminhoes. Centenas de pessoas amontoadas: mulheres, criancas, homens carregando caixas e maletas, fazendeiros carregando materiais, comerciantes cheios de mercadorias, todos esperando encontrar carros ou onibus ou caminhoes que os levem ateh seu destino final. Ou melhor, ateh o proximo posto de fiscalizacao, onde terao de passar por tudo isso novamente. "Nablus! Nablus! Nablus!" uns motoristas gritam seu destino. "Beit Lahem! Beit Lahem! Beit Lahem!" outros tbm, que rumam a Belem. "Al-Quds! Al-Quds! Al-Quds!" gritam aqueles que vao a Jerusalem. Em algum lugar deste caos encontramos Hani, o motorista que havia combinado de me levar ao proximo estagio da minha jornada. Assim que Hani rumou a Qalqilia, me preocupei com a placa verde de West Bank do seu carro, se ela poderia nos trazer problemas. Os residentes de Jerusalem tem placas amarelas, o que muda completamente o tratamento nos "postos de fiscalizacao" e barreiras, evitando as longas revistas militares. "Ultimamente nao estao tao mal assim" diz Hani. "Ha alguns meses era terrivel; nos nao conseguiamos ir a lugar nenhum, mas ultimamente o exercito relaxou um pouco. Eh assim o tempo todo: eles te torturam ateh vc estar a ponto de morrer, entao relaxam ateh vc sentir apenas uma dorzinha, daih comecam tudo novamente. Ainda existem barreiras e postos, revistas e humilhacoes, mas como na maioria das vezes podemos encontrar um caminho 'alternativo', vamos levando". Estavamos em uma estrada "restrita", que pudemos usar por termos autorizacao escrita do governo, coisa rara de se conseguir.
Os sistemas operacionais dos Acordos de Oslo facilitaram em muito o controle Israelense sobre a vida Palestina. Oslo repartiu os Palestinos de West Bank em o que o acordo chama de Areas A, B e C. A Area A sao as grandes cidades Palestinas, como Nablus e Ramallah, que foram revertidas a um controle nominal dos Palestinos sob o acordo, mas a Area A consiste em apenas 18% de West Bank. Area C, sob total controle de Israel, consiste em 60%, e Area B, com administracao Palestina mas com sob controle militar israelense, forma os outros 22%. As Areas A e B sao completamente separadas uma da outra, transformando-as em ilhas cercadas pela Area C. Oslo deu a Israel uma mao livre sobre a Area C enquanto o Acordo - o que nunca chegou ao fim - fosse concluido. Foi muito por causa disso que a construcao Israelense de colonias e estradas continua se multiplicando durante esse tempo de, digamos, negociacoes. Em 1995 apenas, Israel, contruiu 100km de estradas novas para West Bank: 20% das estradas construidas aquele ano. E quanto mais Israel consolida seu controle pela Area C, mais os Palestinos sao forcados a achar caminhos marginais as estradas que eles sao devidamente proibido de usarem - sao chamadas estradas "esterilizadas".
Durante o caminho Hani me mostrava as estradas de terra e caminhos pedregosos sobres as colinas que os Palestinos sao obrigados a passar para ir de uma vila para a outra, isso porque as cidades Palestinas sao ignoradas na construcao das estradas, que parecem inclusive evita-las. Ha dois sistemas semi-independetes de estradas nesta regiao: a bem elaborada, bem pavimentada e bem sinalizada Israelense e a tortuosa, esburacada, varias vezes interrompida e bloqueada Palestina. E para completar a total separacao dos dois sistemas em West Bank, Israel estah planejando um novo sistema de tuneis e viadutos que linkaria as areas fragmentadas e permitiria aos Israelenses cruzarem todo West Bank em estradas "esterilizadas".
O exercito gosta dessa ideia porque em um futuro proximo seria possivel interromper a comunicacao entre as areas Palestinas com um simples abrir ou fechar de pontes ou tuneis. A coisa toda esta sendo planejada para parecer que faria a vida mais simples para os Palestinos, mas na verdade vai eh simplificar a ocupacao e controle israelense na regiao. Em janeiro de 2004, de acordo com o Escritorio da ONU para Assuntos de Coordenacao Humanitaria (OCHA), hoje exitem 59 "postos de fiscalizacao" fixos isralenses em West Bank, 10 parciais, 479 montes de terra para bloqueio, 75 trincheiras, 100 bloqueios de estradas e 40 portoes fechando estradas, todos planejado para interromper e controlar o trafico de Palestinos.
Todos os Palestinos precisam de permissao para viajar por West Bank (o que nao eh pelo Acordo de Oslo). Conseguir uma permissao requer um procedimento administrativo demorado e dezenas de milhares de pedidos sao negados por uma razao ou outra, na maioria das vezes alegando "riscos de seguranca". A maior parte dos pedidos emitidos sao para pedestres e passageiros de transporte publico. Dos mais de 2 milhoes de Palestinos em West Bank, apnas 3 mil tem permissao de dirigir seus proprios veiculos. O carro de Hani na verdade pertence a empresa que ele trabalha. Em qualquer caso, mesmo com permissao todos sao obrigados a passar pela mesma peregrinacao dos "postos de fiscalizacao" e suas aberturas irregulares.
No caminho a Qalqilia, passamos por cidades palestinas e vilarejos onde as estradas de acesso foram completamente interrompidas ou bloqueadas por montes de terra ou blocos de cimento. Em todos eles haviam carros e vans estacionados ou pessoas esperando. Jah as colonias judias sao bem diferentes. Sempre no alto das colinas, cercadas de grades, casas em formatos de chales, arvores e jardins, oferecendo um contraste visual radical com as comunidades que as rodeiam. Todos contam com estradas bem pavimentadas.
Qalqilia tem uma populacao de 60 mil e eh a maior cidade agricola, cercade de campos verdes, pomares, plantacoes e oliveiras. Como qualquer outra grande cidade palestina, eh um centro comercial e administrativo para os vilarejos em volta, que formam uma populacao de 40 a 50 mil mais. Como Qalqilia estah ao lado da chamada Linha Verde que existe supostamente para separar West Bank de Israel - uma fronteira que estah sendo feita atraves de um muro que em 90% da sua extensao estah sendo construido a leste da Linha Verde, roubando terras de West Bank - antigamente era possivel para os Palestinos das cidades vizinhas irem ateh lah para o mercado ou para encontrar seus amigos e familiares. A barreira de separacao estah destruindo um complexo historico, comercial, agricultural, social, cultural e de relacoes familiares. Apesar da desculpa do muro ser uma "cerca de seguranca", eh obvio que o verdadeiro objetivo da barreira eh absorver o quanto mais de terras e o quanto menos de Palestinos possivel, adquirindo um territorio de facil coneccao - e de fato jah anexados - a Israel. E em nenhum outro lugar estah mais claro do que na regiao fertil e bem irrigada de Qalqilia. Ao norte da cidade, o muro absorve cerca de 6 mil acres de terras produzidas, fazendas cheias de hortas e plantacoes. Qalqilia hj eh formada apenas pela parte oeste da peninsula territorial criada pelo muro.
Qalqilia e Tulkarem, ao norte, assim como 20 e poucas outras cidades e vilarejos na mesma area, agora se encontram separadas de suas terras de cultivo pela rede de concreto, cercas eletricas, radares e soldados que formam o muro isralense. Ainda pior estao seis ou sete cidades Palestinas entre a Linha Verde e o Muro. Isso apenas nos arredores de Qalqilia, pq ha muitos casos mais por toda a extensao do Muro.
Em Outubro de 2003, pouco depois do muro comecar a subir, o exercito declarou que a terra entre a barreira e a Linha vermelha sao "area militar". A declaracao explicita que ninguem pode entrar na area senao cidadaos Israeleses ou qualquer outro aplicavel a Lei Basica de Retorno Israelense (que eh qualquer um que seja judeu de qualquer parte do mundo). Ninguem, nesse caso, quer dizer os Palestinos, donos da terra, que estao prestes a verem esta ser tirada a forca deles.
Os moradores das vilas na "are militar" tem que efetuar um "pedido de residencia permanete" atraves do exercito. Como o nome diz, eh mais ou menos o Green Card oferecido pelos EUA, com a diferenca basica de que os que estao sendo obrigados a efetuar o pedido apenas querem continuar vivendo onde nasceram. E o pedido pode ser negado ou cancelado a qualquer momento, resultando numa expulsao sumaria e sem compensasao das suas proprias terras pelo estado de Israel.
Na Regiao de Qalqilia, alguns milhares de Palestinos tiveram que tirar a "permissao de residencia permanente". Quando o muro estiver completo, no entado, mais CEM MIL Palestinos vao precisar dela. E mais dezenas de milhares se verao isolados e sem acesso ao trabalho, escolas e hospitais (um terco dos vilarejos de West Bank terao problemas para chegar a hospitais quando o muro estiver completo - 26 clinicas jah foram isoladas e o numero vai subir para 71 quando terminar).
Os Palestinos que vivem fora da "area militar", separados das suas terras de cultivo dentro dela, nao estao muito melhor. Os fazendeiros de Qalqilia, Jaius e vilarejos da regiao que quiserem cultivar suas terras do outro lado da barreira terao que obter uma permissao das forcas de ocupacao. Os militares Israelense estipulam uma duzia de diferentes tipos de registros que os fazendeiros Palestinos tem que fazer para poder cultivar nas suas proprias terras. Claro que, para conseguir esses registros e permissoes, vai aih uma complexa jornada burocratica e administrativa que leva muito tempo. E se houver qualquer tipo de erro no registro das terras ou se o dono original jah tiver morrido ou se mudado para outro paihs ou se houver qualquer tipo de questao sobre heranca ou realocacao da terra entre familias ou questoes nos documentos de vendas ou titulos (o que eh muito normal no Oriente Medio jah que em muitas vezes os documentos e terras tiveram que passar por quatro administracoes diferentes - Otomanos, Ingleses, Jordanos e Israelenses) o pedido serah sumariamente negado. Muitas das terras, nao soh em West Bank mas em todo o Oriente Medio, nunca foram registradas formalmente em sistemas governamentais burocraticos e sao mantidas informalmente, de pai pra filho ou por uso coletivo de uma comunidade, num sistema respeitado e compreendido por todos.
Para lidar com esse problema, Israel buscou uma lei Otomana de 1858 e, interpretando como bem entende, declarou muitas dessas terras Palestinas como "propriedade do governo", ou classificando-as como "terra improdutiva", automaticamente transferindo-as para o governo. O grande problema eh que o Imperio Otomano acabou com o Tratado de Sevres e nunca assinou a Carta da ONU na Convensao de Genebra - ambos que contem regras sobre terras ocupadas - coisa que Israel o fez. De qualquer maneira, enquanto os assuntos legais ficam pendentes, as terras ferteis da Palestina vao cair no desuso, abandonadas. Foi a tatica da Lei Otomana a usada por Israel sempre que quiseram desapropriar territorio Palestino.
Ateh agora, um quarto dos pedidos de permissao para ter acesso as terras nas areas entre o Muro e a Linha Verde foram rejeitadas pelas autoridades israelenses. E os que conseguiram a permissao mal conseguem chegar as terras, tendo que andar dezenas de quilometros e passar por barreiras e postos militares. Na area entre Qalqilia e Tulkarem, por exemplo, existem 12 portoes, quatro deles que nunca sao abertos para fazendeiros, enquanto outros tres estao destinados para assuntos que nao agricultura. Isso nos deixa cinco outros portoes. E o mais proximo da parte norte de Qalqilia eh o que nunca estah aberto. Ou seja, qualquer fazendeiro que antes estava a poucos metros de sua terra de cultivo agora tem que pegar a estrada a leste (que agora estah aberta, mas pode ser fechada novamente a qualquer momento), passar por postos e barreiras e andar o caminho todo novamente ateh chegar as suas terras... Ou melhor... ateh chegar ao portao mais proximo e passar por tudo novamente.
Durante os meses que se seguiram apos o sistema de permissoes foi posto em pratica, fazendeiros tiveram que esperar longos periodos ateh conseguirem-na. No comeco da temporada de colheita de azeitonas de 2003, os portoes nao foram abertos de forma alguma por semanas a fio, em punicao coletiva a um atentado a bomba em Haifa. Seguido de apelacoes e mais apelacoes a suprema corte Israelense, a maioria dos portoes, ou melhos, a maioria dos CINCO portoes para fazendeiros agora opera mais ou menos com um calendario fixo, abrindo 3 vezes ao dia, por meia hora. Mas esse eh apenas o comeco dos problemas. Eles sempre sao proibidos de passar com seus tratores pelos portoes e, em tempos de cultivo e colheita, nao sao autorizados a levar mais trabalhadores com eles para ajudar na lavoura. E levando em conta o numero de milagres que os fazendeiros precisam para chegar a uma colheita, ele ainda precisa fazer com que sua producao chegue ao mercado, o que envolve encontrar um portao aberto, passar sua colheita por ele em apenas meia hora, negociar a passagem nos bloqueios, conseguir uma permissao de transporte, esperar nos postos de fiscalizacao por hora ou ateh dias.
A oeste de Qalqilia, o muro de concreto chega a 7 metros de altura. Ao norte e ao sul, a estrada que levava os fazendeiros a suas fazendas estah agora interrompida com montes de terra, blocos de concreto, um muro de metal, arame farpado, cerca eletrica, mais arame farpado, cinquenta metros de estrada e aih, depois, tudo de novo. Tudo isso eh protegido por uma torre fortificada imensa, onde a bandeira de Israel balanca com o vento. Isso tudo que hoje estah contruido um dia foi um campo de cultivo, cheio de arvores e oliveiras, cortados para dar lugar as fortificacoes e para nao cobrir o campo visual da guarda. E o estrago nao fica soh aih. Uma devastacao de 200 metros de largura por 8 km de extensao para uma cidade do tamanho de Qalqilia eh mais do que essa pobre comunidade pode aguentar.
Alguns veem as negociacoes entre os novos lideres Pelestinos e o governo Israelense com otimismo. Negociacoes anteriores, comecando por Oslo, serviram apenas para consolidar o controle sobre West Bank, Gasa e Jerusalem, fazendo a vida ainda mais dificil para os Palestinos. Da mesma forma que alguns viam a morte de Arafat como um tempo de esperanca, mas foram surpreendidos em Jaius, perto de Qalqilia, com a noticia de que mais de suas terras seria desapropriadas para que fosse possivel a expansao da colonia Isralense de Zufim, entre o Muro e a Linha Verde. Suas oliveiras foram exterminadas em dezembro. Talves um otimismo cego, que nao ve a realidade que os cerca, seja melhor do que uma total perda da esperanca.
(Por Saree Makdisi, professor da UCLA. Ele estah terminando de escrever um livro chamado "Palestine without a Road Map". Traducao: Fernando Kallas)
sábado, 5 de março de 2005
RETIRADA PACIFICA?
Pouco mais de uma hora apos o presidente Sirio, Bassar Al Assad, assunciar (mais uma vez?) que as tropas militares em seu comando serao reposicionadas para as areas proximas a fronteira, vivenciei uma cena de terror no coracao de Achrafie, o principal bairro catolico de Beirute.
Dezenas de jovens estavam reunidos na Praca Sessine, centro de Achrafie, quando um automovel com 3 ou 4 homens (na correria eu vi apenas um carro, mas na verdade foi um comboio de 3 ou 4), armados e carregando fotos de Assad passaram atirando para o alto. Houve correria e panico mas ninguem ficou ferido.
O anuncio de Bashar foi feito num discurso para o Parlamento Sirio agora a pouco. Apesar de nao ter deixado claro em quanto tempo ou o que seriam as regioes "proximas a fronteiras", foi a primeira vez em que ele falou mais objetivamente sobre retirada das tropas, seguido de uma declaracao do presidente Lahoud dizendo o mesmo.
O incidente que acabei de presenciar foi o primeiro ato de violencia e repressao contra manifestantes desde a morte de Hariri.
Pouco mais de uma hora apos o presidente Sirio, Bassar Al Assad, assunciar (mais uma vez?) que as tropas militares em seu comando serao reposicionadas para as areas proximas a fronteira, vivenciei uma cena de terror no coracao de Achrafie, o principal bairro catolico de Beirute.
Dezenas de jovens estavam reunidos na Praca Sessine, centro de Achrafie, quando um automovel com 3 ou 4 homens (na correria eu vi apenas um carro, mas na verdade foi um comboio de 3 ou 4), armados e carregando fotos de Assad passaram atirando para o alto. Houve correria e panico mas ninguem ficou ferido.
O anuncio de Bashar foi feito num discurso para o Parlamento Sirio agora a pouco. Apesar de nao ter deixado claro em quanto tempo ou o que seriam as regioes "proximas a fronteiras", foi a primeira vez em que ele falou mais objetivamente sobre retirada das tropas, seguido de uma declaracao do presidente Lahoud dizendo o mesmo.
O incidente que acabei de presenciar foi o primeiro ato de violencia e repressao contra manifestantes desde a morte de Hariri.
quinta-feira, 3 de março de 2005
Hezbollah dah exemplo de moderacao

Quem diria que um dia o Hezbolah seria um exemplo de moderacao para as partes politicas libanesas. Parece ateh piada, mas eh o que vem acontecendo desde o assassinato de Hariri. Sendo mais preciso, eh o que vem acontecendo publicamente, pq jah faz um tempinho que o Partido de Deus vem tendo um papel importantissimo na estabilidade do paihs, com uma postura politica exemplar, aproximando cada vez mais os xiitas das demais representacoes do paihs e ganhando tbm muito respeito de todas as partes da sociedade libanesa, arabe e tbm europeia.
Eu jah disse aqui que Hariri nao era nenhum santinho ou heroi nacional, mas seu papel de moderador nessa aproximacao de sunnitas e xiitas estava sendo fundamental. Ha alguns meses antes de sua morte, Hariri vinha se reunindo regularmente com Xeique Said Nasrallah, o cabeca da organizacao, porque percebeu que a unidade nacional era o que faltava para a economia libanesa estabilizar-se. Desde a morte de Hariri, Nazrallah vem mostrando-se o grande lider dos xiitas na regiao, mantendo-os sob controle com decisoes e daclaracoes bastante moderadas, mas ao mesmo tempo mantendo as ideologias do partido e protegendo sua causa, a protecao do paihs contra a "ameaca israelense". Esse eh um dos fortes motivos pelos quais Hariri vinha sendo um perigo cada vez maior para as pretensoes america/israelenses na regiao, ele estava aproximando o Hezbollah forte e moderado da sociedade arabe e europeia. Harir era um dos principais responsaveis pela recusa dos paises europeus em incluir o Hezbollah na lista de organizacoes terroristas, um pedido constante de Israel e EUA.
Ontem numa reuniao extraordinaria de cupula, os lideres xiitas do paihs discutiram a sucessao governamental e clamaram por uma unidade nacional, dizendo que a resolucao 1559 da ONU acabou desestabilizando ainda mais o paihs e causando discordia entre o povo libanes. Para eles, a resolucao nao substitue o Acordo de Taef, que segundo os lideres xiitas "eh um acordo de paz e unidade".
E muitos lideres da oposicao jah apostam no Hezbollah como mediador entre os oposicionistas libaneses e o governo Sirio, na negociacao da retirada das tropas vizinhas do paihs. "Nos jah dissemos que queremos contato direto com o governo sirio e acreditamos que Nasrallah eh o homem ideal para essas negociacoes." disse o lider de oposicao Ghazi Aridi, apohs se reunir com o cabeca do partido xiita. "Nos temos confianca total em Nasrallah e serah atraves deles que falaremos com os oficiais sirios para que tudo isso chegue ao fim", complementou Aridi.
Nasrallah vem dizendo em suas declaracoes que o mais importante agora eh a unidade nacional e que as recentes demonstracoes de uniao da populacao nas ruas eh o maior exemplo de que o Libano nao precisa de intervencoes externas para resolver seus proprios problemas. Nos ultimos dias diversos analistas garantem que todos esses fatores juntos farao que o Hezbollah se mantenha forte, senao ainda mais poderoso, mesmo com a saida das tropas sirias, principalmente nas proximas eleicoes parlamentares, em maio, onde muitos esperam ver o Partido de Deus com mais do que as atuais 12 cadeiras no parlamento.
"'Siria fora' nao significa 'Israel dentro'. A resitencia nao ira parar enquanto existir a ameaca israelense" garantem os lideres do Hezbollah.
Quem diria que um dia o Hezbolah seria um exemplo de moderacao para as partes politicas libanesas. Parece ateh piada, mas eh o que vem acontecendo desde o assassinato de Hariri. Sendo mais preciso, eh o que vem acontecendo publicamente, pq jah faz um tempinho que o Partido de Deus vem tendo um papel importantissimo na estabilidade do paihs, com uma postura politica exemplar, aproximando cada vez mais os xiitas das demais representacoes do paihs e ganhando tbm muito respeito de todas as partes da sociedade libanesa, arabe e tbm europeia.
Eu jah disse aqui que Hariri nao era nenhum santinho ou heroi nacional, mas seu papel de moderador nessa aproximacao de sunnitas e xiitas estava sendo fundamental. Ha alguns meses antes de sua morte, Hariri vinha se reunindo regularmente com Xeique Said Nasrallah, o cabeca da organizacao, porque percebeu que a unidade nacional era o que faltava para a economia libanesa estabilizar-se. Desde a morte de Hariri, Nazrallah vem mostrando-se o grande lider dos xiitas na regiao, mantendo-os sob controle com decisoes e daclaracoes bastante moderadas, mas ao mesmo tempo mantendo as ideologias do partido e protegendo sua causa, a protecao do paihs contra a "ameaca israelense". Esse eh um dos fortes motivos pelos quais Hariri vinha sendo um perigo cada vez maior para as pretensoes america/israelenses na regiao, ele estava aproximando o Hezbollah forte e moderado da sociedade arabe e europeia. Harir era um dos principais responsaveis pela recusa dos paises europeus em incluir o Hezbollah na lista de organizacoes terroristas, um pedido constante de Israel e EUA.
Ontem numa reuniao extraordinaria de cupula, os lideres xiitas do paihs discutiram a sucessao governamental e clamaram por uma unidade nacional, dizendo que a resolucao 1559 da ONU acabou desestabilizando ainda mais o paihs e causando discordia entre o povo libanes. Para eles, a resolucao nao substitue o Acordo de Taef, que segundo os lideres xiitas "eh um acordo de paz e unidade".
E muitos lideres da oposicao jah apostam no Hezbollah como mediador entre os oposicionistas libaneses e o governo Sirio, na negociacao da retirada das tropas vizinhas do paihs. "Nos jah dissemos que queremos contato direto com o governo sirio e acreditamos que Nasrallah eh o homem ideal para essas negociacoes." disse o lider de oposicao Ghazi Aridi, apohs se reunir com o cabeca do partido xiita. "Nos temos confianca total em Nasrallah e serah atraves deles que falaremos com os oficiais sirios para que tudo isso chegue ao fim", complementou Aridi.
Nasrallah vem dizendo em suas declaracoes que o mais importante agora eh a unidade nacional e que as recentes demonstracoes de uniao da populacao nas ruas eh o maior exemplo de que o Libano nao precisa de intervencoes externas para resolver seus proprios problemas. Nos ultimos dias diversos analistas garantem que todos esses fatores juntos farao que o Hezbollah se mantenha forte, senao ainda mais poderoso, mesmo com a saida das tropas sirias, principalmente nas proximas eleicoes parlamentares, em maio, onde muitos esperam ver o Partido de Deus com mais do que as atuais 12 cadeiras no parlamento.
"'Siria fora' nao significa 'Israel dentro'. A resitencia nao ira parar enquanto existir a ameaca israelense" garantem os lideres do Hezbollah.
Dezessete dias de sofrimento e um final tragico
Ontem foi encontrado o corpo de mais uma vitima da explosao que matou o ex-primeiro ministro Hafik Hariri.
Mas a descoberta soh foi possivel depois de muita revolta e sofrimento da familia, que ha dias clamava as autoridades que procuressem ou que os deixassem entrar no local da explosao (que hj estah isolado) para procurar pelo corpo desse chefe de familia aposentado, que costumava caminhar pela orla todos os dias naquele horario. Como ele havia desaparecido exatamente na mesma tarde da explosao, a familia supos que ele estava entre as vitimas.
Exausta da indiferenca das autoridades publicas, ontem juntaram uma pequena multidao e invadiu a forca o local, encontrando em pouco menos de meia hora o corpo do senhor. Ele foi encontrado enterrado nos escombros, sem maiores ferimentos. Morreu asficciado, sem a ajuda do resgate. E o mais impressionante, foi encontrado com o celular na mao... morreu tentando pedir ajuda...
Ontem foi encontrado o corpo de mais uma vitima da explosao que matou o ex-primeiro ministro Hafik Hariri.
Mas a descoberta soh foi possivel depois de muita revolta e sofrimento da familia, que ha dias clamava as autoridades que procuressem ou que os deixassem entrar no local da explosao (que hj estah isolado) para procurar pelo corpo desse chefe de familia aposentado, que costumava caminhar pela orla todos os dias naquele horario. Como ele havia desaparecido exatamente na mesma tarde da explosao, a familia supos que ele estava entre as vitimas.
Exausta da indiferenca das autoridades publicas, ontem juntaram uma pequena multidao e invadiu a forca o local, encontrando em pouco menos de meia hora o corpo do senhor. Ele foi encontrado enterrado nos escombros, sem maiores ferimentos. Morreu asficciado, sem a ajuda do resgate. E o mais impressionante, foi encontrado com o celular na mao... morreu tentando pedir ajuda...
quarta-feira, 2 de março de 2005
A NATA! FURA TODA A MIDIA INTERNACIONAL!
Acaba de terminar a tao esperada reuniao da oposicao e, assim como eu reportei aqui ontem a noite, antes de todos os meios de comunicacao internacionais, a oposicao oficializou a exigencia da renuncia de toda a cupula do servico secreto libanes.
Seja nas ruas ou nos corredores do poder, vou continuar tentando trazer sempre os fatos em primeira mao, com uma cobertura analitica independente e fiel ao que realmente acontece aqui em Beirute.
Fique ligado!
Acaba de terminar a tao esperada reuniao da oposicao e, assim como eu reportei aqui ontem a noite, antes de todos os meios de comunicacao internacionais, a oposicao oficializou a exigencia da renuncia de toda a cupula do servico secreto libanes.
Seja nas ruas ou nos corredores do poder, vou continuar tentando trazer sempre os fatos em primeira mao, com uma cobertura analitica independente e fiel ao que realmente acontece aqui em Beirute.
Fique ligado!
Investigadores da ONU a caminho do Libano
Um grupo de investigadores forenses e de especialistas em explosivos da ONU estao rumando para Beirute para se intensificar as investigacoes do atentado que matou o ex-primeiro ministro Hafik Hariri. A noticia coincide com as acusacoes cada vez mais pesadas da oposicao contra os chefes do servico secreto libanes de acobertar infomacoes importantes sobre o atentado.
Muita coisa se fala sobre a explosao que matou Hariri e quase 20 pessoas, deixando centenas de feridos, mas pouco de concreto. Porem, fontes ligadas ao governo comecam a dar algumas pistas do que realmente teria acontecido.
Tudo indica que nao foi um carro bomba e sim que os explosivos estavam escondidos estrategicamente nas tubulacoes que passam em baixo da avenida. Cerca de 300 quilos de TNT foram colocados, para dar potencia suficiente para explodir o asfalto e aniquilar todo o comboio de 10 veiculos blindados do ex-primeiro ministro. Tbm se sabe que o dispositivo foi detonado via cabos e nao controle remoto, jah que Hariri contava com um sistema avancadissimo de interceptacao e desarme de dispositivos eletronicos... Quem detonou a bomba estava perto de onde tudo aconteceu. Isso tudo mostra que, apesar de muito bem planejado e com bastante antecedencia, o artefato foi de tecnologia muito simples... a moda antiga, diferente das primeiras especulacoes de que teria sido uma tecnologia de outro planeta, etc e tal. O diferencial estah na quantidade de explosivos, que foi brutal e fez chacoalhar a terra de toda a capital.
Enquanto isso, o presidente Sirio, Bashar al-Assad, deu uma entrevista a revista Time dizendo mais uma vez que a retirada das tropas nao deve demorar mais do que 6 meses. E desde aqui de Beirute, o porta voz do governo disse que o presidente Emile Lahoud garante que em 48 horas havera o canditado a primeiro ministro para substituir Karami, que renunciou segunda a noite. Como manda a tradicao sectaria Libanesa, o primeiro ministro deve ser Sunita, enquanto o presidente Maronita e o lider do parlamento xiita.
Falando para a Aljazira, o lider druzo de oposicao Walid Jumblat mais uma vez clamou pela renuncia de Lahoud, dizendo que apenas com ela o Libano pode realmente comecar uma nova era. E acrecentou: "Eh pelo menos a 5a. vez que escuto o presidente sirio dizer que estah retirando as tropas do Libano. Nos nao aceitaremos mais fazer papeis de bobos!"
Agora eh esperar pelo nome do novo primeiro ministro e por novas manifestacoes, que nao devem parar enquanto Lahoud estiver no poder e as tropas sirias em territorio libanes.
Um grupo de investigadores forenses e de especialistas em explosivos da ONU estao rumando para Beirute para se intensificar as investigacoes do atentado que matou o ex-primeiro ministro Hafik Hariri. A noticia coincide com as acusacoes cada vez mais pesadas da oposicao contra os chefes do servico secreto libanes de acobertar infomacoes importantes sobre o atentado.
Muita coisa se fala sobre a explosao que matou Hariri e quase 20 pessoas, deixando centenas de feridos, mas pouco de concreto. Porem, fontes ligadas ao governo comecam a dar algumas pistas do que realmente teria acontecido.
Tudo indica que nao foi um carro bomba e sim que os explosivos estavam escondidos estrategicamente nas tubulacoes que passam em baixo da avenida. Cerca de 300 quilos de TNT foram colocados, para dar potencia suficiente para explodir o asfalto e aniquilar todo o comboio de 10 veiculos blindados do ex-primeiro ministro. Tbm se sabe que o dispositivo foi detonado via cabos e nao controle remoto, jah que Hariri contava com um sistema avancadissimo de interceptacao e desarme de dispositivos eletronicos... Quem detonou a bomba estava perto de onde tudo aconteceu. Isso tudo mostra que, apesar de muito bem planejado e com bastante antecedencia, o artefato foi de tecnologia muito simples... a moda antiga, diferente das primeiras especulacoes de que teria sido uma tecnologia de outro planeta, etc e tal. O diferencial estah na quantidade de explosivos, que foi brutal e fez chacoalhar a terra de toda a capital.
Enquanto isso, o presidente Sirio, Bashar al-Assad, deu uma entrevista a revista Time dizendo mais uma vez que a retirada das tropas nao deve demorar mais do que 6 meses. E desde aqui de Beirute, o porta voz do governo disse que o presidente Emile Lahoud garante que em 48 horas havera o canditado a primeiro ministro para substituir Karami, que renunciou segunda a noite. Como manda a tradicao sectaria Libanesa, o primeiro ministro deve ser Sunita, enquanto o presidente Maronita e o lider do parlamento xiita.
Falando para a Aljazira, o lider druzo de oposicao Walid Jumblat mais uma vez clamou pela renuncia de Lahoud, dizendo que apenas com ela o Libano pode realmente comecar uma nova era. E acrecentou: "Eh pelo menos a 5a. vez que escuto o presidente sirio dizer que estah retirando as tropas do Libano. Nos nao aceitaremos mais fazer papeis de bobos!"
Agora eh esperar pelo nome do novo primeiro ministro e por novas manifestacoes, que nao devem parar enquanto Lahoud estiver no poder e as tropas sirias em territorio libanes.
terça-feira, 1 de março de 2005
E agora?
Essa eh a pergunta que nao quer calar por aqui... O que vai acontecer agora, depois da renunica do primeiro ministro Karami. Apesar de hoje ter sido um dia mais tranquilo, num clima meio que de ressaca pelas comemoracoes de ontem, a oposicao deixa bem claro que eh apenas o comeco de uma grande revolucao politica no paihs.
Hj estivemos eu e o Paulo Cabral, da BBC, conversando com alguns lideres da oposicao, pra saber quais sao os planos para os proximos dias. Centenas de manifestantes jah passam de 48 horas acampados na Praca dos Martires, centro da capital, protestando contra a ocupacao Siria no paihs. Na sua grande maioria, sao jovens, de caras pintadas e bandeiras libanesas, entoando hinos e cantos patrioticos. Numa onda patriotica que lembra muito o movimento que provocou a queda do Collor, a oposicao liderada por druzos e cristaos insistem em dizer que a disconfianca de uma quebra do grupo eh improvavel neste momento, assim como a volta da guerra civil.
"Nao ha nenhuma chance do Libano voltar aos tempos de guerra civil. Estamos unidos neste momento. De leste a oeste os libaneses sao um soh, clamando pela independencia do paihs" declarou Elias Aattala, um dos lideres da Alianca Democratica, uma das correntes de oposicao druza. Marc Zabbal, da lideranca juvenil do Movimento Patriota Livre - FPM, partido catolico ligado ao ex-primeiro ministro Michel Aon, tbm garante que a a uniao eh fundamental neste momento e que os protestos nao vao parar por aqui.
"Porem temos que tomar medidas eficientes e que, ao mesmo tempo, nao prejudiquem a economia do paihs. Nao podemos simplesmente convocar uma greve geral de 5 dias e ameacar ainda mais a estabilidade libanesa." disse Marc, lembrando que os protestos nao vao parar ateh que toda a cupula do governo ligada a siria renuncie.
Na verdade o proximo passo da oposicao eh exigir a renuncia do comando do servico de inteligencia do exercito, sob a acusacao de acobertar os fatos e investigacoes do atentado que matou Hariri. Os tres nomes que estao na forca sao de Jamil Al Said, chefe de seguranca nacional, General Raymond Azal, chefe do servico secreto, e Eduard Mansour, tbm da cupula da seguranca nacional.
Enquanto isso o governo continua sem se manisfestar, se limitando a dizer que o presidente Lahoud vai nos proximos dias consultar o parlamento para decidir qual serah a formacao do governo tampao que ficara no poder ateh as eleicoes de maio.
Beirute estah cheia de correspondentes estrangeiros e o clima de tensao ainda eh visivel nas ruas, com a indefinicao da situacao politica do paihs e da uniao da oposicao, assim como a posicao dos partidos xiitas que continuam sem muito se manifestar. O que se sabe eh que, a renuncia do primeiro ministro nao vai acalmar os animos oposicionistas, que tem em seu alvo o presidente Lahoud... E enquanto Lahoud estiver no poder, os protestos vao continuar a falar cada vez mais alto.
Essa eh a pergunta que nao quer calar por aqui... O que vai acontecer agora, depois da renunica do primeiro ministro Karami. Apesar de hoje ter sido um dia mais tranquilo, num clima meio que de ressaca pelas comemoracoes de ontem, a oposicao deixa bem claro que eh apenas o comeco de uma grande revolucao politica no paihs.
Hj estivemos eu e o Paulo Cabral, da BBC, conversando com alguns lideres da oposicao, pra saber quais sao os planos para os proximos dias. Centenas de manifestantes jah passam de 48 horas acampados na Praca dos Martires, centro da capital, protestando contra a ocupacao Siria no paihs. Na sua grande maioria, sao jovens, de caras pintadas e bandeiras libanesas, entoando hinos e cantos patrioticos. Numa onda patriotica que lembra muito o movimento que provocou a queda do Collor, a oposicao liderada por druzos e cristaos insistem em dizer que a disconfianca de uma quebra do grupo eh improvavel neste momento, assim como a volta da guerra civil.
"Nao ha nenhuma chance do Libano voltar aos tempos de guerra civil. Estamos unidos neste momento. De leste a oeste os libaneses sao um soh, clamando pela independencia do paihs" declarou Elias Aattala, um dos lideres da Alianca Democratica, uma das correntes de oposicao druza. Marc Zabbal, da lideranca juvenil do Movimento Patriota Livre - FPM, partido catolico ligado ao ex-primeiro ministro Michel Aon, tbm garante que a a uniao eh fundamental neste momento e que os protestos nao vao parar por aqui.
"Porem temos que tomar medidas eficientes e que, ao mesmo tempo, nao prejudiquem a economia do paihs. Nao podemos simplesmente convocar uma greve geral de 5 dias e ameacar ainda mais a estabilidade libanesa." disse Marc, lembrando que os protestos nao vao parar ateh que toda a cupula do governo ligada a siria renuncie.
Na verdade o proximo passo da oposicao eh exigir a renuncia do comando do servico de inteligencia do exercito, sob a acusacao de acobertar os fatos e investigacoes do atentado que matou Hariri. Os tres nomes que estao na forca sao de Jamil Al Said, chefe de seguranca nacional, General Raymond Azal, chefe do servico secreto, e Eduard Mansour, tbm da cupula da seguranca nacional.
Enquanto isso o governo continua sem se manisfestar, se limitando a dizer que o presidente Lahoud vai nos proximos dias consultar o parlamento para decidir qual serah a formacao do governo tampao que ficara no poder ateh as eleicoes de maio.
Beirute estah cheia de correspondentes estrangeiros e o clima de tensao ainda eh visivel nas ruas, com a indefinicao da situacao politica do paihs e da uniao da oposicao, assim como a posicao dos partidos xiitas que continuam sem muito se manifestar. O que se sabe eh que, a renuncia do primeiro ministro nao vai acalmar os animos oposicionistas, que tem em seu alvo o presidente Lahoud... E enquanto Lahoud estiver no poder, os protestos vao continuar a falar cada vez mais alto.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005
PRIMEIRO MINISTRO LIBANES RENUNCIA!
"Para que o governo nao seja mais um obstaculo para o bem do paihs, eu agora anuncio a renuncia do governo que eu tive a honra de liderar."
Foi com essas palavras que o primeiro ministro Umar Karami acaba de anunciar sua renuncia, num discurso no parlamento.
Com isso o presidente Emile Lahoud fica sozinho no governo e, sem muitas opcoes e sob extrema pressao, deve tbm renunciar, pq caso contrario a situacao pode fugir do controle.
As ruas estao cheias de carros e manifestantes, festejando a noticia da renuncia de Karami, que assumiu o governo apohs a renuncia de Hariri, em novembro do ano passado.
Basta agora saber se a "oposicao" vai continuar unida e trazer estabilidade ao paihs ou se, mais uma vez na historia dessa regiao, as diferencas vao trazer ainda mais instabilidade e conflitos. Mas conhecendo a historia daqui, isso eh bastante improvavel... Um sinal ou nao, jah se viu no fim de semana, quando lideres sunnitas jah comecaram a se mostrar mais distantes da "oposicao", dando a entender que "outros" estariam se aproveitando da morte de Hariri para chegar ao poder... Os xiitas, maioria da populacao do paihs, estao calados e nao saem de suas casas... Sobram os druzos e catolicos (estes ultimos, que sao divididos inclusive entre si mesmos), que agora parecem estar juntos, mas que com a longa historia de animosidade nunca se sabe ateh quando seus interesses vao ser comuns.
Conhecendo a politica libanesa, guiada por interesses mais do que ideologias, qualquer palpite nesse momento eh pura advinhacao... Nada se sabe o que as proximas semanas guardam para o futuro do Libano.
"Para que o governo nao seja mais um obstaculo para o bem do paihs, eu agora anuncio a renuncia do governo que eu tive a honra de liderar."
Foi com essas palavras que o primeiro ministro Umar Karami acaba de anunciar sua renuncia, num discurso no parlamento.
Com isso o presidente Emile Lahoud fica sozinho no governo e, sem muitas opcoes e sob extrema pressao, deve tbm renunciar, pq caso contrario a situacao pode fugir do controle.
As ruas estao cheias de carros e manifestantes, festejando a noticia da renuncia de Karami, que assumiu o governo apohs a renuncia de Hariri, em novembro do ano passado.
Basta agora saber se a "oposicao" vai continuar unida e trazer estabilidade ao paihs ou se, mais uma vez na historia dessa regiao, as diferencas vao trazer ainda mais instabilidade e conflitos. Mas conhecendo a historia daqui, isso eh bastante improvavel... Um sinal ou nao, jah se viu no fim de semana, quando lideres sunnitas jah comecaram a se mostrar mais distantes da "oposicao", dando a entender que "outros" estariam se aproveitando da morte de Hariri para chegar ao poder... Os xiitas, maioria da populacao do paihs, estao calados e nao saem de suas casas... Sobram os druzos e catolicos (estes ultimos, que sao divididos inclusive entre si mesmos), que agora parecem estar juntos, mas que com a longa historia de animosidade nunca se sabe ateh quando seus interesses vao ser comuns.
Conhecendo a politica libanesa, guiada por interesses mais do que ideologias, qualquer palpite nesse momento eh pura advinhacao... Nada se sabe o que as proximas semanas guardam para o futuro do Libano.
Beirute a beira do caos!
As noticias do agravamento da situacao politica libanesa e das manifestacoes marcadas para hj me fizeram voltar mais cedo da Siria, na tarde deste domingo.
Chegando em Beirute na noite de ontem encontrei uma cidade praticamente em estado de sitio, com o centro da cidade fechado e guardado por tanques e militares fortemente armados. Enquanto isso, em volta do centro, pelas ruas dos bairros catolicos, centenas de carros com jovens fazendo um "buzinaco", com bandeiras do paihs e de partidos politicos, davam uma previa do que estaria por vir no dia seguinte.
O clima tenso nao vinha soh da presenca militar nas ruas e da exaltacao dos militantes critaos. A noticia de uma minifestao contra a intervencao americana que iria acontecer tbm hj fez da noite de ontem a mais tensa na capital desde o fim da guerra civil. Muita gente apostava que hj seria um dia tragico.
Mas por uma ordem dos lideres muculmanos, a segunda manifestacao na aconteceu e tudo correu sobre controle hj, sem violencia ou conflitos. O palamento estah reunido para discutir a situacao e os manifestantes jah passam de 24h na praca dos martires, no centro da cidade.
O que vai acontecer nos proximos dias ninguem sabe, mas o problema jah estah muito alem da presenca siria em terras libanesas... A divisao interna e a luta pelo poder estao prestes a levar o Libano de volta aos tempos de guerra civil.
As noticias do agravamento da situacao politica libanesa e das manifestacoes marcadas para hj me fizeram voltar mais cedo da Siria, na tarde deste domingo.
Chegando em Beirute na noite de ontem encontrei uma cidade praticamente em estado de sitio, com o centro da cidade fechado e guardado por tanques e militares fortemente armados. Enquanto isso, em volta do centro, pelas ruas dos bairros catolicos, centenas de carros com jovens fazendo um "buzinaco", com bandeiras do paihs e de partidos politicos, davam uma previa do que estaria por vir no dia seguinte.
O clima tenso nao vinha soh da presenca militar nas ruas e da exaltacao dos militantes critaos. A noticia de uma minifestao contra a intervencao americana que iria acontecer tbm hj fez da noite de ontem a mais tensa na capital desde o fim da guerra civil. Muita gente apostava que hj seria um dia tragico.
Mas por uma ordem dos lideres muculmanos, a segunda manifestacao na aconteceu e tudo correu sobre controle hj, sem violencia ou conflitos. O palamento estah reunido para discutir a situacao e os manifestantes jah passam de 24h na praca dos martires, no centro da cidade.
O que vai acontecer nos proximos dias ninguem sabe, mas o problema jah estah muito alem da presenca siria em terras libanesas... A divisao interna e a luta pelo poder estao prestes a levar o Libano de volta aos tempos de guerra civil.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005
No lado negro da Força!
Hoje tomo meu rumo para o reino das trevas, o mais novo membro do "eixo do mal", o novo inimigo numero 1 do Capitao America em sua jornada pela liberdade... ou seja... vou para a Siria!
Sarcasmo a parte, vou para sentir o clima do paihs, do povo e como o pessoal do lado de lah estah vendo a atual situacao, agravada apos a morte de Hariri.
Se eu nao for sequestrado por agentes secretos americanos, torturado e mandado para Guantamo acusado de espionagem, segunda-feira estou de volta e conto como foi.
Hoje tomo meu rumo para o reino das trevas, o mais novo membro do "eixo do mal", o novo inimigo numero 1 do Capitao America em sua jornada pela liberdade... ou seja... vou para a Siria!
Sarcasmo a parte, vou para sentir o clima do paihs, do povo e como o pessoal do lado de lah estah vendo a atual situacao, agravada apos a morte de Hariri.
Se eu nao for sequestrado por agentes secretos americanos, torturado e mandado para Guantamo acusado de espionagem, segunda-feira estou de volta e conto como foi.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005
Porque ter saudades do Rio:
Lenny Kravitz toca de graca para mais de 500 mil em Copacabana
Porque nao ter saudades do Rio:
Operacao revela mais um esquema de propinas entre traficantes e policiais do Batalhao do Leblon
Lenny Kravitz toca de graca para mais de 500 mil em Copacabana
Porque nao ter saudades do Rio:
Operacao revela mais um esquema de propinas entre traficantes e policiais do Batalhao do Leblon
terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
Unidos, mas nem tanto!
Enquanto sunnitas, cristaos e druzos comecam a esbocar forca na coalizao de oposicao contra o governo libanes e ocupacao siria, os Xiitas, representacao manoritaria da populacao libanesa, ainda continuam sem tomar uma posicao clara diante dos acontecimentos da ultima semana. Ao mesmo tempo que nao se manifestam a favor do governo, tbm nao se opoem, abrindo a porta para o criticismo e acusacoes internacionais.

Sheik Hassan Nasrallah falando para a multidao de xiitas no feriado da Achura
Mas o que poucos ficaram sabendo e que aconteceu aqui em Beirute no fim da semana passada, foi o discurso de Hassan Nasrallah, lider do Partido de Deus, o Hezbollah. Contrastando com a larga cobertura da midia arabe, que transmitiu ao vivo por redes de TV e radio o discurso que contou com a presenca de milhares de pessoas, o evento passou em branco na midia internacional. Por que esse interesse todo do mundo arabe e o total desprezo do ocidente? Por que existe esse contraste? Para responder essa pergunta eh necessario tentar compreender um pouco como funciona a politica libanesa e qual o papel do Hezbollah diante da populacao. Desde o ano 2000, quando todas as tropas Israelenses deixaram o Libano pressionados pelo levante xiita no sul liderado pelo Hezbollah, muita coisa mudou nessa que um dia foi milicia mas que hoje tem um papel importantissimo no cenario politico do paihs.
Geralmente politica eh feita numa mescla entre ideologias e interesses, mas aqui no Libano as coisas funcionam um pouco diferente. Aqui as coisas sao guiadas muito mais pelos interesses do que por outra coisa. Um bom exemplo eh o Partido Socialista Progressista, que mesmo respondendo por esse pomposo nome tem em seu lider o filho do ex-lider assassinado, representando muito mais uma religiao (a druza) do que a ideologia. Muitos estudiosos de Oriente Medio analisam a politica libanesa e apontam o Hezbollah como o unico partido de verdade no paihs, por ser o unico com uma ideologia muito bem definida, a religiosa. Mesmo com os EUA tentando fazer de tudo para mostrar o contrario, ha muito tempo o Hezbollah deixou de ser uma milicia ou "organizacao terrorista", como americanos e israelenses gostam de dizer. Varios academicos tbm comparam hoje o Hezbollah aos movimentos comunistas/socialistas do seculo passado que de milicias armadas acabaram se transformando em partidos com forte acao social na comunidade e apoio da populacao local. Em seu discurso, Sheik Nasrallah rechacou qualquer tipo de acusacao ou ligacao entre o Hezbollah e o atentado, relembrando que o movimento tem seu unico e exclusivo dever de proteger o Libano no sul contra os isralenses.
O grande problema e que abre as portas para esse tipo de ataque eh que o Hezbollah tbm nao se opoe ao regime e ocupacao sirias, pq sao eles os seus maiores aliados e financiadores. Atraves da siria vem o apoio para lutar pela sua causa e uma vez enfraquecido o regime xiita sirio, o Hezbollah perde demais a forca na regiao. E a quem interessa isso? Provavelmente aos israelenses, que tiveram suas pretensoes pelas fontes abundandes de agua do vizinho de cima frustradas pela resistencia do Hezbollah. Um enfraquecimento dos governos de Siria e Libano representam uma vizinhanca mais do que amistosa para Israel. Em outras palavras, o assassinato de Hariri cai como uma luva para suas pretensoes.
Ao mesmo tempo, o Aman, o mais influente partido xiita do paihs, tbm continua calado, tendo apenas tomada a iniciativa simbolica de pedir o "cancelamento" da Achura, ritual do martirio celebrado pelos xiitas todos os anos. Mas como cancelar a Achura, mais importante data religiosa dos xiitas, eh como cancelar a pascoa para os catolicos, a Achura aconteceu da mesma forma em Nabatieh, sul do Libano, com presenca enorme da populacao xiita. Populacao esta que estah de luto e que provavelmente eh hj a mais amedrontada com toda a situacao. Uma perda de forcas no governo poderia trazer mais tensao para dentro do Libano, paihs onde quase metade da populacao eh xiita.

Na cidade de Nabatieh, sul do Libano, fieis xiitas participam do ritual da Achura, que simboliza o martirio na lembranca da morte de Hassan e Houssein
Muito se fala nos dias de hoje, mas pouco se sabe sobre qual serah o rumo que o paihs vai tomar. Mas levando em conta os acontecimento e se olhando um pouco mais a leste, onde se ve a maior embaixada americana do mundo, sendo contruida em Baghdad, preparada para abrigar cerca de 1800 funcionarios e a um custo de US$1.5 bilhoes, muita gente aposta um total controle americano da regiao, transformando o Libano em mais um membro da familia dos paises subservientes a force militar, politica e economica dos EUA. Basta saber se a complicada e agitada mescla etnica, religiosa e cultural do paihs vai estar de acordo ou se isso serah apenas o comeco de novos e delicados conflitos politicos e sociais.

Achura, em Nabatieh, sul do Libano
Enquanto sunnitas, cristaos e druzos comecam a esbocar forca na coalizao de oposicao contra o governo libanes e ocupacao siria, os Xiitas, representacao manoritaria da populacao libanesa, ainda continuam sem tomar uma posicao clara diante dos acontecimentos da ultima semana. Ao mesmo tempo que nao se manifestam a favor do governo, tbm nao se opoem, abrindo a porta para o criticismo e acusacoes internacionais.
Sheik Hassan Nasrallah falando para a multidao de xiitas no feriado da Achura
Mas o que poucos ficaram sabendo e que aconteceu aqui em Beirute no fim da semana passada, foi o discurso de Hassan Nasrallah, lider do Partido de Deus, o Hezbollah. Contrastando com a larga cobertura da midia arabe, que transmitiu ao vivo por redes de TV e radio o discurso que contou com a presenca de milhares de pessoas, o evento passou em branco na midia internacional. Por que esse interesse todo do mundo arabe e o total desprezo do ocidente? Por que existe esse contraste? Para responder essa pergunta eh necessario tentar compreender um pouco como funciona a politica libanesa e qual o papel do Hezbollah diante da populacao. Desde o ano 2000, quando todas as tropas Israelenses deixaram o Libano pressionados pelo levante xiita no sul liderado pelo Hezbollah, muita coisa mudou nessa que um dia foi milicia mas que hoje tem um papel importantissimo no cenario politico do paihs.
Geralmente politica eh feita numa mescla entre ideologias e interesses, mas aqui no Libano as coisas funcionam um pouco diferente. Aqui as coisas sao guiadas muito mais pelos interesses do que por outra coisa. Um bom exemplo eh o Partido Socialista Progressista, que mesmo respondendo por esse pomposo nome tem em seu lider o filho do ex-lider assassinado, representando muito mais uma religiao (a druza) do que a ideologia. Muitos estudiosos de Oriente Medio analisam a politica libanesa e apontam o Hezbollah como o unico partido de verdade no paihs, por ser o unico com uma ideologia muito bem definida, a religiosa. Mesmo com os EUA tentando fazer de tudo para mostrar o contrario, ha muito tempo o Hezbollah deixou de ser uma milicia ou "organizacao terrorista", como americanos e israelenses gostam de dizer. Varios academicos tbm comparam hoje o Hezbollah aos movimentos comunistas/socialistas do seculo passado que de milicias armadas acabaram se transformando em partidos com forte acao social na comunidade e apoio da populacao local. Em seu discurso, Sheik Nasrallah rechacou qualquer tipo de acusacao ou ligacao entre o Hezbollah e o atentado, relembrando que o movimento tem seu unico e exclusivo dever de proteger o Libano no sul contra os isralenses.
O grande problema e que abre as portas para esse tipo de ataque eh que o Hezbollah tbm nao se opoe ao regime e ocupacao sirias, pq sao eles os seus maiores aliados e financiadores. Atraves da siria vem o apoio para lutar pela sua causa e uma vez enfraquecido o regime xiita sirio, o Hezbollah perde demais a forca na regiao. E a quem interessa isso? Provavelmente aos israelenses, que tiveram suas pretensoes pelas fontes abundandes de agua do vizinho de cima frustradas pela resistencia do Hezbollah. Um enfraquecimento dos governos de Siria e Libano representam uma vizinhanca mais do que amistosa para Israel. Em outras palavras, o assassinato de Hariri cai como uma luva para suas pretensoes.
Ao mesmo tempo, o Aman, o mais influente partido xiita do paihs, tbm continua calado, tendo apenas tomada a iniciativa simbolica de pedir o "cancelamento" da Achura, ritual do martirio celebrado pelos xiitas todos os anos. Mas como cancelar a Achura, mais importante data religiosa dos xiitas, eh como cancelar a pascoa para os catolicos, a Achura aconteceu da mesma forma em Nabatieh, sul do Libano, com presenca enorme da populacao xiita. Populacao esta que estah de luto e que provavelmente eh hj a mais amedrontada com toda a situacao. Uma perda de forcas no governo poderia trazer mais tensao para dentro do Libano, paihs onde quase metade da populacao eh xiita.
Na cidade de Nabatieh, sul do Libano, fieis xiitas participam do ritual da Achura, que simboliza o martirio na lembranca da morte de Hassan e Houssein
Muito se fala nos dias de hoje, mas pouco se sabe sobre qual serah o rumo que o paihs vai tomar. Mas levando em conta os acontecimento e se olhando um pouco mais a leste, onde se ve a maior embaixada americana do mundo, sendo contruida em Baghdad, preparada para abrigar cerca de 1800 funcionarios e a um custo de US$1.5 bilhoes, muita gente aposta um total controle americano da regiao, transformando o Libano em mais um membro da familia dos paises subservientes a force militar, politica e economica dos EUA. Basta saber se a complicada e agitada mescla etnica, religiosa e cultural do paihs vai estar de acordo ou se isso serah apenas o comeco de novos e delicados conflitos politicos e sociais.
Achura, em Nabatieh, sul do Libano
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005
Uma intifada pela independencia

A multidao reunida no centro de Beirute, pedindo a saida das tropas sirias do territorio libanes
"Em resposta a politica criminosa e terrorista das autoridades libanesas e sirias, a oposicao libanesa declara agora uma intifada democratica e pacifica pela independencia!" Foi com essa declaracao que um dos lideres da oposicao, Samir Frangia, encerrou seu discurso de convocacao da populacao para uma manifestacao de protesto contra a ocupacao Siria no paihs. A reuniao foi sabado, na casa do lider druzo Walid Jumblat, que tem sido a principal figura da oposicao nesse desenrolar pos-assassinato do ex-primeiro ministro. Apos dos 3 dias de luto oficial pelo atentado, que deixaram a populacao libanesa em choque e em silencio, essa reuniao serviu para ver que os animos estavam mudando.
A manifestacao, marcada para segunda-feira, acabou trazendo mais tensao e apreensao, extendendo o luto fim de semana a dentro. A as ruas cheias de vida da agitada vida noturna beirutana ficaram vazias, com restaurantes e casas noturnas fechados. Como eu havia previsto aqui apohs o assassinato, a oposicao libanesa que jah estava comecando a colocar as asas para fora antes do assassinato, agora seria ainda mais atrevida. Principalmente os critaos, que ateh ontem haviam se manifestado muito discretamente. Enquanto o clima ateh agora era de silencio e luto, em respeito da morte de Hariri, o Libano sabia que isso acabaria no comeco desta nova semana. Por fim vozes da populacao comecariam a ser ouvidas.
Quando cheguei ao predio da ONU ontem as 8h da manha, o centro de Beirute parecia estar pronto para uma batalha. Jipes, tanques, tropas de choque e militares fortemente armados com metralhadoras faziam guarda em cada esquina, numa imagem muito diferente do funeral, quando nao havia sequer um soldado. O medo que antes se via nos olhos da populacao agora estava estampado na cara do governo.

Grupo de soltados do batalhao de choque observa atenta os manifestantes
Liderada pelo movimento de juventude politica do paihs, a multidao comecou a se reunir em frente ao hotel Phoenicia Intercontinental, local do atentado. E exatamente ao meio dia comecou uma marcha de pouco mais de 1km ateh a Praca dos Martires, ao lado da mesquista em construcao onde estah enterrado Hariri. Os gritos de "Yala! Yala! Yala! Suria tlah bara!" (Siria vah embora!) podiam se ouvir a quarteiroes de distancia. Na marcha, lado a lado, druzos e cristaos, que durante anos foram inimigos mortais e que agora se viam juntos devido as circunstancias. Cenas inacreditaveis como a imagem de um maronita com a camisa das Forcas Libanesas (a milicia armada crista proibida no paihs) ao lado de uma bandeira do Partido Progressista Socialista se via por todos os lados. Havia na marcha tbm muitos armenios e sunnitas, mas estes ultimos sem muitas manifestacoes politicas. A maioria dos cerca de 10 mil manifestantes era de cristaos e druzos.

Rapaz com a camisa da milicia radical catolica maronita, Forcas Libanesas, proibida no paihs apos o fim da guerra
A manifestacao terminou bem, sem nenhuma violencia ou confusao. Nenhum ato de revolta alem dos gritos irados contra o governo e a ocupacao Siria, que praticamente ao mesmo tempo, anunciou de forma timida que vai retirar "gradualmente" suas tropas do paihs. Num encontro com o lider da Liga Arabe, Amr Mussa, o presidente sirio Bashar Al-Assad assegurou que estah preparado para cumprir com as obrigacoes do acordo de Taef, que pos fim a guerra do Libano e obrigava o governo Sirio a retirar em dois anos suas tropas do paihs. Enquanto isso nao acontece, tudo indica que manifestacoes como a de ontem tendem apenas a aumentar em numero, manifestantes, altura e, nunca se sabe, em atrevimento, pq a oposicao percebeu que a oportunidade eh essa e dificilmente vao deixa-la escapar.

Paz e moderacao
A multidao reunida no centro de Beirute, pedindo a saida das tropas sirias do territorio libanes
"Em resposta a politica criminosa e terrorista das autoridades libanesas e sirias, a oposicao libanesa declara agora uma intifada democratica e pacifica pela independencia!" Foi com essa declaracao que um dos lideres da oposicao, Samir Frangia, encerrou seu discurso de convocacao da populacao para uma manifestacao de protesto contra a ocupacao Siria no paihs. A reuniao foi sabado, na casa do lider druzo Walid Jumblat, que tem sido a principal figura da oposicao nesse desenrolar pos-assassinato do ex-primeiro ministro. Apos dos 3 dias de luto oficial pelo atentado, que deixaram a populacao libanesa em choque e em silencio, essa reuniao serviu para ver que os animos estavam mudando.
A manifestacao, marcada para segunda-feira, acabou trazendo mais tensao e apreensao, extendendo o luto fim de semana a dentro. A as ruas cheias de vida da agitada vida noturna beirutana ficaram vazias, com restaurantes e casas noturnas fechados. Como eu havia previsto aqui apohs o assassinato, a oposicao libanesa que jah estava comecando a colocar as asas para fora antes do assassinato, agora seria ainda mais atrevida. Principalmente os critaos, que ateh ontem haviam se manifestado muito discretamente. Enquanto o clima ateh agora era de silencio e luto, em respeito da morte de Hariri, o Libano sabia que isso acabaria no comeco desta nova semana. Por fim vozes da populacao comecariam a ser ouvidas.
Quando cheguei ao predio da ONU ontem as 8h da manha, o centro de Beirute parecia estar pronto para uma batalha. Jipes, tanques, tropas de choque e militares fortemente armados com metralhadoras faziam guarda em cada esquina, numa imagem muito diferente do funeral, quando nao havia sequer um soldado. O medo que antes se via nos olhos da populacao agora estava estampado na cara do governo.
Grupo de soltados do batalhao de choque observa atenta os manifestantes
Liderada pelo movimento de juventude politica do paihs, a multidao comecou a se reunir em frente ao hotel Phoenicia Intercontinental, local do atentado. E exatamente ao meio dia comecou uma marcha de pouco mais de 1km ateh a Praca dos Martires, ao lado da mesquista em construcao onde estah enterrado Hariri. Os gritos de "Yala! Yala! Yala! Suria tlah bara!" (Siria vah embora!) podiam se ouvir a quarteiroes de distancia. Na marcha, lado a lado, druzos e cristaos, que durante anos foram inimigos mortais e que agora se viam juntos devido as circunstancias. Cenas inacreditaveis como a imagem de um maronita com a camisa das Forcas Libanesas (a milicia armada crista proibida no paihs) ao lado de uma bandeira do Partido Progressista Socialista se via por todos os lados. Havia na marcha tbm muitos armenios e sunnitas, mas estes ultimos sem muitas manifestacoes politicas. A maioria dos cerca de 10 mil manifestantes era de cristaos e druzos.
Rapaz com a camisa da milicia radical catolica maronita, Forcas Libanesas, proibida no paihs apos o fim da guerra
A manifestacao terminou bem, sem nenhuma violencia ou confusao. Nenhum ato de revolta alem dos gritos irados contra o governo e a ocupacao Siria, que praticamente ao mesmo tempo, anunciou de forma timida que vai retirar "gradualmente" suas tropas do paihs. Num encontro com o lider da Liga Arabe, Amr Mussa, o presidente sirio Bashar Al-Assad assegurou que estah preparado para cumprir com as obrigacoes do acordo de Taef, que pos fim a guerra do Libano e obrigava o governo Sirio a retirar em dois anos suas tropas do paihs. Enquanto isso nao acontece, tudo indica que manifestacoes como a de ontem tendem apenas a aumentar em numero, manifestantes, altura e, nunca se sabe, em atrevimento, pq a oposicao percebeu que a oportunidade eh essa e dificilmente vao deixa-la escapar.
Paz e moderacao
Ainda hoje mais noticias atualizadas
O fim de semana cheio e agitado ainda com os desdobramentos do assassinato de Hariri, coincidindo com o feriado xiita da Achura me deixaram alguns dias sem escrever aqui, mas ainda hj atualizo o blog com mais noticias sobre o atentado e tbm sobre a Achura, a celebracao xiita do matirio, que acompanhei de perto no sul do Libano.
Texto e fotos vindo por aih...
O fim de semana cheio e agitado ainda com os desdobramentos do assassinato de Hariri, coincidindo com o feriado xiita da Achura me deixaram alguns dias sem escrever aqui, mas ainda hj atualizo o blog com mais noticias sobre o atentado e tbm sobre a Achura, a celebracao xiita do matirio, que acompanhei de perto no sul do Libano.
Texto e fotos vindo por aih...
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005
Reflexoes de um funeral

A multidao carrega o corpo do ex-primeiro ministro pelas ruas do centro de Berute
Algumas reflexoes e comentarios devem ser feitos apos esses 3 dias de luto decretados pelo governo libanes em memoria do ex-primeiro ministro Rafik Hariri, assassinado na segunda-feira. Principalmente pq muito do que chega aih no Brasil, assim como para o resto do mundo, acaba sendo uma exacerbacao da realidade, manipulada pela midia americana que joga conforme seu governo manda.
Falando da procissao e funeral de Hariri, algumas coisas me chamaram a atencao. A principal delas foi a licao de civilidade. Pelo caminho de mais ou menos 3 km desde sua casa em Hamra, regiao oeste de Beirute, ateh o centro da cidade, onde foi enterrado, havia sim soldados e policia, mas apenas monitorando o transito. Mas no centro da cidade, em volta da enorme mesquita que ele estava terminando de construir, nao havia nenhuma autoridade oficial do governo libanes. Imagine uma manifestacao de aproximadamente 20 mil pessoas, apos a morte de um de seus mais importantes lideres politicos, sem sequer um policial... Pois eh... foi isso que aconteceu e nenhuma confusao. Em meio a multidao, politicos dos mais importantes caminhando como cidadaos comuns, numa procissao de extremo respeito. Mas o que se viu foram apenas sunnitas e druzos caminhando, sem presenca de xiitas e cristaos que viram tudo das janelas ou pela televisao. Diferente do que os veiculos de comunicacao anunciaram, nao foram centenas de milhares e sim aproximadamente 20 mil pessoas.

O lider druzo de oposicao, Walid Jumblat, caminhando praticamente sem seguranca no meio da multidao. Seu pai foi tbm assassinado no fim da decade de 70, por um atentado orquestado pelo governo Sirio.
Melhor definicao do que respeito nao ha para explicar como foi a manha de ontem. Porque nao houve essa grande comocao nacional que a midia estah tentando criar. Hariri nunca foi um lider de massas... um homem popular. Era um empresario sagaz e impiedoso, que na opiniao de muitos nunca trabalhou para o Libano e sim para o seu proprio bolso, vendendo metade do paihs para os Sauditas. Mas ainda assim era respeitado, pois suas obras e influencia internacional trouxeram de volta os turistas e o dinheiro internacional, evitando a praticamente inevitavel recessao economica para o Libano. Era sunnita, mas era moderado e respeitado por todas as faccoes partidarias/reliosas libanesas como um homem de negocios e de extrema forca politica internacional para o paihs.
Entao ontem no funeral nao se viam pessoas chorando, emocionadas, clamando por vinganca como eh muito comum numa sociedade tao passional como a arabe. Havia sim um silencio de respeito por um crime que nao podia ser melhor calculado e executado no seu alvo, hora e maneira. A reacao americana contra a Siria foi imediata, bombardeando seus veiculos de comunicacao com uma exacerbacao da realidade, passando para o mundo um Libano que nao existiu nesses ultimos tres dias, ou seja, um Libano de revolta nas ruas, de populacao pedindo por vinganca, de protestos apaixonados, de estado de alerta. O Libano estah em luto e sua populacao assustada. Nas ruas DESERTAS desses 3 dias de feriado, com lojas fechadas, poucos carros circulando e um silencio impressionante.
Muito rapidos os americanos trataram de acusar a Siria pelo assassinato, clamando por uma intervencao internacional no Libano para ajudar nas retiradas das tropas Sirias. Em seguida, tomou uma das medidas diplomaticas mais serias antes de se romper relacoes com um paihs, que eh a retirada da embaixadora americana de Damasco. Em resposta, Siria e Iran trataram de se reunirem para oficializar sua coalizao contra qualquer ameaca internacional contra qualquer um dos dois paises, mostrando o quao seria a situacao pode chegar.
Enquanto isso, apohs o funeral, o silencio voltou as ruas de Beirute, fazendo a cidade voltar a ser essa cidade fantasma dos ultimos 3 dias... Enquanto os EUA tratam de criar o seu bafafa internacional, os libaneses estao calados... com medo. Medo da incerteza de um futuro que nao estah mais nas suas maos.
A multidao carrega o corpo do ex-primeiro ministro pelas ruas do centro de Berute
Algumas reflexoes e comentarios devem ser feitos apos esses 3 dias de luto decretados pelo governo libanes em memoria do ex-primeiro ministro Rafik Hariri, assassinado na segunda-feira. Principalmente pq muito do que chega aih no Brasil, assim como para o resto do mundo, acaba sendo uma exacerbacao da realidade, manipulada pela midia americana que joga conforme seu governo manda.
Falando da procissao e funeral de Hariri, algumas coisas me chamaram a atencao. A principal delas foi a licao de civilidade. Pelo caminho de mais ou menos 3 km desde sua casa em Hamra, regiao oeste de Beirute, ateh o centro da cidade, onde foi enterrado, havia sim soldados e policia, mas apenas monitorando o transito. Mas no centro da cidade, em volta da enorme mesquita que ele estava terminando de construir, nao havia nenhuma autoridade oficial do governo libanes. Imagine uma manifestacao de aproximadamente 20 mil pessoas, apos a morte de um de seus mais importantes lideres politicos, sem sequer um policial... Pois eh... foi isso que aconteceu e nenhuma confusao. Em meio a multidao, politicos dos mais importantes caminhando como cidadaos comuns, numa procissao de extremo respeito. Mas o que se viu foram apenas sunnitas e druzos caminhando, sem presenca de xiitas e cristaos que viram tudo das janelas ou pela televisao. Diferente do que os veiculos de comunicacao anunciaram, nao foram centenas de milhares e sim aproximadamente 20 mil pessoas.
O lider druzo de oposicao, Walid Jumblat, caminhando praticamente sem seguranca no meio da multidao. Seu pai foi tbm assassinado no fim da decade de 70, por um atentado orquestado pelo governo Sirio.
Melhor definicao do que respeito nao ha para explicar como foi a manha de ontem. Porque nao houve essa grande comocao nacional que a midia estah tentando criar. Hariri nunca foi um lider de massas... um homem popular. Era um empresario sagaz e impiedoso, que na opiniao de muitos nunca trabalhou para o Libano e sim para o seu proprio bolso, vendendo metade do paihs para os Sauditas. Mas ainda assim era respeitado, pois suas obras e influencia internacional trouxeram de volta os turistas e o dinheiro internacional, evitando a praticamente inevitavel recessao economica para o Libano. Era sunnita, mas era moderado e respeitado por todas as faccoes partidarias/reliosas libanesas como um homem de negocios e de extrema forca politica internacional para o paihs.
Entao ontem no funeral nao se viam pessoas chorando, emocionadas, clamando por vinganca como eh muito comum numa sociedade tao passional como a arabe. Havia sim um silencio de respeito por um crime que nao podia ser melhor calculado e executado no seu alvo, hora e maneira. A reacao americana contra a Siria foi imediata, bombardeando seus veiculos de comunicacao com uma exacerbacao da realidade, passando para o mundo um Libano que nao existiu nesses ultimos tres dias, ou seja, um Libano de revolta nas ruas, de populacao pedindo por vinganca, de protestos apaixonados, de estado de alerta. O Libano estah em luto e sua populacao assustada. Nas ruas DESERTAS desses 3 dias de feriado, com lojas fechadas, poucos carros circulando e um silencio impressionante.
Muito rapidos os americanos trataram de acusar a Siria pelo assassinato, clamando por uma intervencao internacional no Libano para ajudar nas retiradas das tropas Sirias. Em seguida, tomou uma das medidas diplomaticas mais serias antes de se romper relacoes com um paihs, que eh a retirada da embaixadora americana de Damasco. Em resposta, Siria e Iran trataram de se reunirem para oficializar sua coalizao contra qualquer ameaca internacional contra qualquer um dos dois paises, mostrando o quao seria a situacao pode chegar.
Enquanto isso, apohs o funeral, o silencio voltou as ruas de Beirute, fazendo a cidade voltar a ser essa cidade fantasma dos ultimos 3 dias... Enquanto os EUA tratam de criar o seu bafafa internacional, os libaneses estao calados... com medo. Medo da incerteza de um futuro que nao estah mais nas suas maos.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
O dia seguinte
Ruas desertas... comercio fechado... um clima de quarta-feira de cinzas. Assim amanheceu Beirute no dia seguinte ao atentado que matou 15 pessoas e deixou centenas de feridos.
Depois de quase duas semanas de tempo horrivel, ceu negro, frio e chuvas incessantes, Beirute finalmente acordou com o ceu azul... sol... um dia lindo, daqueles que voce vai ateh andando para o trabalho... que as pessoas se cumprimentam nas ruas... todo mundo de bom humor no escritorio.
Trabalho no 8o., o ultimo andar do edificio da ONU em Downtown Beirute, o centro reconstruido da capital, cheio de hoteis, edificios comerciais, restaurantes e casas noturnas... o coracao da nova Beirute, cidade turistica e principal destino para Sauditas, Emirados e demais turistas do Golfo.
Vai ver por estarmos no topo, sentimos o tremor tao forte... O estrondo, seguido de um abalo que durou aih seus 5 segundos, nos levou a crer que fosse algo no proprio edificio... gas provavelmente... Mas nos olhos das pessoas vc via o medo e a certeza de que tinha sido muito mais do que isso. Com a perna tremula, ainda sentia a forca da explosao na pele. Uma explosao abafada, diferente de qualquer outra que jah tinha ouvido... Na verdade foi uma explosao tao forte que nao se ouviu, se sentiu. Os telefones, fixos e celulares, mudos... O primeiro reflexo foi descer para andares mais baixos, mas como nenhum alarme foi dado pela fortissima seguranca do edificio, corremos para as janelas para tentar ver alguma coisa... tentar saber o que tinha se passado. Foi aih que comecaram a aparecer os primeiros carros de bombeiro e ambulancias... e tbm quando se ouvia os primeiros choros... e foi quando vimos, subindo por tras do parlamento, uma enorme nuvem negra de fumaca!
Sim... estava ali a certeza... depois de 15 anos, o terror havia voltado para a capital libanesa.
As primeiras instrucoes eram de nao deixar o edificio... Uma fortissima explosao tinha acabado de acontecer em frente ao hotel Phoenicia Intercontinental, um dos mais luxuosos da cidade, a 5 minutos da gente. Depois chega a noticia de que Rafik Hariri estava envolvido e que um de seus segurancas havia morrido. Poucos minutos depois chega a confirmacao da sua morte e de pelo menos mais 5 pessoas.
A esta hora o predio jah estava cercado de caminhoes do exercito e a seguranca triplicada... ao sair do edificio, todos os predios em volta com os vidros estilhacados. O barulho das sirenes ainda ecoam na minha cabeca... um misto de panico e frustracao no rosto de cada uma das pessoas que cruzava pelas ruas... E a imagem da destruicao, inacreditavel... um quarteirao inteiro dizimado e um buraco imenso no meio do asfalto.
Nao ha como explicar o tamanho da explosao... eh algo inemaginavel! Em toda a capital se sentiu o tremor... muita gente achou que era um terremoto... O poder de destruicao foi devastador: a forma mais facil de se ter certeza que um comboio de 10 carros fortemente blindados seriam mandados para o espaco.
A noite, a cidade estava deserta... todos em frente da TV, vendo a repercussao do mais terrivel ato de violencia no Libano desde o fim da guerra. A CNN dedicou 80% de seu espaco para o atentado, entrevistando toda a oposicao Libanesa e Siria ao redor do mundo. O que nao eh de se surpreender, levando em conta que este ataque cai como uma luva para as ambicoes americanas na regiao. Era tudo que os EUA queriam para desestabilizar de vez o governo Sirio e tomar o controle politico da Siria e, consequentemente, do Libano.
O grande problema disso eh que pode trazer um clima ainda maior do que o anterior de tensao e instabilidade entre governo e oposicao no Libano, levando a retaliacoes de ambos os lados, principalmente num momento delicado que precede as eleicoes parlamentares no paihs. Vao se ouvir mais vozes... se ver mais bandeiras... o reflexo sera numa oposicao cada vez mais forte e atrevida, tanto no Libano, quanto na Siria. E essa historia a gente jah conhece... quando se fala de situacao e oposicoes no Oriente Medio, falamos de religioes... aih jah era!
Dificilmente vamos saber quem foi o responsavel pelo ataque de ontem... e o dedo vai ser apontado em milheres de direcoes... Mas seja quem for, o estrago jah estah feito. E o Libano hoje amanheceu um paihs diferente do que era ontem. Para alguns, com medo, para outros, mais forte, mas para todos os libaneses ele amanheceu mais triste, com a lembranca viva de tempos que ninguem quer de volta, mas que infelizmente jah estao aqui!
Ruas desertas... comercio fechado... um clima de quarta-feira de cinzas. Assim amanheceu Beirute no dia seguinte ao atentado que matou 15 pessoas e deixou centenas de feridos.
Depois de quase duas semanas de tempo horrivel, ceu negro, frio e chuvas incessantes, Beirute finalmente acordou com o ceu azul... sol... um dia lindo, daqueles que voce vai ateh andando para o trabalho... que as pessoas se cumprimentam nas ruas... todo mundo de bom humor no escritorio.
Trabalho no 8o., o ultimo andar do edificio da ONU em Downtown Beirute, o centro reconstruido da capital, cheio de hoteis, edificios comerciais, restaurantes e casas noturnas... o coracao da nova Beirute, cidade turistica e principal destino para Sauditas, Emirados e demais turistas do Golfo.
Vai ver por estarmos no topo, sentimos o tremor tao forte... O estrondo, seguido de um abalo que durou aih seus 5 segundos, nos levou a crer que fosse algo no proprio edificio... gas provavelmente... Mas nos olhos das pessoas vc via o medo e a certeza de que tinha sido muito mais do que isso. Com a perna tremula, ainda sentia a forca da explosao na pele. Uma explosao abafada, diferente de qualquer outra que jah tinha ouvido... Na verdade foi uma explosao tao forte que nao se ouviu, se sentiu. Os telefones, fixos e celulares, mudos... O primeiro reflexo foi descer para andares mais baixos, mas como nenhum alarme foi dado pela fortissima seguranca do edificio, corremos para as janelas para tentar ver alguma coisa... tentar saber o que tinha se passado. Foi aih que comecaram a aparecer os primeiros carros de bombeiro e ambulancias... e tbm quando se ouvia os primeiros choros... e foi quando vimos, subindo por tras do parlamento, uma enorme nuvem negra de fumaca!
Sim... estava ali a certeza... depois de 15 anos, o terror havia voltado para a capital libanesa.
As primeiras instrucoes eram de nao deixar o edificio... Uma fortissima explosao tinha acabado de acontecer em frente ao hotel Phoenicia Intercontinental, um dos mais luxuosos da cidade, a 5 minutos da gente. Depois chega a noticia de que Rafik Hariri estava envolvido e que um de seus segurancas havia morrido. Poucos minutos depois chega a confirmacao da sua morte e de pelo menos mais 5 pessoas.
A esta hora o predio jah estava cercado de caminhoes do exercito e a seguranca triplicada... ao sair do edificio, todos os predios em volta com os vidros estilhacados. O barulho das sirenes ainda ecoam na minha cabeca... um misto de panico e frustracao no rosto de cada uma das pessoas que cruzava pelas ruas... E a imagem da destruicao, inacreditavel... um quarteirao inteiro dizimado e um buraco imenso no meio do asfalto.
Nao ha como explicar o tamanho da explosao... eh algo inemaginavel! Em toda a capital se sentiu o tremor... muita gente achou que era um terremoto... O poder de destruicao foi devastador: a forma mais facil de se ter certeza que um comboio de 10 carros fortemente blindados seriam mandados para o espaco.
A noite, a cidade estava deserta... todos em frente da TV, vendo a repercussao do mais terrivel ato de violencia no Libano desde o fim da guerra. A CNN dedicou 80% de seu espaco para o atentado, entrevistando toda a oposicao Libanesa e Siria ao redor do mundo. O que nao eh de se surpreender, levando em conta que este ataque cai como uma luva para as ambicoes americanas na regiao. Era tudo que os EUA queriam para desestabilizar de vez o governo Sirio e tomar o controle politico da Siria e, consequentemente, do Libano.
O grande problema disso eh que pode trazer um clima ainda maior do que o anterior de tensao e instabilidade entre governo e oposicao no Libano, levando a retaliacoes de ambos os lados, principalmente num momento delicado que precede as eleicoes parlamentares no paihs. Vao se ouvir mais vozes... se ver mais bandeiras... o reflexo sera numa oposicao cada vez mais forte e atrevida, tanto no Libano, quanto na Siria. E essa historia a gente jah conhece... quando se fala de situacao e oposicoes no Oriente Medio, falamos de religioes... aih jah era!
Dificilmente vamos saber quem foi o responsavel pelo ataque de ontem... e o dedo vai ser apontado em milheres de direcoes... Mas seja quem for, o estrago jah estah feito. E o Libano hoje amanheceu um paihs diferente do que era ontem. Para alguns, com medo, para outros, mais forte, mas para todos os libaneses ele amanheceu mais triste, com a lembranca viva de tempos que ninguem quer de volta, mas que infelizmente jah estao aqui!
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
Quando o terror olha nos seus olhos!

Estou bem, galera... ainda meio atordoado, mas bem! Dia negro... terrivel... o barulho da explosao ainda ecoa nos meus ouvidos... ainda faz balancar minhas pernas.
Nao dah pra explicar a sensacao... o barulho... aquele estrondo abafado que de tao forte nao se ouve, se sente na pele... Pensar que tudo aquilo que vc na TV acontecendo tao longe da sua realidade agora aconteceu a menos de 5 minutos de vc...
O barulho... o tremor... os vidros quebrados... o choro das mulheres... as sirenes...
Nao to afim de falar muito agora, soh dizer que tah tudo bem...
Estou bem, galera... ainda meio atordoado, mas bem! Dia negro... terrivel... o barulho da explosao ainda ecoa nos meus ouvidos... ainda faz balancar minhas pernas.
Nao dah pra explicar a sensacao... o barulho... aquele estrondo abafado que de tao forte nao se ouve, se sente na pele... Pensar que tudo aquilo que vc na TV acontecendo tao longe da sua realidade agora aconteceu a menos de 5 minutos de vc...
O barulho... o tremor... os vidros quebrados... o choro das mulheres... as sirenes...
Nao to afim de falar muito agora, soh dizer que tah tudo bem...
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005
Closer... FENOMENAL!
Nao me lembro de ter falado de cinema aqui no blog desde que cheguei em Beirute. Vai ver pq nao tinha sobre o que falar jah que, para a minha decepcao, numa sociedade totalmente influenciada pela Franca, nao ha sequer um cinema de arte... Fora alguns cineclubes muito selecionados e que soh agora estou comecando a encontrar, os cinemas passam longe do circuito de arte latino, asiatico ou europeu... O que se ve eh um festival de lixo americano.
Mas na ultima sexta-feira tive uma surpresa fantastica com a pelicula CLOSER, dirigido pelo veterano "adaptador" de pecas teatrais para cinema, Mike Nichols. Closer eh um filme sobre amor, mas um amor imperfeito, doente, longe do cor de rosa caracteriscos do cinemao americano... E longe tbm do perfil das estrelas que encararam este desafio de dialogos intensos e pesados, que te faz as vezes achar que estah numa peca de teatro. Sim... os protagonistas... FANTASTICOS! Que atuacoes... principalmente de Clive Owen, que faz um medico obsessivo e rancoroso.
Eh um filme fascinante sobre pessoas que merecem umas as outras... Um jogo de amor e odio onde pessoas brincam sem pudores com relacionamentos serios, mentindo em todos os aspectos exceto no desejo de ir pra cama com a mulher do outro!
Closer eh frio... articulista... machuca... incomoda... choca... mexe com aquilo que temos de mais negro e egoista em nossos sentimentos... por ser sobre gente real, imperfeita, deprimida, insegura, egoista... por falar de sexo sem pudores e por mostrar como o maior inimigo dos nossos relacionamentos e paixoes somos nohs mesmos, que quando obsecados, perdemos o controle!
O que faz CLOSER unico eh como ele soa perfeito para os dias de hoje, um mundo de superficialidade e egocentrismo. Onde as pessoas parecem entrar e sair de seus relacionamentos apenas apertando um botao, sem se preocupar com o sentimento alheio. E no fim do filme fica uma pergunta: serah que algum deles vive ou viveu algo alem do que seu proprio prazer? Serah que realmente havia um sentimento ou tudo que se vive eh uma grande enganacao e perda de tempo?
Palmas de peh para uma obra de arte do cinema americano, que vez ou outra guarda boas surpresas como esta!
Nao me lembro de ter falado de cinema aqui no blog desde que cheguei em Beirute. Vai ver pq nao tinha sobre o que falar jah que, para a minha decepcao, numa sociedade totalmente influenciada pela Franca, nao ha sequer um cinema de arte... Fora alguns cineclubes muito selecionados e que soh agora estou comecando a encontrar, os cinemas passam longe do circuito de arte latino, asiatico ou europeu... O que se ve eh um festival de lixo americano.
Mas na ultima sexta-feira tive uma surpresa fantastica com a pelicula CLOSER, dirigido pelo veterano "adaptador" de pecas teatrais para cinema, Mike Nichols. Closer eh um filme sobre amor, mas um amor imperfeito, doente, longe do cor de rosa caracteriscos do cinemao americano... E longe tbm do perfil das estrelas que encararam este desafio de dialogos intensos e pesados, que te faz as vezes achar que estah numa peca de teatro. Sim... os protagonistas... FANTASTICOS! Que atuacoes... principalmente de Clive Owen, que faz um medico obsessivo e rancoroso.
Eh um filme fascinante sobre pessoas que merecem umas as outras... Um jogo de amor e odio onde pessoas brincam sem pudores com relacionamentos serios, mentindo em todos os aspectos exceto no desejo de ir pra cama com a mulher do outro!
Closer eh frio... articulista... machuca... incomoda... choca... mexe com aquilo que temos de mais negro e egoista em nossos sentimentos... por ser sobre gente real, imperfeita, deprimida, insegura, egoista... por falar de sexo sem pudores e por mostrar como o maior inimigo dos nossos relacionamentos e paixoes somos nohs mesmos, que quando obsecados, perdemos o controle!
O que faz CLOSER unico eh como ele soa perfeito para os dias de hoje, um mundo de superficialidade e egocentrismo. Onde as pessoas parecem entrar e sair de seus relacionamentos apenas apertando um botao, sem se preocupar com o sentimento alheio. E no fim do filme fica uma pergunta: serah que algum deles vive ou viveu algo alem do que seu proprio prazer? Serah que realmente havia um sentimento ou tudo que se vive eh uma grande enganacao e perda de tempo?
Palmas de peh para uma obra de arte do cinema americano, que vez ou outra guarda boas surpresas como esta!
terça-feira, 8 de fevereiro de 2005
Som: Ben Harper - "With my own two hands"
I can change the world
With my own two hands
Make a better place
With my own two hands
Make a kinder place
With my own two hands
With my own
With my own two hands
I can make peace on earth
With my own two hands
I can clean up the earth
With my own two hands
I can reach out to you
With my own two hands
With my own
With my own two hands
I’m gonna make it a brighter place
I’m gonna make it a safer place
I’m gonna help the human race
With my own
With my own two hands
I can hold you
With my own two hands
I can comfort you
With my own two hands
But you got to use
Use your own two hands
Use your own
Use your own two hands
Tire a bunda da poltrona e faca alguma coisa!
I can change the world
With my own two hands
Make a better place
With my own two hands
Make a kinder place
With my own two hands
With my own
With my own two hands
I can make peace on earth
With my own two hands
I can clean up the earth
With my own two hands
I can reach out to you
With my own two hands
With my own
With my own two hands
I’m gonna make it a brighter place
I’m gonna make it a safer place
I’m gonna help the human race
With my own
With my own two hands
I can hold you
With my own two hands
I can comfort you
With my own two hands
But you got to use
Use your own two hands
Use your own
Use your own two hands
Tire a bunda da poltrona e faca alguma coisa!
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005
Vida nova em Beirute!
Ouvindo "Golden Road", do Keith Urban, essa semana terminei meu primeiro semestre do mestrado. Em sete meses aqui no Libano e depois desses 6 primeiros meses de mestrado, me olho no espelho e vejo um cara completamente diferente daquele que aqui chegou cheio de incertezas e curiosidade. A curiosidade continua, mas o aprendizado academico, a saudade e as licoes de vidas estao fazendo desta uma experiencia fantastica e sem precedentes na minha vida. Quem me conhece e convive comigo sabe o quanto os ultimos dois anos foram dificeis e ao mesmo tempo excenciais, como uma especie de ritual de preparacao, para encarar esses novos desafios aqui do outro lado do mundo. Hoje sou muito mais cascudo do que era quando terminei a faculdade, ha quase 3 anos, um molecao cheio de energia, mas que nao sabia muito bem controla-la.
Desses primeiros 6 meses de mestrado, tirei algumas licoes que vao me ajudar para o proximo ano e meio que ainda me falta. A mais importante delas eh que devo focalizar melhor meu campo de estudo... Deixei as coisas um pouco soltas e no final, me vi tendo que estudar tres topicos completamente diferentes e nao podendo tirar o proveito que gostaria de nenhum deles. Como jah decidi que minha tese serah sobre minorias religiosas no Oriente Medio, a partir de marco foco todas as materias nesse tema.
Mas estou feliz com os resultados... mais importante eh a mescla da experiencia academica com a de vida. E a segunda estah sendo fantastica, aliada com a profissional aqui na ONU. Meu novo ape em Acharafie, uma especie de "Ipanema" de Beirute, eh excelente e meus companheiros espanhois muito legais. Ulys e Guti, vcs iriam ficar orgulhosos do meu espanhol! hahahha
Decidi que vou compar mesmo uma moto e estou buscando agora, enquanto eh inverno e os precos estao baixos... Acho que vai dar pra comprar uma bem bacana por uma boa barganha. Carro em Beirute eh roubada! Transito caotico, engarrafamentos e escasses de vagas, alem da cidade ser minuscula e ser tudo muito perto. Uma moto eh a opcao perfeita.
Morar em Beirute eh caro e ha de se ter controle constante dos gastos, pq em um pub aqui e outro ali, seu dinheiro some. Mas o contato com a cidade, com a noite e com os inumeros gringos que aqui vivem, como eu, estudando e trabalhando em organizacoes humanitarias, eh fantastico. Principalmente pq nao eh qualquer um que larga sua vida na Europa pra vir para o Oriente Medio... ha de se ter um minimo de ideologia, o que torna os papos sempre em discussoes socio-politicas riquissimas, quase sempre sobre a famosa Doutrina Bush para o Oriente Medio e qual serah o futuro da regiao nos proximos 4 anos de mandato.
Algumas pessoas me perguntam e ateh brincam comigo por estar falando muito de country music nos ultimos meses e o que eu sempre tento explicar acabei vendo no filme sobre a vida de Ray Charles essa semana. Quando perguntaram para o velho Ray pq ele gostava de country, ele disse mais ou menos "porque as letras sao lindas, sempre sobre pessoas e sobre como encontrar a felicidade nas pequenas coisas". E eu acho que isso tudo tem muito a ver com a forma que estou vendo minha vida e valorizando minhas raizes nos ultimos meses... repassando filmes da minha historia e dando muito mais valor a coisas que nao dava muito ha pouco tempo atras. Por isso que, quando caminho sozinho pelas ruas de Beirute, meu walkman toca musicas como esta abaixo:
"And the sun is shinin'
This road keeps windin'
Through the prettiest country
From Georgia to Tennessee
And I got the one I love beside me
My troubles behind me
I'm alive and I'm free
Who wouldn't wanna be me"
Porque essas palavras resumem meu estado de espirito...
Ouvindo "Golden Road", do Keith Urban, essa semana terminei meu primeiro semestre do mestrado. Em sete meses aqui no Libano e depois desses 6 primeiros meses de mestrado, me olho no espelho e vejo um cara completamente diferente daquele que aqui chegou cheio de incertezas e curiosidade. A curiosidade continua, mas o aprendizado academico, a saudade e as licoes de vidas estao fazendo desta uma experiencia fantastica e sem precedentes na minha vida. Quem me conhece e convive comigo sabe o quanto os ultimos dois anos foram dificeis e ao mesmo tempo excenciais, como uma especie de ritual de preparacao, para encarar esses novos desafios aqui do outro lado do mundo. Hoje sou muito mais cascudo do que era quando terminei a faculdade, ha quase 3 anos, um molecao cheio de energia, mas que nao sabia muito bem controla-la.
Desses primeiros 6 meses de mestrado, tirei algumas licoes que vao me ajudar para o proximo ano e meio que ainda me falta. A mais importante delas eh que devo focalizar melhor meu campo de estudo... Deixei as coisas um pouco soltas e no final, me vi tendo que estudar tres topicos completamente diferentes e nao podendo tirar o proveito que gostaria de nenhum deles. Como jah decidi que minha tese serah sobre minorias religiosas no Oriente Medio, a partir de marco foco todas as materias nesse tema.
Mas estou feliz com os resultados... mais importante eh a mescla da experiencia academica com a de vida. E a segunda estah sendo fantastica, aliada com a profissional aqui na ONU. Meu novo ape em Acharafie, uma especie de "Ipanema" de Beirute, eh excelente e meus companheiros espanhois muito legais. Ulys e Guti, vcs iriam ficar orgulhosos do meu espanhol! hahahha
Decidi que vou compar mesmo uma moto e estou buscando agora, enquanto eh inverno e os precos estao baixos... Acho que vai dar pra comprar uma bem bacana por uma boa barganha. Carro em Beirute eh roubada! Transito caotico, engarrafamentos e escasses de vagas, alem da cidade ser minuscula e ser tudo muito perto. Uma moto eh a opcao perfeita.
Morar em Beirute eh caro e ha de se ter controle constante dos gastos, pq em um pub aqui e outro ali, seu dinheiro some. Mas o contato com a cidade, com a noite e com os inumeros gringos que aqui vivem, como eu, estudando e trabalhando em organizacoes humanitarias, eh fantastico. Principalmente pq nao eh qualquer um que larga sua vida na Europa pra vir para o Oriente Medio... ha de se ter um minimo de ideologia, o que torna os papos sempre em discussoes socio-politicas riquissimas, quase sempre sobre a famosa Doutrina Bush para o Oriente Medio e qual serah o futuro da regiao nos proximos 4 anos de mandato.
Algumas pessoas me perguntam e ateh brincam comigo por estar falando muito de country music nos ultimos meses e o que eu sempre tento explicar acabei vendo no filme sobre a vida de Ray Charles essa semana. Quando perguntaram para o velho Ray pq ele gostava de country, ele disse mais ou menos "porque as letras sao lindas, sempre sobre pessoas e sobre como encontrar a felicidade nas pequenas coisas". E eu acho que isso tudo tem muito a ver com a forma que estou vendo minha vida e valorizando minhas raizes nos ultimos meses... repassando filmes da minha historia e dando muito mais valor a coisas que nao dava muito ha pouco tempo atras. Por isso que, quando caminho sozinho pelas ruas de Beirute, meu walkman toca musicas como esta abaixo:
"And the sun is shinin'
This road keeps windin'
Through the prettiest country
From Georgia to Tennessee
And I got the one I love beside me
My troubles behind me
I'm alive and I'm free
Who wouldn't wanna be me"
Porque essas palavras resumem meu estado de espirito...
domingo, 23 de janeiro de 2005
Som: Uncle Kracker - In a little while
Here’s to the good life or so they say
All those parties and games that all those people play
They tell me this is the place to be
All these beautiful people and nothin’ to see
Sometimes I feel like something is gone here
Something is wrong here, I don’t belong here
Sometimes I feel like a stranger in town
And I’ve lost what I found, it’ll all turn around
In a little while I’ll be thinkin’ about you
In a little while I’ll still be here without you
You never gave me a reason to doubt you
In a little while I’ll be thinkin’ about you baby...I’ll be thinkin’ about you baby
On the other side of a coin
There’s a face there’s a memory somewhere that I can’t erase
And there’s a place that I find someday
But sometimes I feel like it’s slippin’ away
Some things are lost some left behind
Some things are better left for someone else to find
Maybe in time I can finally see
I just wonder, wonder if you think about me
In a little while I’ll be thinkin’ about you
In a little while I’ll still be here without you
You never gave me a reason to doubt you
In a little while I’ll be thinkin’ about you baby...I’ll be thinkin’ about you baby
Here’s to the good life or so they say
All those parties and games that all those people play
They tell me this is the place to be
All these beautiful people and nothin’ to see
Sometimes I feel like something is gone here
Something is wrong here, I don’t belong here
Sometimes I feel like a stranger in town
And I’ve lost what I found, it’ll all turn around
In a little while I’ll be thinkin’ about you
In a little while I’ll still be here without you
You never gave me a reason to doubt you
In a little while I’ll be thinkin’ about you baby...I’ll be thinkin’ about you baby
On the other side of a coin
There’s a face there’s a memory somewhere that I can’t erase
And there’s a place that I find someday
But sometimes I feel like it’s slippin’ away
Some things are lost some left behind
Some things are better left for someone else to find
Maybe in time I can finally see
I just wonder, wonder if you think about me
In a little while I’ll be thinkin’ about you
In a little while I’ll still be here without you
You never gave me a reason to doubt you
In a little while I’ll be thinkin’ about you baby...I’ll be thinkin’ about you baby
terça-feira, 18 de janeiro de 2005
Cala a boca, Magda!
Durante toda a semana passada eu vi, ouvi e li os mais diversos especialistas em futebol americano darem suas previsoes sobre a "partida do ano", Indianapolis Colts x New England Patriots, pelas quartas-de-final da Liga Profissional dos EUA - NFL.
O coro era quase unissono em apontar o Colts como disparado favorito, exaltando seu sensacional ataque e dizendo que finalmente a sina de nunca ter vencido os Patriots e o trauma da semifinal do ano passado acabariam. Para os especialistas, o campeao New England, com varios desfalques em sua defesa, nao seria pareo para os Colts, nem mesmo em seu ataque. A aposta para decepcao do fim de semana era praticamente unanime: o quarterback do Patriots, Tom Brady, estaria destinado a fracassar pela primeira vez em jogos semifinais.
Mas a resposta dos campeoes da NFL veio dentro de campo, com uma atuacao de gala tanto de sua desfalcada defesa, que nao permitiu nenhum touchdown do recordista ataque de Indianapolis, quanto do ataque "patriotico", que soubre cadenciar a partida e contou com as decisoes e passes sempre corretos de Brady.
Eu havia dito aqui semana passada que antes de vencer os Patriots, Payton Manning e cia tinham que vencer seus medos... sua inseguranca. Mas em vez de jogarem seu jogo agressivo e rapido, que lhe rendeu varios recordes ofensivos quebrados, o Colts entrou em campo com um "excessivo respeito" pelo adversario... ou seja... TREMERAM! E vendo a inseguranca nos olhos de seus rivais, a defesa do Patriots foi genial em jogar na marcacao recuada, atacando os recebedores do Colts e nao a bola. E os tremendos e impiedosos impactos levaram a uma sucessao de passes incompletos e pequenos ganhos, evitando assim os chamados "big plays", jogadas rapidas e de profundidade caracteristicos de Payton Manning.
Jah o ataque do Patriots esteve brilhante em seu plano de jogo. Valorizando a posse de bola como poucas vezes eu vi num jogo decisivo como esse, o Patriots variou seus jogos de corrida e passes curtos com uma paciencia magestral, encolouquecendo e tirando completamente o ritmo da defesa oponente. O resultado foi uma diferenca de quase 15 minutos a mais de posse de bola para o Patriots.
E o grande responsavel foi mais uma vez o tecnico Bill Bellichick, provavelmente o melhor tecnico de planejamento de jogo da historia da NFL. Nunca conheceu-se alguem com tamanha capacidade de transformar e adaptar seu time para as mais diversas situacoes. Impressionante o controle que Billy tem pelos seus comandados. Coisa de outro mundo. Pra quem nao gosta ou conhece muito futebol americano, o jogo de domingo deve ter sido um saco, pois o Patriots jogou feio... jogou para ganhar! Mas para os amantes desse esporte fabuloso, a partida foi uma verdadeira aula de como se jogar futebol americano cerebral... de resultados!
O Patriots enfrenta o Pittsburgh Steelers, na casa do adversario, proximo fim de semana, nessa que sim, serah a melhor partida do ano, entre os dois melhores times da NFL. E o vencedor leva facil o Superbowl.
Durante toda a semana passada eu vi, ouvi e li os mais diversos especialistas em futebol americano darem suas previsoes sobre a "partida do ano", Indianapolis Colts x New England Patriots, pelas quartas-de-final da Liga Profissional dos EUA - NFL.
O coro era quase unissono em apontar o Colts como disparado favorito, exaltando seu sensacional ataque e dizendo que finalmente a sina de nunca ter vencido os Patriots e o trauma da semifinal do ano passado acabariam. Para os especialistas, o campeao New England, com varios desfalques em sua defesa, nao seria pareo para os Colts, nem mesmo em seu ataque. A aposta para decepcao do fim de semana era praticamente unanime: o quarterback do Patriots, Tom Brady, estaria destinado a fracassar pela primeira vez em jogos semifinais.
Mas a resposta dos campeoes da NFL veio dentro de campo, com uma atuacao de gala tanto de sua desfalcada defesa, que nao permitiu nenhum touchdown do recordista ataque de Indianapolis, quanto do ataque "patriotico", que soubre cadenciar a partida e contou com as decisoes e passes sempre corretos de Brady.
Eu havia dito aqui semana passada que antes de vencer os Patriots, Payton Manning e cia tinham que vencer seus medos... sua inseguranca. Mas em vez de jogarem seu jogo agressivo e rapido, que lhe rendeu varios recordes ofensivos quebrados, o Colts entrou em campo com um "excessivo respeito" pelo adversario... ou seja... TREMERAM! E vendo a inseguranca nos olhos de seus rivais, a defesa do Patriots foi genial em jogar na marcacao recuada, atacando os recebedores do Colts e nao a bola. E os tremendos e impiedosos impactos levaram a uma sucessao de passes incompletos e pequenos ganhos, evitando assim os chamados "big plays", jogadas rapidas e de profundidade caracteristicos de Payton Manning.
Jah o ataque do Patriots esteve brilhante em seu plano de jogo. Valorizando a posse de bola como poucas vezes eu vi num jogo decisivo como esse, o Patriots variou seus jogos de corrida e passes curtos com uma paciencia magestral, encolouquecendo e tirando completamente o ritmo da defesa oponente. O resultado foi uma diferenca de quase 15 minutos a mais de posse de bola para o Patriots.
E o grande responsavel foi mais uma vez o tecnico Bill Bellichick, provavelmente o melhor tecnico de planejamento de jogo da historia da NFL. Nunca conheceu-se alguem com tamanha capacidade de transformar e adaptar seu time para as mais diversas situacoes. Impressionante o controle que Billy tem pelos seus comandados. Coisa de outro mundo. Pra quem nao gosta ou conhece muito futebol americano, o jogo de domingo deve ter sido um saco, pois o Patriots jogou feio... jogou para ganhar! Mas para os amantes desse esporte fabuloso, a partida foi uma verdadeira aula de como se jogar futebol americano cerebral... de resultados!
O Patriots enfrenta o Pittsburgh Steelers, na casa do adversario, proximo fim de semana, nessa que sim, serah a melhor partida do ano, entre os dois melhores times da NFL. E o vencedor leva facil o Superbowl.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2005
Diplomacia Analfabeta
Ao ler os jornais brasileiros pela internet hj de manha, me deparei com uma noticia que me chocou.
Quase nao acreditei quando vi o nosso ministro das relacoes exteriores, Dr. Celso Amorim, defendendo nos EUA a decisao do governo de nao mais considerar eliminatoria a prova de ingles para a seleçao de futuros diplomatas. E, como se nao bastasse, ainda fazendo questao de discursar em espanhol e dar as entrevistas em francês.
Nao sei o que eh mais ridiculo, a decisao do governo ou a postura de adolecente rebelde do nosso ministro.
A decisao eh tao absurda que eh quase surreal pensar numa diplomacia brasileira analfabeta na lingua universal dos negocios, informacoes e ciencias do mundo moderno.
Um antiamericanismo bobo e infantil que pode causar um serio estrago a diplomacia brasileira.
Ao ler os jornais brasileiros pela internet hj de manha, me deparei com uma noticia que me chocou.
Quase nao acreditei quando vi o nosso ministro das relacoes exteriores, Dr. Celso Amorim, defendendo nos EUA a decisao do governo de nao mais considerar eliminatoria a prova de ingles para a seleçao de futuros diplomatas. E, como se nao bastasse, ainda fazendo questao de discursar em espanhol e dar as entrevistas em francês.
Nao sei o que eh mais ridiculo, a decisao do governo ou a postura de adolecente rebelde do nosso ministro.
A decisao eh tao absurda que eh quase surreal pensar numa diplomacia brasileira analfabeta na lingua universal dos negocios, informacoes e ciencias do mundo moderno.
Um antiamericanismo bobo e infantil que pode causar um serio estrago a diplomacia brasileira.
terça-feira, 11 de janeiro de 2005
Mais uma vez Robert Fisk
Quando eu jah estava achando que ele estava calado demais, me reaparece Robert Fisk com um artigo fenomenal sobre a ocupacao siria no Libano, que eu fiz questao de traduzir e disponibilizo abaixo pra vcs!
De repente, um novo debate em Beirute: pode a Siria manter o controle sobre o Libano e ao mesmo tempo condenar Israel?
Por Robert Fisk – The Independent – 7 de Janeiro de 2005
Nunca antes isso aconteceu no Libano. Desde que o exercito Sirio entrou no pais a pedido dos Catolicos Maronitas Libaneses, em 1976 – apenas um ano apos o inicio da Guerra Civil que durou 15 anos – nunca houve um debate publico sobre a presenca dos milhares de soldados sirios aqui, muito menos sobre a sufocante pressao politica exercida por Damasco para manter seu controle sobre o governo Libanes. Mas a resolucao 1559 lancada pela ONU no ano passado ordenando a retirada das tropas extrangeiras do pais, alem de uma serie de medidas agressivas tomadas pelos Estados Unidos contra a Siria, mudaram esse cenario, trazendo um clima de recentimento e debates. Ateh Walid Jumblatt, lider Druzo e um dos maiores aliados da Siria, agora diz que o Libano eh o ultimo “Pais Satelite” do mundo.
Os libaneses estao em choque. Eles sabem que Israel estah por traz dos recentes passeios do neo-conservador americano Richard Armitage, que ordena a retirada siria e o desarmamento da milicia anti-israelita Hizbollah, tem em grande parte uma mao de Israel. A enfraquecida Siria, sem nenhuma “forca anti-israelita” na sua fronteira, agora tenta fazer de tudo para agradar os EUA no Iraque e seu aliado Israel.
O suposto apoio sirio as forcas insurgentes iraquianas tem uma ironia em especial. Foi a alianca entre o rebelde libanes General Michel Aoun com Saddan Hussein que, em 1990, levou os EUA a apoiarem a Siria na destruicao de suas bases e aliados no Libano.
Mas o controle da Siria se tornou uma vociferacao tao cansativa quanto a dominacao Sovietica no Tratado de Varsovia. E as sucessivas tentativas do presidente pro-Siria Emile Lahoud para extender seu mandato foram demais. Os jornais libaneses, que antes deixavam suas criticas para as agencias internacionais, comecaram a dedicar seus editoriais as suspeitas contra Damasco de uma forma que chocou a Siria e muitos de seus leitores. “Damasco deve rever suas politicas sobre o Libano” ordenou o Daily Star. No dia 13 de dezembro, no assim chamado “Forum Democratico” que inclui Cristaos, Esquerdistas e o partido Druzo de Jumblatt, foi denunciada a interferencia “das forces de inteligencia sirias e libanesas para transformar o Libano num estado controlado pelo paihs vizinho”.
Quase que imediatamente, os oficiais do Mukhabrat, servico de inteligencia sirio, fecharam seu escritorio em Beirute e as tropas sirias nas montanhas em volta da cidade foram realocadas. A presenca siria nunca foi tao permiciosa quanto a ocupacao israelente no sul do pais, que acabou e 2000, mas a comunidade Maronita – que falhou na luta contra ambas as invasoes insraelense (1978 e 1982) – ha muito tenta liderar o pais contra o dominio sirio. Os contates reclames e tentativas de fazer com que Israel ceda as resolucoes da ONU, principalmente a 242 que ordena a retirada das tropas israelenses de West Bank e Gaza fazem da situacao ainda mais conplicada e perigosa. Pode a Siria querer obrigar Israel a seguir as resolucoes da ONU enquanto ignora a 1559? Ha muitos que acreditam que o jovem presidente Bashar Assad na tem nocao do quao serias sao as reividicoes libanesas e a resolucao da ONU para retirada das tropas Sirias.
Maronitas sugerem que o verdadeiro poder por tras do controle sirio no pais nao eh exercido pelo presidente e sim pelo chefe do servico de inteligencia sirio, General Rustom Ghazali. Os agents sirios andam facilmente no pais entre os quase um milhao de “trabalhadores convidados” sirios no Libano, mas os libaneses tem memoria longa.
O pai de Walid Jumblatt, Kamal, resistiu ao assedio sirio no comeco da Guerra civil efoi assassinado. Amigo pessoal do Sr. Kamal, Marwan Hamade, foi alvo de um ataque a bomba em novembro do ano passado. Ele sobreviveu, mas um guarda-costas foi morto.
A vida politica libanesa pode parecer para muitos Bizantina, ateh mesmo chata, mas as vezes pode mortal para seus participantes.
Quando eu jah estava achando que ele estava calado demais, me reaparece Robert Fisk com um artigo fenomenal sobre a ocupacao siria no Libano, que eu fiz questao de traduzir e disponibilizo abaixo pra vcs!
De repente, um novo debate em Beirute: pode a Siria manter o controle sobre o Libano e ao mesmo tempo condenar Israel?
Por Robert Fisk – The Independent – 7 de Janeiro de 2005
Nunca antes isso aconteceu no Libano. Desde que o exercito Sirio entrou no pais a pedido dos Catolicos Maronitas Libaneses, em 1976 – apenas um ano apos o inicio da Guerra Civil que durou 15 anos – nunca houve um debate publico sobre a presenca dos milhares de soldados sirios aqui, muito menos sobre a sufocante pressao politica exercida por Damasco para manter seu controle sobre o governo Libanes. Mas a resolucao 1559 lancada pela ONU no ano passado ordenando a retirada das tropas extrangeiras do pais, alem de uma serie de medidas agressivas tomadas pelos Estados Unidos contra a Siria, mudaram esse cenario, trazendo um clima de recentimento e debates. Ateh Walid Jumblatt, lider Druzo e um dos maiores aliados da Siria, agora diz que o Libano eh o ultimo “Pais Satelite” do mundo.
Os libaneses estao em choque. Eles sabem que Israel estah por traz dos recentes passeios do neo-conservador americano Richard Armitage, que ordena a retirada siria e o desarmamento da milicia anti-israelita Hizbollah, tem em grande parte uma mao de Israel. A enfraquecida Siria, sem nenhuma “forca anti-israelita” na sua fronteira, agora tenta fazer de tudo para agradar os EUA no Iraque e seu aliado Israel.
O suposto apoio sirio as forcas insurgentes iraquianas tem uma ironia em especial. Foi a alianca entre o rebelde libanes General Michel Aoun com Saddan Hussein que, em 1990, levou os EUA a apoiarem a Siria na destruicao de suas bases e aliados no Libano.
Mas o controle da Siria se tornou uma vociferacao tao cansativa quanto a dominacao Sovietica no Tratado de Varsovia. E as sucessivas tentativas do presidente pro-Siria Emile Lahoud para extender seu mandato foram demais. Os jornais libaneses, que antes deixavam suas criticas para as agencias internacionais, comecaram a dedicar seus editoriais as suspeitas contra Damasco de uma forma que chocou a Siria e muitos de seus leitores. “Damasco deve rever suas politicas sobre o Libano” ordenou o Daily Star. No dia 13 de dezembro, no assim chamado “Forum Democratico” que inclui Cristaos, Esquerdistas e o partido Druzo de Jumblatt, foi denunciada a interferencia “das forces de inteligencia sirias e libanesas para transformar o Libano num estado controlado pelo paihs vizinho”.
Quase que imediatamente, os oficiais do Mukhabrat, servico de inteligencia sirio, fecharam seu escritorio em Beirute e as tropas sirias nas montanhas em volta da cidade foram realocadas. A presenca siria nunca foi tao permiciosa quanto a ocupacao israelente no sul do pais, que acabou e 2000, mas a comunidade Maronita – que falhou na luta contra ambas as invasoes insraelense (1978 e 1982) – ha muito tenta liderar o pais contra o dominio sirio. Os contates reclames e tentativas de fazer com que Israel ceda as resolucoes da ONU, principalmente a 242 que ordena a retirada das tropas israelenses de West Bank e Gaza fazem da situacao ainda mais conplicada e perigosa. Pode a Siria querer obrigar Israel a seguir as resolucoes da ONU enquanto ignora a 1559? Ha muitos que acreditam que o jovem presidente Bashar Assad na tem nocao do quao serias sao as reividicoes libanesas e a resolucao da ONU para retirada das tropas Sirias.
Maronitas sugerem que o verdadeiro poder por tras do controle sirio no pais nao eh exercido pelo presidente e sim pelo chefe do servico de inteligencia sirio, General Rustom Ghazali. Os agents sirios andam facilmente no pais entre os quase um milhao de “trabalhadores convidados” sirios no Libano, mas os libaneses tem memoria longa.
O pai de Walid Jumblatt, Kamal, resistiu ao assedio sirio no comeco da Guerra civil efoi assassinado. Amigo pessoal do Sr. Kamal, Marwan Hamade, foi alvo de um ataque a bomba em novembro do ano passado. Ele sobreviveu, mas um guarda-costas foi morto.
A vida politica libanesa pode parecer para muitos Bizantina, ateh mesmo chata, mas as vezes pode mortal para seus participantes.
Agora eh pra valer!
A Liga de Futebol Americano Profissional dos EUA - NFL - chega as quartas-de-final neste fim de semana, com algumas excelentes supresas.
A maior de todas vem da converencia Americana. Eh o Pittsburgh Steelers, um dos mais tradicionais times dos Estados Unidos e melhor time do ano durante a temporada regular. Invicto a 14 rodadas, o Steelers vem fazendo uma campanha fantastica comandado pelo jovem e genial quarterback Ben Roethlisberger. Quem deve encarar Pittsburgh na seminal deve ser o atual campeao, New England Patriots, que parece estar mais forte que no ano passado, mas que teve sua invencibilidade recorde interrompida pelo mesmo Pittsburgh Steelers. Mas antes o Patriots tem que provar mais uma vez que sua defesa eh mesmo capaz de parar o fantastico ataque do Indianapolis Colts. A sina do Colts e seu quarterback, Payton Manning (provavelmente o melhor em atividade) eh ter que encarar o New England na neve de Foxboro. Antes de pensar em vencer o Patriots, o time de Indianapolis tem que pensar em vencer os proprios medos e as lembrancas dos recentes fracassos, para nao se deixar dominar novamente pelos traumas e pelo clima de tensao e hostilidade que deixam o Patriots ainda mais forte jogando em casa. O ultimo dos quatro times eh o New York Jets, que parece nao oferecer risco algum contra o Steelers, proximo sabado.
Do outro lado, na conferencia Nacional, estao o Philadelphia Eagles, Atlanta Hawks e o Minnesota Vikings, tres times fortes e parelhos, mas que eu nao apostaria num possivel encontro contra Patriots ou Steelers no Superbowl. No encontro entre Eagles e Vikings, eu aposto no time de Minnesota que conta com seu ataque poderoso completo e incendiado, com o recebedor Randy Moss e o quarterback Daunte Culpepper, enquanto o Eagles nao vai contar com seu principal recebedor, a estrela Terrel Owens. Jah o Atlanta, comandado por Michael Vick, tem um trabalho teoricamente mais facil contra o St. Louis Rams.
Nos proximos sabado e domingo... vale a pena conferir!
A Liga de Futebol Americano Profissional dos EUA - NFL - chega as quartas-de-final neste fim de semana, com algumas excelentes supresas.
A maior de todas vem da converencia Americana. Eh o Pittsburgh Steelers, um dos mais tradicionais times dos Estados Unidos e melhor time do ano durante a temporada regular. Invicto a 14 rodadas, o Steelers vem fazendo uma campanha fantastica comandado pelo jovem e genial quarterback Ben Roethlisberger. Quem deve encarar Pittsburgh na seminal deve ser o atual campeao, New England Patriots, que parece estar mais forte que no ano passado, mas que teve sua invencibilidade recorde interrompida pelo mesmo Pittsburgh Steelers. Mas antes o Patriots tem que provar mais uma vez que sua defesa eh mesmo capaz de parar o fantastico ataque do Indianapolis Colts. A sina do Colts e seu quarterback, Payton Manning (provavelmente o melhor em atividade) eh ter que encarar o New England na neve de Foxboro. Antes de pensar em vencer o Patriots, o time de Indianapolis tem que pensar em vencer os proprios medos e as lembrancas dos recentes fracassos, para nao se deixar dominar novamente pelos traumas e pelo clima de tensao e hostilidade que deixam o Patriots ainda mais forte jogando em casa. O ultimo dos quatro times eh o New York Jets, que parece nao oferecer risco algum contra o Steelers, proximo sabado.
Do outro lado, na conferencia Nacional, estao o Philadelphia Eagles, Atlanta Hawks e o Minnesota Vikings, tres times fortes e parelhos, mas que eu nao apostaria num possivel encontro contra Patriots ou Steelers no Superbowl. No encontro entre Eagles e Vikings, eu aposto no time de Minnesota que conta com seu ataque poderoso completo e incendiado, com o recebedor Randy Moss e o quarterback Daunte Culpepper, enquanto o Eagles nao vai contar com seu principal recebedor, a estrela Terrel Owens. Jah o Atlanta, comandado por Michael Vick, tem um trabalho teoricamente mais facil contra o St. Louis Rams.
Nos proximos sabado e domingo... vale a pena conferir!
quinta-feira, 6 de janeiro de 2005
O hino de todos os poetas...
Choro Bandido
(Edu Lobo e Chico Buarque)
Mesmo que os cantores
sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa,
são bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
e os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim: você nasceu para mim,
você nasceu para mim
Mesmo que você feche os ouvidos
e as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
me leve até o fim, me leve até o fim
Mesmo que os romances
sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa,
são bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
seus amores serão bons
Choro Bandido
(Edu Lobo e Chico Buarque)
Mesmo que os cantores
sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa,
são bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
e os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim: você nasceu para mim,
você nasceu para mim
Mesmo que você feche os ouvidos
e as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
me leve até o fim, me leve até o fim
Mesmo que os romances
sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa,
são bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
seus amores serão bons